segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Continuação Plantas Medicinais do Norte de Minas – Pedra Azul

Mamona: Euphorbiaceae – Ricinus communis, Linn
O óleo fornecido pelas sementes tem propriedadess estomacais e purgativas. É ainda, usado contra febres.
Amostra de sementes de Mamona - Embrapa

Marianinha: Commelinaceae – Commelina nudiflora, Linn
O líquido existente entre as brácteas desta Commelinaceae é utilizado como colírio.

Marinheiro: Meliaceae – Trichilia oblonga, C.DC.
Vegetal muito frutífero de cuja raiz se extrai uma goma de ação drástica.

Mastruço: Chenopodiaceae – Chenopodium ambrosioides, Linn]
As sementes amassadas juntamente com óleo de rícino e rapadura ou açúcar produz um melado com o qual se combatem vermes intestinais. O sumo das folhas juntamente com leite é utilizado contra dores internas.

Maxixe de capeta: Solanaceae – Datura stramonium, Linn
As folhas secas desta planta são usadas, sob a forma de cigarros, para compater a asma.

Melão de São Caetano: Curcubitaceae – Mormodica charantia, Linn
As folhas machucadas e espremidas dão uma seiva tida como ótima nos casos de suspensão das regas.

Mentrasto: Compositae – Ageratum conzoides, Linn
Com esta planta, muito abundante na regi~]ao, fazem-se banhos para as perturientes, como desinfetante.

Mulungu do Brejo: Leguminosa Papilionatae – Erythrina reticulata, Presl.
As cinzas obtidas desta planta são empregadas no fabrico de sabão; o chá das folhas é utilizado localmente em casos de dores de dente; o cozimento das flores é tido como cardiotônico.

Pau de oveia: Leguminosa caesalpinoideae – Cassia sulcata, D.C.
As folhas tem propriedades anti-reumáticas

Pega Pinto: Nyctaginaceae – Boerhaavia hirsuta, Linn
O chá obtido da sua batatinha é indicado para combater dermatoses.

Pimentinha: Compositae – Spilanthes acmelia, Murr
O sumo das flores é usado localmente nas cáries dentárias quando há dor de dente. As inflorescências mastigadas deixam a boca dormente.

Suma amargosa: Trigoniaceae – Trigonia nívea, Cambess
O chá feito com esta planta é indicado no tratamento de doenças renais.

Umburana macha: Leguminosae Papilonateae – Torresea cearensis, Allam
A infusão da casca desta planta produz, para os locais um substituto do chá; é também usado no tratamento de picadas de cobras venenosas e escorpiões. Devido ao aroma da casca utiliza-se o pó desta para aromatizar fumo e rapé.

Velame do campo: Euphorbiaceae – Croton campestris , St. Hill
Planta aromática cujo látex é empregado contra o cancro mole, quando usado localmente.


Biliografia: Sellowia – Anais botânicos – 1954 – R.J.Siqueira Jaccoud – Instituto Oswaldo Cruz-

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O Naturalista Feijó na fitoterapia do Ceará

