quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Coqueiro de Catarro

Acrocomia selcrocarpa, Mart.

Sinomia vulgar: Macaúba, Coco de catarro, Mucajá, Macahiba, Macajuba

É um dos coqueiros mais comuns no Rio de Janeiro e em muitas outras provícias do Brasil.
Tem caule cilíndrico, de 10-15metros de altura sobre 30 a 40cm de diâmetro, tendo a base as folhas persistentes, cobertas de espinhos grandes e fortes, as quais caem com o tempo, achando-se as vezes exemplares adiantados em anos completamente despidos de espinhos na parte inferior; o seu ápice é coroado por 20-30 folhas pinuladas, de 4-5  metros de comprimento com o dorso cheio de espinhos muito aguçados e de cor preta castanha;
Macaúba
inflorescência em espádice partindo dentre as folhas e geralmente pendendo para um dos lados do tronco, de ½ a ¾ de metro de comprimento, com flores monoicas de cor amarelo-pálida espalhando um aroma particular não desagradável; fruto drupaceo, oval, arredondado, de 5cm de diâmetro tendo na base pequenas escamas de cor pardacenta, com o epicarpo lenhoso de cor verde-claro, quando novo, ligeiramente áspero e depois de bem desenvolvido, de cor pardacenta, lustrosa e de 5 mm de grossura; o sarcocarpo constitui uma polpa fibreosa e pegajosa, de cor mais ou menos amarelada, ligado a um caroço ósseo de 29mm de diâmetro, com a casca de 6 mm de grossura tendo uma amêndoa branca, oleosa e dura.
Um fruto bem desenvolvido pesava 44 grs, sendo 15 grs de epicarpo 8grs de sarcocarpo, 19 grs de caroço e 1 gr da amêndoa.
O óleo pingue da polpa é transparente de cor pardacenta, de densidade = 0,915 a +17º C.
O óleo pingue das amêndoas é transparente, incolor de densidade = 0,909 + 13º C
Nas Antilhas este óleo é muito usado para diversos fins, principalmente, para fabricação de sabonetes, podendo substituir para os usos culinários o azeite doce purificado.
O óleo extraído da parte polposa é empregado na culinária e em fricções nas nevralgias e cefalalgias.
O sacocarpo do fruto sabor adocicado agradável é muito apreciado, possuindo um aroma particular, semelhante ao do pêssego; misturado com água fornece uma bebida refrigerante denominada Macaiba e fervido com água forma um mingao grosso; que é usado como alimento.
O pecíolo e o dorso das folhas, depois de fendidos em tiras, servem para o fabrico de
Fruto de Macaúba
chapéus e balaios.
Das folhas verdes extraem-se fibras muito brancas, lustrosas e finas que são denominadas “seda vegetal”, e servem para vários tecidos.
O Sr. Dr. José Ricardo Pires Almeida tem feito muitos esforços para propagar a cultura deste coqueiro, principalmente em Inhaúma, Jacarépagua e Irajá, onde é abundante, conseguindo obter boa porção de fibras das folhas, que remeteu para a fábrica de tecidos de Charles Bovel em Bruxelas, com o fim de ai serem experimentadas, sendo os resultados obtidos magníficos, sujeitando-se esse industrial a empregar toda a fibra remetida, desde  que lhe garantissem um fornecimento certo conforme o gasto da fábrica.
O tronco do coqueiro serve para fazer ripas e também calhas para conduzir água,

Bibliografia : Peckolt , Gustavo e Theodoro – Plantas Medicinais e de Gozo do Brasil - 1888


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Lirio do brejo

Hedychium coronarium, Koen
Sinomia vulgar: Suzena, Cardamomo do mato, Cardamomo do brejo, Lágrima de moça, Lirio.
Lirio do Brejo
Esta planta é encontrada em quase todos os Estados do Brasil, principalmente no Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde ela ocupa as vezes grandes áreas de terrenos alagados; é considerada silvestre do Brasil, mas dizem que sua pátria é a Índia Oriental.
Os seus pseudo-colmos atingem de 1 a 1 ½ metro de altura, e acham-se reunidos em grandes touceiras e são de cor verde claro, carnosos e muito suculentos; as folhas são lanceoladas, grandes e invaginantes; a inflorescência que parte do ápice dos colmos é em panículas rancemosas, compactas e imbricadas, com as brácteas de cor verde; flores grandes muito amplas, de cor branca cheirosas, cálice tubuloso; o fruto é uma capsula tri-locular com as sementes ariladas.
A parte interna deste rizoma é de cor  branca ou levemente amarelada, de aroma fraco, não desagradável e de sabor particular um tanto picante.
O óleo pingue é de cor amarelada, de aroma particular e de sabor levemente amargo; o amido tratado pelo iodo cora-se em azul escuro, com bromo fica de cor alaranjada escura; a resina mole é de cor pardacenta, aromática e completamente volátil na platina incandescente.


