segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O Cipó Chumbo segundo Dr. Von Martius 1829

Cipó chumbo

No Brasil se denomina Cipó de Chumbo Cuscuta racemosa Humboldt; umbelata e miniata Martius, porque, mais denso que a água, nella submerge. Não sei até que ponto deve-se-ia considerar o efeito desta planta.m todo o caso é notável que enquanto a Europa abandonou um medicamentoenaltecido até ao século passado por Hippocrates Galeno Aetio pelos árabes e muitos médicos francês, alemães agora o Novo Mundo relembre coisa semelhante. Estes ramos e galhos secos aqui apresentados, de uma Cuscuta não foram determinados à espécie, são inodoros, de sabor semelhante á herva, um pouco mucilaginosos e finalmente amargos epelas propriedades físicas parecem não demonstrar grande efeito.
Contem mucilagem e tanino. Parece que o medicamento poderia ser, especialmente, comparado á Radiz Symphyti officinalis
Ainda mais singular é outra planta, para a qual deveria ser voltada, por alguns momentos , a atenção . È a chamada manacan, geratacaca ou camgamba, e denominada mercúrio vegetal, no Pará.
Piso menciona a mesma com aquelas primeiras designações, e Sprengel consideram em sua excelente xilografia como sendo a Schwenkfeldia cinérea. A Planta, no entanto, pertence a outra ordem às Myoporinas, e foi pela primeira vez cientificamente ilustrada e descrita pelo meu amigo Dr. Pohl.
A planta toda tem um sabor amargo, nauseabundo e picante, e que mais se acentua na raiz, e é um dos mais enérgicos drásticos que o Brasil oferece.
Produz, quando ingerida em doses um tanto elevadas, simultaneamente vômitos, e era usada pelos índios, segundo reza a tradição, como antídoto das mordeduras de ofídios, pois que originaria evacuação criticas e consideráveis, expulsando, assim do corpo o veneno.
No Pará se considera as mesmas como o mais eficaz medicamento contra a lues inventerata, tumores veneros, erupções pertinazes, ostealgias, doença mercurial.
Aplica-se externamente a erva esmagada, a raiz e os ramos novos em compressas quentes e frias. Internamente utiliza-se preferencialmente infuso aquoso frio. Para isto se raspa a raiz limpa, põe-se em água fria que fica durante 24 horas exposta ao ar livre côa-se a todo, e abandona-se o liquido coado novamente por um dia. Durante este tempo precipitam-se fécula de sedimento e outras substâncias, e o liquido decantado é bebido em pequenas doses, duas a três vezes ao dia. Desde que haja impurezas no corpo, o doente, o doente experimentará violenta excitação, particularmente insuportável formigamento sobre a pele. A eliminação acontece pela urina.

Bibliografia: Revista da Flora Medicinal  - pág 490.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O guaraná segundo o Dr Von Martius


O guaraná, a pasta de guaraná, não deve ser confundido com a goma caraná, fui pela primeira vez divulgada, ao que me consta por Virey; e ele a atriobuià Rizopha Manyle. Sou capaz de dar mais preciosa elucidação sobre este singular produto da indústria indígena, posto que não só observei a planta originaria no próprio país como também presenciou a sua preparação pelos indígenas.
Esta substância é preparada da semente de uma espécie até agora não descrita de Paulinia, e que  denominei Paulínia sorbilis, ilustrando-a num opúsculo que meu irmão, T. W. Martius em Erlangen,  vai publicar sobre a droga.
É um arbusto com ramos separados, atingindo n o máximo a altura de um homem, e nasce espontaneamente nas matas secas da província do Rio Negro. Eu o vi na Barra do Rio Negro, onde no mês de novembro apresentava simultaneamente flores e frutos quase maduros, e mais tarde no Canal dos Abacaxis, no lago Canoma e na vila Topinambarana.
Os índios colhem os frutos maduros, retiram as sementes que são de cor negra, ovalares, do tamanho de avelã, e envoltos, na metade inferior, um pedúnculo branco e feculento.
Estas sementes são esmagadas entre pedras aquecidas e (no caso por mim presenciado sem outro ingrediente), segundo o que afirmam vários brasileiros,às vezes também adicionadas, misturadas e amassadas com cacau e alguma fécula de sedimento da raiz de mandioca, até que estejam bem aglutinadas e possam ser amoldadas a qualquer forma desejada. Na maioria das vezes tem a forma de fuso pontiagudo ou de um cilindro, raras vexes são globulosas. Sendo dissecadas ao ar na sombra, ou sobre a fumaça das cabanas, endurecem tornando-se um corpo de cor pardo-castanho, entremeiado aqui e acolá de partes mais claras e amareladas, tuberosas, de grande dureza e peso, e neste estado se tornam objeto de intercambio.
Também é igualmente a industriosa nação dos Maués no rio Maué, no lago Canoma e no rio Madeira, a que se ocupa tanto do comércio da Cassia caryophyllata, como também especialmente fabricação deste produto.
Destes maués é que em primeiro lugar o obtiveram os navegantes brasileiros que iam para o Madeira e vinham de Mato Grosso, e por intermédio destes últimos espalhou-se o uso do mesmo por todo o Brasil, a ponto de faltar muito raramente na compêndios de farmácia dos viajantes. O vulgo o considera, simultaneamente, estomáquico, antifebril e afrodisíaco; e devo, sem dúvida, confessar que estou indeciso sobre o caráter dominante, que a esta substância poderia ser atribuída.
Bibliografia:Sobre algumas drogas brasileiras. Dr. V. Martius fevereiro de 1829.