As mais antigas referências sobre o uso de plantas medicinais, no Ceará, estão registradas como observações suplementares em alguns verbetes da “Coleção Descriptiva das Plantas da Capitania do Ceará”. Escrita entre os anos de 1803 e 1805 por João da Sylva Feijó (1760-1824), cognominado naturalista Feijó, foi divulgada apenas em 1818, depois ter sido considerada perdida durante vários anos. Recentemente, Geraldo Nobre reproduziu em edição comentada o trabalho de Feijó, facilitando o acesso a descrições de uma centena e meia de espécies e referência ao uso medicinal de, pelo vinte delas.
Destas espécies, as sete citadas a seguir, merecem destaque especial pela permanência quase imutável de suas indicações terapêuticas ao longo de quase dois séculos de uso na medicina fitoterápica popular regional.
1 – Baerhavia coccínea Will (pega pinto ou batata de porco). Esta planta e uma pequena erva anual de ramos pegajosos, longos, finos e graciosamente dispostos. Sua raiz tuberosa, fusiforme e amilácea têm sido usadas para preparação de um macerado aquoso, levemente fermentado, conhecido no Nordeste pelo nome de aluá, que é muito consumido, mesmo atualmente, como bebida refrescante dita diurética e desobstruente do fígado.
2 – Lippia citriodora, H.B.K (erva cidreira). Esta designação botânica corresponde a um tipo
Erva cidreira
de erva cidreira mais comum no sul do Brasil, descrita hoje sob a denominação de Aloysia triphyllat (L.Herit) Britt cuja presença no Ceará é duvidosa. No Nordeste são conhecidas, atualmente, pelo nome de erva-cidreira, duas outras espécies de Lippia, L. geminatta H.B.K e Lippia alba Browwn ET H.B.K. As três tem o mesmo aroma característico do citral, responsável por sua denominação popular. A propriedade antidispéptica, assinalada nesta planta pelo naturalista Feijó, é referida, também, nos relatos populares de hoje, sendo-lhe atribuída ainda a indicação de calmante, talvez por analogia com a erva-cidreira verdadeira que corresponde a Melissa officinalis L. e cujo aroma é semelhante.
3 – Comelina nudiflora, L. (= C. comunis Vell) (marianinha). Pequena erva cosmopolita tropical, citada desde então como planta diurética. Esta propriedade é atribuída também, a várias outras espécies da mesma família, inclusive a C.deficiens, Kunth, conhecida como erva mijona ou trapoeraba e C.virginica, Rit, de nome popular Maria mole ou trapoeraba azul.
4 – Scoparia dulcis, L. (vassourinha) referida por Feijó, com o mesmo nome científico e popular empregado atualmente . recebe ainda o sinônimo “tupiçaba”. O cozimento preparado com suas raízes tem sido recomendado, ao longo do tempo, no tratamento caseiro da tosse, embora, numerosas outras indicações terapêuticas desta planta sejam encontradas nos levantamentos etnobotânicos e etnofarmacológicos.
CONTINUA

Bibliografia: Revista Brasileira de Farmácia, 72(1): 21-24, 1991 – F.J. de Abreu Matos-Supervisor do Horto de Plantas Medicinais. Universidade Federal do Ceará – Campus do Pici 60.750 – Fortaleza Ceará 

Toxicidade e atividade anti-inflamatória da Tabebuia Avellanedae

Sob a denominação vulgar de “Ipê” são conhecidas algumas variedades de plantas, todas pertencentes ao gênero Tabebuia ou Tecoma, da família Bignoniaceae.
Tabebuia avellanedae
Tido como dotadas de virtudes terapêuticas, os “ipês” são indiscriminadamente utilizados, sob as formas farmacêuticas mais diversas, tais como decocto, infuso, tintura e principalmente como preparados de aplicação local.
Freise, em 1933, em artigo sobre Plantas Medicinais Brasilieras, fez descrição de diversas espécies do gênero Tecoma, referindo sobre as inúmeras aplicações de infusos de suas cascas.
A atividade antimicrobiana foi verificada por Lima e col (1956, 1962), após estudo realizado com lenho de Tabebuia avellanedae.Seus princípios ativos foram logo identificados como lapachois, derivados de naftoquinonas, que também exibem discreta atividade anticoagulante, segundo pesquisas mais recentes.
Desde que o assunto foi colocado em foco a alguns anos, por Valter Accorsi, Professor de Botânica da “escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz”, de Piracicaba, S.P. despertou o interesse pela pesquisa. Seminários e palestras foram realizados por vários grupos de especialistas e o estado de São Paulo, através de sua Secretaria de Saúde, chegou a nomear uma comissão, para o estudo do assunto.
A tarefa, entretanto, é extremamente árdua, diante de sérios problemas relacionados à determinação exata das espécies e isolamento de seus princípios ativos.
O princípio ativo responsável pela atividade anti-inflamatória não foi esclarecido, O seu estudo é relativamente difícil diante da complexidade de sua composição química.
Após ensaios fotoquímicos realizados com a casca de Tabebuia avellanedae, ao Lado de outras variedades do mesmo gênero, relataram a presença de inúmeras substâncias, e entre as quais, as sapogeninas, provavelmente, do tipo esteroide. Esta informação motivou a execução do presente trabalho.
Conclusões: O extrato bruto de saponinas de Tabebuia avellanedae, injetado por via entra-parenteral, apresenta baixa toxicidade;
O extrato de sapogeninas da mesma origem, em suspensão aquosa, possui atividade anti-inflamatória;
O extrato de sapogeninas não exerce nenhuma atividade específica sobre os intestinos isolados de ratos e cobaios;
Nas doses de 0,5mg e 2,5mg, o extrato de sapogeninas não apresenta ação analgésica.