Bibliografia : Peckolt , Gustavo e Theodoro – Plantas Medicinais e de Gozo do Brasil

sábado, 2 de agosto de 2014

Curcuma Longa

Sinomia científica: Amomum cúrcuma. Murr e Jacq; Curcuma tinctoria. Guib. C. viridiflora. Roxb. C. domestica major e minor. Rumph. C. radice longa. Zanon.
Sinomia Vulgar:  Açafrão  da Índia, Açafroa, Açafrão da terra, Batatinha amarela, Terra merita, Gengibre dourada, Raiz de Açafrão.
Flor de Curcuma longa
A denominação Curcuma vem da palavra persa, Kurkum que quer dizer açafrão.
É uma planta oriunda da Ásia meridional que se acha tão aclimatada e cultivada no Brasil que é por muitos considerada silvestre deste país.
Já em 1563 Garcia d’ Orta e em 1572, Fragoso mencionavam a Curcuma com o nome de Crocus indicus e em 1450 ela era vendida pelos droguistas de Frankfort.ina
Dioscoride menciona nos seus escritos uma planta indiana semelhante ao gengibre possuindo uma coloração amarela e tendo quando esmagada um sabor levemente amargo, que necessariamente deve ser a Curcuma.
Ela tem muitas variedades puramente comerciais encontra-se outras conhecidas conforme a sua proveniência, sendo as principais a da China a de Madras e a de Bengala, a de Java. A variedade da China é a mais estimada, porém é bem rara, a de Bengala difere de todas pela coloração que é mais escura e por isso preferível para a tinturaria.
Examinando-se ao microscópio a camada tuberosa de uma destas variedades comerciais de Curcuma ver-se-a que ela é formada de 8 a 10 ordens de células tubulares, apresentando o parênquima da camada vertical media  grandes células policendricas, de ângulos arredondados e no centro do rizoma nota-se sobre o golpe transversal, um círculo de fachos fibrovasculares apertados uns contra os outros, formando uma espécie de bainha ao redor da medula. O parênquima limitado exteriormente por este círculo é atravessado por fachos esparços;
A Curcuma é insolúvel na água, mas mistura-se perfeitamente com outros solventes neutros; não se combina com o sulfito de soda. O turmerol é um álcool que sobre a influencia de calor e do ácido clorídrico concentrado, dá Clorureto de turmerila que apresentado sob a forma de óleo aromático, de cor amarela pálida , decompõem-se pela destilação.
A Curcuma é considerada pelo povo como um medicamento aromático, excitante, e diurético, usado principalmente na icterícia e nos cálculos biliares, em tintura ou em pó na dose de 1,27 a 3,8 grs; na terapêutica não é mais usada e em farmácia é empregada para colorir os unguentos e pomadas, na arte do confeiteiro serve para dar cor amarela aos doces, assim como também é usada para tingir licores, laranginhas. Seu principal emprego é na tinturaria, e na culinária serve para colorir o arroz. Na química é muito usada como reativo característico dos álcalis.
Na Índia a cúrcuma é usada para diversos fins tanto culinários como para tinturaria.
A Curcuma em pó que chega ao Brasil vem quase toda de Hamburgo e Londres no entanto poderia ser o país um dos maiores exportador.


Bibliografia: Peckolt,  Theodoro e Gustavo. Plantas Medicinais e Úteis do Brasil - 1888 

