quinta-feira, 17 de março de 2016

A História dos usos da Digitalis

A História dos usos da Digitális
Digitalis
Por toda a Europa ocidental os botânicos conheciam muito bem uma planta de porte ereto e flores em forma de campainha, hoje chamada de digitális. Muitos nomes teve ela antes do atual. Na Inglaterra medieval era a “floxes’ glew” ou “foxes’music”. Os escoceses tratavam-na de “dedos santos” ou “campainha de defunto”. E para os noruegueses era a “campainha da raposa”. Na França, “Luva de Nossa Senhora” ou “Dedos da Virgem”. Para os alemães “Capuz de dedo” ou “Dedaleira”, e com esta ideia na cabeça os botanicos latinizantes deram-lhe o nome de digitalis, vindo de digitus, dedo. Um destes botânicos, o bávaro Leonhard Fuchs, que viveu há 400 anos, fez mais que descrever a planta nas suas folhas, flores, caule, raízes, sementes e habitat. Convencido de seu valor medicinal, também lhe indicou os usos na pratica medica; era ótima para combater a hidropsia, para reduzir a inchação do fígado e ainda para atender ás “suspensões” das mulheres.
Mas esse arguto observador era tido apenas como um “florista” e, embora conhecesse bastante de medicina, os médicos do tempo nunca lhe deram atenção. Também não davam atenção a outros proclamadores de eficiência da “campainha de defunto” na redução da “barriga d’água” , homens como Gerrarde, que a usavam como emético, ou o holandês Dodoens, o qual  escreveu que “para os que tem água na barriga, ela põe fora o líquido, purifica o fluido colérico e desfaz a obstrução.
Os cientistas da botânica admiravam-se da diferença dos médicos por aquilo. O uso da digitalis já estava espalhadíssimo no povo inculto, tanto na Inglaterra como no continente. Essa gente nada sabia de medicina, mas sabia preparar cozimento de digitalis para os hidrópicos. Os médicos, porém continuam em branca nuvem.
Assim repelida durante séculos, a digitális afinal quebrou todas as barreiras e penetrou na fortaleza medica. Em 1722 foi admitida na grande farmacopeia de Londres, que é o “Who’s Who” das drogas aceitas na medicina; alguns anos mais tarde estava também nas farmacopeias de Edinburgo, de Paris e de Wurtemberg. A razão desse passo decorreu sobre tudo do brilhante testemunho do herbalista inglês William Salmon.
“A luva – de – Raposa”, descreveu o eminente cientista, “é quente e seca pelo menos no Segundo Grau, e é sulfurosa e Salina, Aperitiva, Abstersiva, Adstringente, Digestiva e Vulnerária, Peitoral, Hepática e ArtríticaEméticaCatártica e Analática...”Cura a tisica, mas tem que ser usada com muita cautela porque produz Fraqueza, induz a Vomitos e Purgas;


Bibliografia: Mágica em Garrafas, A história dos Grandes Medicamentos – Milton Silverman – tradução de Monteiro Lobato – Cia Editora Nacional 1943

Nenhum comentário:

Postar um comentário