Bibliografia: Revista da fac de farmácia e bioquímica Vol7/ 1969 – Seizi Oga , Instrutor da Faculdade de Bioquímica da USP – Tomhiko Sekino – Estagiária da faculdade de Bioquímica da USP.

Continuação das Plantas do Norte de Minas – Pedra Azul.

Coirana: Solanaceae – Centrum laevigatum, Schlecht
O banho feito com esta planta é indicado em inflamações e reumatismos.

Cordão de frade: Labiatae – Leonotis nepetaefolia, R.Br
O chá feito com inflorescência tem as mesmas propriedades que a Carqueja.

Corona Crista: Leguminosa mimosoideae – Acacia farnesiana, Will
Hortelã do brejo
Ao cozimento da raiz atribuem-se as mesmas propriedades neutralizantes de peçonhas do Assa-peixe

Erva de rato: Asclepiadaceae – Asclepias eurassavica, Linn
Vegetal muito abundante na região cresce nos pastos e é tóxica para o gado. As folhas machucadas são usadas sobre as feridas para uma rápida cicatrização. O látex desta planta, colocado em uma isca, banana, por exemplo, é tido como violento tóxico para ratos.

Erva de Sangue: Euphorbiaceae – Euphorbia pilulifera, Linn
O cozimento feito com a planta total é utilizado no tratamento da desinteria sanguinolenta.

Erva de Santa Maria: Solanaceae – Solanum nigrum , Linn
O sumo desta planta é indicado na erisipela, refrescando e aliviando a dor. Os frutinhos são apreciados.

Fedegosão: Leguminoseae Caesalpinioideae – Cassi alata, Linn
Este vegetal é recomendado com certos cuidados devido a tocidez. O chá tem ação purgativa, bastando para isso três botões germinativos; em doses menores é usado como digestivo. Segundo um clínico da cidade esta planta é empregada, ainda pelo povo, como abortiva.

Fedegoso: Leguminosae Caesalpinioideae – Cassia occidentalis, Linn
O chá da raiz é usado como estomacal, quando ministrado juntamente com aguardente, alho e pimenta do reino são empregados na gripe e tosse. Na região, com o fito de economia, usa-se a semente desta planta, depois de torrada, para fazer café, pura ou misturada com o pó de café.

Feijão andu: Leguminosae Papilionatae – Cajanus indicus, Spreng
A farofa feita com as smentes desta planta é tida como ótimo alimento.

Fumo bravo: Compositae – Elephantopus scaber, Linn
O chá da raiz é tido como tendo propriedades expectorante; é, ainda esta planta utilizada para combater carrapatos nos animais.

Hortelã do Brejo: Pontederiaceae – Heteranthera reniformis Ruiz & Pav.
O sumo das folhas é empregado para supurar furúnculos. O cozimento de toda planta é usado para banhos em crianças.

Limão Bravo: Rubiaceae – Basanacantha spínosa, K
Usam o cozimento da raiz deste vegetal para combater casaco e falta de ar.

CONTINUA

Biliografia: Sellowia – Anais botânicos – 1954 – R.J.Siqueira Jaccoud – Instituto Oswaldo Cruz-

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Plantas Medicinais do Norte de Minas Gerais