sábado, 26 de julho de 2014

Cará Sapateiro

Sinomia científica: Dioscorea bulbífera, Lin Dioscorea tamifolia,  Salesb  Umbium bulliferum, Mirb.
Sinomia Vulgar: Batata de rama, Cará de espinha, Cará do ar, Cará de São Tomé.
Esta espécie é oriunda da índia Oriental, mas foi introduzida entre nós pelos holandeses que as trouxeram da ilha de S. Tomé, tendo-se vulgarizado de tal maneira que pode ser considerada brasileira.
Tem a caule liso, ramoso, arredondado, muito extenso e trepador; com folhas ovais arredondadas, cordiformes e aguçadas, raiz tuberosa atingindo o tamanho desde o de uma manga, até o de um coco da Bahia; oval arredondada, achatada dos lados; tem uma casca grossa com excrescências verrugosas, de cor pardacenta coberta de radículas muito finas e curtas, com a parte carnosa amarelada, muito mucilaginosa e de sabor particular; pesa geralmente desde 150grs até 2kg.
Germinação de Cará Sapateiro
Nas axilas das folhas fporma-se uma excrescência verrugosa que pouco a pçouco transforma-se em uma tubera arredondada ou oval, um pouco s achatada em um dos lados, atingindo o comprimento de 5 a 10cm, mais ou menos coberta por uma película fina, Liza, lustrosa, de cor cinzenta azulada exteriormente e na parte interna, de cor arroxeada, com a parte carnosa de cor amarela alaranjada; pesam muitas vezes desde 120 até 200grs.
Estas tuberas aéreas são usadas cozidas e preparadas de diversas maneiras como alimento, sendo muito nutritivas que as raízes tuberosas; estas são aplicadas como medicamento, no estado cru, possuem ação muito diurética, sendo empregada nas afecções que exigem um enérgico diurético sem , produzir irritação alguma.
O suco das mesmas é dado na dose de uma colher de sopa de 2 em 2 horas como diurético.
As tuberas aéreas raladas servem para fazer cataplasma que são usadas com proveito, para resolver os furúnculos.


Bilbiografia: Plantas Medicinais e Úteis do Brasil – Gilberto e Theodoro Peckolt.

domingo, 20 de julho de 2014

MUTAMBA

Nome Científico :  Theobroma guazuma L.
Família: Esterculiáceas
Sinomia: Pojó, Camba-acã, Camacã, Ibixuma, Ibixuna, Ubixuma, nabombo, Olmeiro-piramidal-da-martinica, Mutombo, Mutambo, Mucongo, Cambáaçã.
Características: Árvore de tamanho médio, ramosa, copa larga. Madeira branca. Folhas ovais, recortadas nos bordos. Fruto, é redondo e de cor negra, contém uma substância mucilaginosa e é comestível. O líber (floema) fornece fibras para a cordoaria e para a fabricação de tecidos.
Theobroma guazuma, L.
Habitat: Na mata de várzea alta.
Valor Terapêutico: O decocto da entrecasca é adstringente, depurativo, antisifilítico, desobstruente do fígado e bom contra as dermatoses.
O mercado da entrecasca tem aplicação contra a queda do cabelo e as afecções parasitárias do couro cabeludo.
O decocto da casca é vulnerário: serve para lavar feridas velhas.
Em xarope, a entrecasca é eficaz nos casos de bronquite, asma tosse, pneumonia e outras afecções das vias respiratórias.
O cozimento da casca é usado contra as afecções do fígado e, externamente, no tratamento de feridas e úlceras. Servem também as cascas para combater as tosse, bronquites, asma, pneumonia.
Bibliografia: A Flora Brasileira na medicina doméstica – A. Balbach – pág 1037 e 1038

Dicionário das plantas úteis do Brasil – 2º edição – G.L. Cruz pág 467

domingo, 13 de julho de 2014

Passifloras e Curcubitaceas como plantas medicinais

As Passifloraceas, cuja ação se assemelha a da morfina. Algumas são tidas como anthelminticas e outras como antiescorbúticas.
Flor de Passifloraceas
Das Curcubitaceas, queremos mencionar a Nhandiroba ou Jabotá, que é infalível contra perturbações gástricas e o reumatismo. As diferentes Cayaponias, que atuam como drástico e a não menos importante Luffa, que serve como antelmintico. Aliás, a “Cayaponina”, princípio drástico contido nas sementes e frutos de muitas espécies de gêneros diversos é, na opinião judiciosa de alguns clínicos, o purgante ideal, porquanto produz efeito forte com a dose mínima. Os Tayuyás são depurativos e diuréticos. Mas com o emprego das Curcubitaceas sem pré precisamos ter cuidado com a dose.
Das Phytolaccaceas são eméticas e drásticas as dos gêneros Phytolacea e Pircunia. As representantes da Petiveria são silagôgas, vermicidas, antigonorréicas e próprias para curar as dores de dentes. Os frutos da Rivinia tintoria, próprios para pintar os lábios e as faces das meninas faceiras, mormente porque é totalmente inofensiva e de uma coloração mais fiel ao natural que as tintas químicas.
As Malvaceas contem muitas espécies indígenas, que são emolientes e estomáquicas. Da mesma forma as Tiliaceas e as Sterculiaceas. Mas, destas ultimas há também muitas que são reputadas depurativas.
As Rutaceas igualmente importantes na cura das febres e moléstias do estomago e as sementes Meliaceas do gênero Melia, servem para substituir as da “Chaulmoogra” na extração do óleo oficinal.
Planta de Pariparoba
As gramíneas, as Pteridophytas, as Commeliaceas e todas as demais Mono e Dicotiledoneas, muito teríamos ainda a fazer. Para formarmos um juízo da diversidade existente entre as virtudes atribuídas aos diferentes vegetais, bastam estas famílias enumeradas.
Os botânicos e clínicos estrangeiros acreditam que nenhuma flora do mundo é mais rica de espécies medicinais do que a nossa e nós afirmamos sempre o mesmo, mas sem bem sabemos o que estamos dizendo.
O índio prepara remédios colhendo os elementos nas selvas sombrias e nos campos agrestes. Geralmente são misturadas diversas raízes ou diferentes folhas que lhe fornecem a base para os mesmos. Mas, a manipulação deste material, a época de sua colheita, bem como o modo de misturar e a maneira de fazer decoctos são coisas que também merecem atenção.