domingo, 29 de julho de 2012

As quinas verdadeiras do Rio Negro


As quinas verdadeiras encontram-se no interior do Amazonas, nas mesmas latitude que se encontram as de melhor qualidade peruanas, devendo por isso serem de excelente efeito.
As quinas verdadeiras encontram-se no interior do Amazonas, nas mesmas latitude que se encontram as de melhor qualidade peruanas, devendo por isso serem de excelente efeito.
Menciono estas três espécies: Cinchona Lambertiana, Bergeniana e Macrocnemia. A Cinchona Lambertina é a que mais se assemelha, externamente á Quina de Loxa: sua epiderme é da mesma coloração cinzenta, porém provida de sulcos longitudinais e não transversais; o corpo cortical propriamente, é mais vermelho do que o da Loxa vera. Também no sabor ela se assemelha a Loxa, porém possui menos pronunciadamente aquele resaibo próprio às espécies de quina, e nauseabundo a certas pessoas.
A Cinchona Bergeniana é a mais fraca das três novas espécies; possuo, da mesma somente alguns pedaços descascados e finos, assemelhando-se externamente aos da Loxa lisa ou Jaen, sendo internamente de coloração menos rubra. A Cinchona macrocnema  se distingue de todas as qualidades até agora conhecidas por mim, pela coloração da casca, que de castanha passa ao violeta, onde ela se destaca da epiderme o que em meus fragmentos facilmente ocorre. Elas são consideravelmente ricas em resinas, porém não destituídas de aroma, e possuem amargor a que só mais tarde vai agir, nitidamente, sobre a língua. Não quero por em dúvida que em todas estas espécies não existam os alcaloides e ácidos específicos, que asseguram a eficiência da Córtex peruvianus.
As regiões onde foram colhidas, no alto Japuráentre as quedas de Cupati e Araracoara, se distinguem, na vegetação toda, das matas mais baixas no Solimões e Rio Amazonas, e dão assim, lugar á hipótese, que as plantas que aqui espontaneamente surgem, tem mais afinidade, em sua natureza, ás do limítrofe Perú, do que as da região do rio, onde os portugueses, não obstante todos os esforços, não puderam descobrir nenhuma quina.
Assim teria o Brasil, de acordo com estes dados 10-12 espécies de Rubiaceas da tribu das Cinchonaceas, que representam mais ou menos as espécies peruanas. São mencionáveis como falsas, se bem que excelentes quanto a ação antifebril: Strychnos pseudoquina St. Hil usada em Minas Gerais como quina Solanum pseudoquina St. Hil. Nas províncias sulinas, a quina do Piaui, também a Solanum, e a Cpoutinia ilustris do mesmo autor, uma apocinácea, da qual se origina a quina de Cumarú no distrito de Ilheus da província da Bahia. Também a genuína Quassia amara é designada, em algumas regiões do Brasil, pelo nome de Quina. Assim, por exemplo também no estabelecimento inglês no forte de São Padro, na Bahia e de que nos fala o príncipe Macximilian Von Neuwied
Menciono estas três espécies: Cinchona Lambertiana, Bergeniana e Macrocnemia. A Cinchona Lambertina é a que mais se assemelha, externamente á Quina de Loxa: sua epiderme é da mesma coloração cinzenta, porém provida de sulcos longitudinais e não transversais; o corpo cortical propriamente, é mais vermelho do que o da Loxa vera. Também no sabor ela se assemelha a Loxa, porém possui menos pronunciadamente aquele resaibo próprio às espécies de quina, e nauseabundo a certas pessoas.
A Cinchona Bergeniana é a mais fraca das três novas espécies; possuo, da mesma somente alguns pedaços descascados e finos, assemelhando-se externamente aos da Loxa lisa ou Jaen, sendo internamente de coloração menos rubra. A Cinchona macrocnema  se distingue de todas as qualidades até agora conhecidas por mim, pela coloração da casca, que de castanha passa ao violeta, onde ela se destaca da epiderme o que em meus fragmentos facilmente ocorre. Elas são consideravelmente ricas em resinas, porém não destituídas de aroma, e possuem amargor a que só mais tarde vai agir, nitidamente, sobre a língua. Não quero por em dúvida que em todas estas espécies não existam os alcaloides e ácidos específicos, que asseguram a eficiência da Córtex peruvianus.
As regiões onde foram colhidas, no alto Japuráentre as quedas de Cupati e Araracoara, se distinguem, na vegetação toda, das matas mais baixas no Solimões e Rio Amazonas, e dão assim, lugar á hipótese, que as plantas que aqui espontaneamente surgem, tem mais afinidade, em sua natureza, ás do limítrofe Perú, do que as da região do rio, onde os portugueses, não obstante todos os esforços, não puderam descobrir nenhuma quina.
Assim teria o Brasil, de acordo com estes dados 10-12 espécies de Rubiaceas da tribu das Cinchonaceas, que representam mais ou menos as espécies peruanas. São mencionáveis como falsas, se bem que excelentes quanto a ação antifebril: Strychnos pseudoquina St. Hil usada em Minas Gerais como quina Solanum pseudoquina St. Hil. Nas províncias sulinas, a quina do Piaui, também a Solanum, e a Cpoutinia ilustris do mesmo autor, uma apocinácea, da qual se origina a quina de Cumarú no distrito de Ilheus da província da Bahia. Também a genuína Quassia amara é designada, em algumas regiões do Brasil, pelo nome de Quina. Assim, por exemplo também no estabelecimento inglês no forte de São Padro, na Bahia e de que nos fala o príncipe Macximilian Von Neuwied.