Observação e coleta de informações realizadas entre 24 e 27 de julho de 1952 na cidade de Pedra Azul.
Algodoeiro: Malvacea Gossypium herbaceum , Linn
O líquido existente no botão é usado, localmente contra dores de ouvido.
Anil : Leguminosa-Papilionatae – Indigofera anill, Linn
Emprega-se o sumo das folhas contra as sarnas de cachorro eporcos.
Assa-Peixe: Composta – Vernonia scabra, Pers
Vegetal muito abundante na região e cuja principal utilidade está em fornecer cinzas com as quais se fabrica sabão. É tida como tóxica. Ao pó obtido da raiz atribuem-se propriedades neutralizante de peçonhas de cobras, quando são os animais doméstico   picados por estes ofídios.
Bucha do Xavier: Rubiaceae – Mitracarpum frigidus, Schumann
As folhas deste vegetal, quando verdes, são usadas localmente em casos de reumatismo; contra piolho, usam-na machucadas.
Caiçara: Solanacea – Solanum auriculatum, Ait
O chá feito com raiz desta planta, além de sert recomendado como estomacal, o é ainda contra febres e sífilis.
Camará: Verbenaceae – Solanum auriculatum, Ait
O chá ou xarope praparado com esta planta é recomendado contra tosse.
Capim Açu : Gramineae – Anthaenantia lanata, Benth
O sumo desta planta é usado nas inflamações.
Capim colonião: Graminea – Panicum maximum, Jack
O chá feito com a raiz é usado nos estados gripais.
Cardo Santo: Papaveraceae – Argemone mexicana, Linn
As sementes trituradas e ministradas juntamente com óleo de rícino são indicadas contra dores de um modo geral e febres; moídas com azeite ou puras são empregadas contra a malária. As folhas amassadas com óleo de rícino são tidas como eficazes nas dores de pneumonia.
O fruto desta planta dá bom xarope e é ainda empregado para combater a sarna
Carqueja : Compositae – Baccharis genistelloides, Pers
O chá feito com ramos deste vegetal é tido como estomacal.
Carrapicho: Compositae – Bidens pilosa, Linn
O chá feito com esta planta é tido como diurético; é usado, ainda, com bons resultados, na icterícia.
Cezarinha: Loganiaceae – Buddleia brasiliensis, Jacq
Das raízes desta planta faz-se um chá que é empregado no combate às febres elevadas.
Chá de Tropeiro: Labiatae – Laurus sibiricus, Linn
Com as mesmas propriedades da Carqueja.
Cipó de Catitu: Bignoniaceae – Bignonia venusta , Kergawl.
O chá feito com ramos ou raízes desta trepadeira é considerado eficaz no tratamento da blenorragia.
CONTINUA
Biliografia: Sellowia – Anais botânicos – 1954 – R.J.Siqueira Jaccoud – Instituto Oswaldo Cruz-

O que são os Ipês?

Ipês são diversas espécies de Bignoniáceas, do gênero Tecoma, comumente denominadas Ipês, por ex: Tecoma Umbelatta, Mart; Tecoma Imperdiginosa, Mart; Tecoma Pedicellata, Burn e Schm, que por causa da cor de sua madeira ou também de suas flores, devem ser
IPÊ BRANCO- FLORIDO
mencionadas. As árvores de porte médio ou grande, de casca rugosa, folhas digitadas, escuras em baixo e clara na face oposta, com inflorescência em panículos ou umbelas, axilares e terminais, as flores grandes e belas, frutos em forma de capsulas sptifragas com sementes lateralmente comprimidas, arredondadas, aladas, sem endosperma.
Fornecem a matéria médica da casca, de preferência a camada liberiana ou entre casca, cujo cozimento é empregado como adstringente, em gargarejos em casos de estomatites ou feridas da garganta, principalmente nas úlceras de fundo sifilítico. As virtudes terapêuticas residem no óleo essencial (0,25 a 0,4%) que se pode extrair da casca e que tem um peso específico (15º) de 0,8892. Um cheiro de linalool, e cor levemente amarelada, sendo solúvel em dois volumes de álcool a 70%.
Cuidados no uso de infusões, alcoolaturas e pós
Principalmente Ipê branco e Ipê amarelo: “O preparo da droga deve ser feito unicamente por meio de água, pois outros veículos mesmo o álcool em fraca concentração põem em liberdade componentes de elevada toxidez contidos na entre-casca; suspeita-se a existência de diversos alcaloides”. Dr. Frederico W. Freise
Devido ao fato de a casca (mais ainda a madeira) do Pau Amarelo conter resinas diversas e porcentagens variáveis de ácido lapachonico (C15 H14 O3), o pó obtido para cozimento é ofensivo a pele e a garganta, produzido naquela pústulas, intumescências e fenômenos de queimadura; nesta escoriações epiteliais e feridas sanguíneas. Por causa disto, a alcoolatura da droga deve ser evitada, pois, possue incorporada grande parte destas matérias.
O uso interno de infusões mais forte que 1 parte de casca para 10 partes de água é  seguido de dejeções dolorosas acompanhadas de sangue e detritos da mucosa intestinal. “A análise de Freise revela grande quantidade de Ácido Crisofânico que talvez seja responsável por este efeito que impõem cautela ao administrar a droga”.