Bibliografia: Boletim de Agricultura – 1929 – Os Vegetais na Terapêutica – F. C. Hoehne


sexta-feira, 4 de julho de 2014

Famílias decorativas do Brasil

Menos importantes na medicina, mas mais decorativas, são as representantes das Acanthaceas, Bignoniaceas e Campanulaceas. Mas, precisamos recordar as espécies do gênero Tecoma, da segunda família, a que o povo xdenomina “Ipê”, cujas entrecascas e serragem têm grande fama como úteis nas moléstias do estomago e fígado.
Casca de anta
As Umbelíferas, que contem as espécies úteis dos gêneros Fernula, Archnagelica, Angelica, Meum, Foeniculum, Pimpinella, Ammi, Peucedaneum, Pastinaca, Thapsia, Daucus e outros que contribuem com grande porcentagem para o material oficinal, tem poucos representantes mais importantes em nossa flora indígena.
Lembramos, porém, que muitas poderiam ser cultivadase produzidas aqui com vantagem. Delas já experimentamosespecies de Coriandrum e Seseli, obtendo não pequena produção de sementes no Horto “Osvaldo Cruz”.
Indigenas dignas de menção seriam também a Centellaasiática, as espécies do gênero Eryngium e outras.
Dignas de especial menção são as nossas Menispermaceas. Muitas, altamente tóxicas, têm encontrado emprego na medicina, aplicadas em doses  pequenas e repetidas com largos intervalos. Citamos apenas a “Calumba”, a “Raiz Pereira”, a “Bútua”, a “Parreira Brava” o “Cocculos”, que tem bem merecida fama como estomáquicas, antirreumáticas, antifebris, diuréticas e diaforéticas.
As Myristicaceas, a que pertencem a nossa “Ucuúba”, a “Bicuiba” e outras sementes aromáticas, têm fama como estimulante e como uteis para combater as câimbras e as disenterias crônicas.
As Magnóliaceas, que no Brasil tem apenas dois tipos representativos, valem menção por serem as mais estomáquicas que conhecemos. A fama da “Cataya” ou “Casca de Anta” é bem merecida. Afirmam ainda que cura o escorbuto e as úlceras estomacais.
Das Dilleniaceas destacamos as que o vulgo denomina “Çambaiba”, “Cipó Carijó” e “Capa Homem”, pelo valor que tem como fortemente adstringente no combate as orquites e as disenterias.
Bicuíba
Das Droseraceas, de que a nossa flora possui diversas espécies, destaca-se a virtude diurética. Mas elas servem para curar a hidropsia, as moléstias dos olhos, e são também consideradas toxicas para os carneiros e fornecem uma tinta encarnada utilizável nas indústrias.
As Violaceas indígenas prestam serviços como eméticas. Combatem as erupções cutâneas e agem como antifebris.
Das Flacourtiaceas, temos a celebre “Chaulmoogra” da Índia e uma porção de similares na flora brasílica. Delas ocupa atualmente a atenção dos clínicos a “Sapucainha”, Carpatroche brasiliensis, cujas propriedades medicinais, na destruição dos lepromas da morfea, equivalem bem as das sementes vindas da Índia, pelo nome supramencionado. As folhas de algumas “Guassatungas” agem também como anticético e anestésico.


Bibliografia: Boletim de Agricultura – 1929 – Os Vegetais na Terapêutica – F. C. Hoehne