Bibliografia: Revista da Flora Medicinal-Sobre algumas Drogas Brasileiras- Dr. V. Martius – Real Academia Bávara de Ciências fevereiro de 1829

domingo, 22 de julho de 2012

Quina Brasileiras segundo Von Martius


Portlandia

Nenhuma das qualidades de quina peruanas genuínas tem coloração escura idêntica, e a C. rubra que apresenta, em alguns indivíduos maior analogia na coloração se distingue à primeira vista pela estrutura fibrosalongitudinal, de fratura espetada, pois que a quina do Rio de Janeiro apresenta uma superfície compacta e finamente granulosa. O sabor da casca tem grande semelhança com o da Coutarea regia e da Huanuco, porém é mais amarga e resinosa. Em virtude do maior teor em resina e de maior dureza a casca estala mais entre os dentes, e se aglutina um pouco.
No terceiro volume de Memórias da Academia de Lisboa, encontra-se a analise química desta casca e sua comparação com três outras espécies peruanas, cujo resultado induz Bernardino Antônio Gomes a considerá-la pertencente as verdadeiras quinas, porque também contém cinchonina. “Este princípio fora desenvolvido na casca após a ação do calor em certo grau, enquanto que nas espécies peruanas já existe em liberdade, e por este motivo seria a quina do Rio de Janeiro, especificamente ativa em decocto e menos em infusum frigide paratu; isto também comprovei na prática, onde o emprego da casca brasileira in substancia não fornece os resultados eficientes esperados, enquanto que o decocto nada deixou a desejar”.
As restantes qualidades de quina, que até agora são conhecidas no Brasil, são as seguintes: 1- Quina do Piauí, divulgada em primeiro lugar pelo Dom Diogo de Souza. Origina-se de uma espécie ainda não descrita de Exostema, que denominei E. Souza.
2-Quina da Serra ou do Campo; Quina de Remijo, Cinchona ferruginea, Vellozzii e Remijana , Sit. Hil, de Minas Gerais.
3 – Quina do mato, nas selvas da serra do Mar entre o Rio de Janeiro e a Bahia, talvez a Exostema cuspidatum, e próxima a ela a casca da E. australe do mesmo autor.
É difícil estabelecer, que resultados tiveram as diversas experiências clínicas, feitas em hospitais portugueses com as espécies de quina brasileiras, e o aque deve ser atribuído a mencionada quina do Rio de Janeiro ou das outras aqui citadas, pois as descrições das cascas são, nas próprias divulgações do Jornal de Coimbra, onde aqueles resultados clínicos são anotados em vários lugares, de tal modo incertas, a ponto de se não poder reconhecer as espécies.
As experiências feitas por Comparetti, com uma casca de quina brasileiras, e que Ferreira da Siva traduziu para o português no ano de 1801, também deixam duvidas, quando se referem a nossa quina do Rio de Janeiro. Não devo aqui esquecer que as observações que Brera divulgou sobre uma quina bicolorata Del Brasil, assim  por ele denominada não de vem ser atribuídas a uma quina verdadeira e sim a outra Rubiacea (Portlandia Hexandria), que aparece ultimamente no mercado com o nome de Cortex Pitayo.