Bibliografia: Revista Brasileira de Farmácia – Maio/junho-1967 - Lauro P. Cavalcanti- Farmacêutico do Hospital Getúlio Vargas no Rio de Janeiro.

Frederico Sellow e as agruras de um botânico no século XIX

Frederico Sellow foi um dos maiores naturalistas do século XIX. Coletou minerais, animais e plantas, além de realizar levantamentos geográficos e fazer pesquisas geológicas. Escreveu no seu diário a seguinte nota sobre seu trabalho: “Para poder dar conta da procedência, porte, colorido das flores, o botânico é obrigado a colher o seu material pessoalmente. Por
isso, luta com maiores dificuldades do que o zoólogo. Nem sempre quando descobre uma planta interessante a encontra com flores e quando isso acontece ele constata, muitas vezes, que elas apenas também não bastam para resolver as dificuldades da classificação. Outras vezes, encontrando outra em frutificação, descobre também que com os frutos, ramos e folhas igualmente não têm elementos bastante para chegar a um resultado satisfatório”. Isto temos confirmado bastante vezes pela experiência pessoal quando, embrenhado nas florestas e nos campos, realizamos colheitas de espécimes. A experiência é de todos os botânicos que trabalham extramuros, mas muito maiores devem ser as dificuldades dos fitologistas que apenas lidam com espécimes secos dos herbários. Desconhecendo as matas e os campos naturais, eles passam, porém, a criticar e a censurar aos que coligiram os espécimes e que às pressas tiveram de etiquetá-los. Para este detalhe também o citado botânico tem no seu diário outro registro importante. Falando dos trabalhos do naturalista do campo e especialmente do botânico, ele escreveu: “E quando a colheita e o preparo do material têm de ser feitos numa época chuvosa, quando os dias de chuva se sucedem durante muito tempo, ou ainda quando se está acampado numa sombria e úmida floresta, onde tudo embolora e apodrece antes de poder ser guardado, então é que se leva a paciência e a resignação do botânico a mais dura prova”.
Nos conhecemos isto de experiência. Ainda agora de depois de passados quase 40 anos, chegamos a sonhar com os dias de semelhantes dificuldades que tivemos em Mato Grosso. As prensas cheias de material preciosos, com imenso empenho conseguidos nas viagens fluviais, nos pântanos pestíferos e nas sombrias matas, colocados num ângulo do toldo que se encolhe e forma brejos com água de chuva acumulada e o tão ansiosamente esperado raio de sol não aparece durante cinco ou dez dias seguidos. Secar o material ao calor do fogo torna-se inviável, devido carências de espaço sob o acanhado toldo. Finalmente, quando as nuvens desaparecem e o sol surge irradiante, abrindo-se as pressas, para mudar os papeis pelos que ao sol foram aquecidos, constata-se com tristeza que tudo está embolorado, podre e desarticulado.
Tornar a colher material é impossível, porque a tropa está pronta para receber as cangalhas para o prosseguimento do programa de viagem preestabelecido. Nas viagens fluviais, onde os acampamentos sempre têm de ser feito na sobra das matas ribeirinhas úmidas, o drama torna-se ainda mais impressionante, visto que se para apenas para pernoitar ou para almoçar, quando também se precisa fazer a colheita do que estiver florido ou frutificado nas proximidades.

Bibliografia: Relatório do Instituto de Botânica- F.C. Hoehne – Diretor do Inst. de Botânica de São Paulo -