Bibliografia: Revista da Flora Medicinal- Sobre algumas drogas brasileiras – Dr. Von Martius. 

domingo, 15 de julho de 2012

Drogas Brasileiras segundo o Dr Von Martius


Conferência na Real Academia Bávara de Sciencias 1829.

Myristica sebifera
Há muitos anos está em uso no Pará a Myristica sebifera, uma espécie de noz moscada, para preparar uma espécie de cera das sementes cozidas e espremidas, particularmente, porém do arilo que as envolve, e que conhecemos, da noz moscada genuína indo-oriental pelo nome de macis. Tenho a honra de aqui apresentá-la. Seria de desejar que fossem quimicamente determinadas as relações existentes entre a cerina e a miricina, nesta substância. E utilizada com proveito em velas, e como os frutos pertencem a uma árvore grande e que não é rara é fácil a obtenção de considerável quantidade desta substância. Obtive, pelo Sr Schandelook, substância parecida, conservada em tubos ocos e obtida por maneira análoga de uma outra espécie de Myristica, a Bicuiba ou Uicuiba, que denomino M . Officinalis, e que nasce nas matas de Ilheus, um município da província da Bahia. Os índios e os colonos civilizados daquela região utilizam esta substância, que é de cor amarela e mais fluida, de sabor irritante em virtude de não pequeno teor de resina e óleo essencial, frequentemente em fricções contra dores reumáticas, artríticas e hemorroidárias, e ainda contra cólicas. Pode ser de algum modo considerado Bálsamus Nuciaste natural, e empregada como o mesmo. A preparação pelo indígena é evidenciada pelo modo grosseiro de acondicionamento, em cilindros ocos de gramíneas arboriformes.
A Radix Contrayerva aqui apresentada é a mais frequente espécie da Bahia. Origina-se da Dorstenia brasiliensis e daquela planta, que vulgarizei sob o nome de Doratenia opifera. As raízes de ultima são mais feculentas, porém menos aromáticas que as da D. Brasiliensis e são, de resto, empregadas do mesmo modo que aquelas.
O Brasil não se pode ufanar, com efeito de possuir uma casca de quina que possa cotejar com as melhores espécies peruanas, no entanto pertencem aos excelentes febrífugos varias drogas, que conhecemos como cascas de quina brasileiras. Esta, que tenho a honra de aqui em primeiro lugar apresentar, é a genuína quina do Rio de Janeiro, atribuída erroneamente pelo médico e literato de mérito Manoel Joaquim Henríquez de Paiva na Bahia, e por outros médicos brasileiros, á Coutarea speciosa  Aubl. Porém identificada como Buena Hexandra recentemente pelo meu amigo Dr. Pohl em Viena. Esta árvore cresce, frequentemente, nas selvas ao longo da cordilheira litoral entre o Rio de Janeiro e a Bahia, e de preferência em certa altitude de mil a mil e duzentos pés acima do nível do mar. Sua casca nos vem em pedaços grandes, grossos e enrolados, tem considerável peso específico e se distingue das espécies peruanas de quina, externamente pela grossura, pela superfície desigual e fendida, provida de epiderme acinzentada ou branca amarelada, e ainda interiormente pela coloração castanha mais escura.

Bibliografia: Revista da Flora Medicinal – 1939. 

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Carás IV


Cará Barbado os nossos indígenas cultivavam este cará que é uma das espécies mais difundidas. A forma é variável arredondada ou alongada, com ou sem tubérculos, mas o que é característico são as pequenas raízes que recobrem o cará como uma espessa barba- de onde lhe vem o nome. De tamanho variado, o seu peso é de 250grs a 1 1/2kg. O interior é branco pouco viscoso como os tubérculos aéreos da espécie precedente. Bem preparado, é de sabor delicado, muito agradável.
Cará Barbado
Não requer terra boa, apenas é preciso que seja seca e fofa; assim não dá nas baixadas e estraga facilmente com as chuvas prolongadas. Por isso é conveniente escolher terra da encosta dos morros, onde a água não permanece.
Planta-se como todas as outras qualidades de cará nos meses de Agosto a Outubro e colhe-se em maio, junho e julho. Depois de capinado, fazem-se montículos de 50 a 70 cm de diâmetro e de regular altura; aí se plantam 3 a 4 olhos. Por espírito de economia mal entendida, generalizou-se o uso de reservar para o plantio justamente os carás menores que dão menos lucros no mercado. Mas estes tubérculos mal desenvolvidos também não podem produzir plantas tão viçosas como os carás grandes, de maior vitalidade. Uma experiência foi realizada neste sentido pelo Dr Peckolt juntamente com um cultivador de Catagallo. Em uma roça plantaram carás miúdos segundo o uso dos cultivadores: o resultado foi não se colher senão carás pequenos, os maiores dos quais pesavam 280grs. Em outro talhão plantaram tubérculos escolhidos de 1.400 a 1.500 grs; aí colheram carás quase todos com 1/2kg e 1 1/2kg de peso e alguns exemplares atingiram mesmo 1.800grs. A proporção da colheita foi de 1 para 10 com tubérculos pequenos e de 1 para com carás escolhidos.
O cará barbado guarda-se bem por muito tempo; depois de deixar se carà sombra, colocam-se os carás em lugar seco e arejado, tendo o cuidado de revistar de vez em quando para separar os tubérculos grelados, os quais contaminam os outros; assim guardam-se bem durante nove meses.
Carátinga (branco) Espécie indígena das nossas matas que dá bem no clima do café; em regiões mais frias ele é substituído pelo cará tinga bravo (Dr. Sinuata).
É forma dioica, sendo que a planta feminina produz tubérculos muito maiores que a masculina. Espécimes de 16 cm de comprimento por oito cm de diâmetro pesam 560grs. A casca é amarelada com pequenos tubérculos e pouca barba.
O interior é branco muito viscoso.
Gosta de terra seca, fofa com um pouco de sombra; por isto planta-se ao pé de árvores pelas quais possa subir a ramagem. Em setembro colocam-se os gomos grelados nos montículos e quando a semente ainda está mais ou menos verde em junho, quando a florada foi em janeiro o cará está maduro e em tempo de ser desenterrado. Guardando os tubérculos como já foi dito para as outras espécies, eles se conservam durante o espaço de um ano; pode-se ainda passá-los por um fogo brando ou só pela fumaça, o que além de conservar melhor ainda torna o sabor mais delicado


Bibliografia: Almanaque Agrícola Brasileiro para 1923

domingo, 24 de junho de 2012

Carás do Brasil


Cará pé de anta
 Esta é apenas uma variante  do Cará da Guiné, por isso assemelha-se muito a Cará da Guiné, mas distingue-se do da Guiné por ter ramagem de cor verde mais clara. As batatas é que são muito maiores, devido talvez ser a fórma mais cultivada: pesando em média 4 a 5 kg nõ raro atingem 10 kg de peso. Planta-se em agosto e eleva um ano para se desenvolver totalmente, de modo que se vai colher em agosto ou setembro do ano seguinte. Bem guardada conserva-se no máximo meio ano.
Também é espécie importada, talvez já pelos holandeses no Pernambuco.
Cará inhame
Cará Inhame (Dioscorea alata, Linn) é um cará de forma oval alongada, do comprimento de um palmo com quase metade da grossura. O peso varia de 2 a 5kg. O interior é branco puro; cortado faz brotar um líquido viscoso que logo toma uma cor bruna, tal qual como inhame (Calocasia antiquorum) e daí o seu nome.
Requer terra boa e só dá bem em clima quente: planta-se do mesmo modo como a espécie precedente, em agosto, podendo ser colhida em junho, 10 meses.Como todas as espécies de cará, não deve ser desenterrada com tempo de chuva. Conserva-se menos tempo, isto é 5 a 6 meses. Por não ser dos caras mais saborosos, é empregado mais para fazer “pão de cará”: ralado e misturado com farinha de milho.
Cará amarelo (Dioscorea batatas, Deca) originário da Índia é muito cultivado no Japão, foi importado para o Brasil vindo das Antilhas. É espécie muito espalhada que não se conseguiu aclimatar na Europa . As batatas são um pouco achatadas nos lados, com as quilhas arredondadas, tendo aí ligeiros entalhes como que como que indicando seguimentos; as barbadinhas são escassas e curtas. O interior é amarelo claro, viscoso; ao secar bem como cosinhado perdem essa cor. Regulam pesar 800 a 900grs. Conquanto seja muito saboroso, este cará é pouco cultivado, porque temos outras espécies mais produtivas. Acultura é a mesma que a mesma que a do cará barbado.
Bibliografia: Alamanaque Agrícola Brasileiro – 1923 – pág 237 e 238.