domingo, 1 de abril de 2018

Canela sassafrás é antiartrítico natural


Ocotea odorífera, já foi chamada cientificamente de Mespilodaphne sassafrás, Meissn. Seu nome popular mais comum é Canela sassafrás, também conhecida como Canela funcho, Sassafrás, Louro sassafrás.

Era uma árvore muito comum na paisagem urbana do Rio de Janeiro no século XIX. Bonita sempre viçosa, verdejante, de ramos eretos, folhas coriáceas em tom verde escuro luzidia na face superior e verde claro na inferior.
Inflorescência em racimos, de flores hermafroditas, de cor branca e muito cheirosa. O fruto é uma baga um pouco carnosa, do tamanho de uma azeitona oval, de cor amarela avermelhada, lustrosa quando madura, imersa até o meio em uma cupola, dura, um tanto lenhosa e de cor verde escura,.
Toda a planta é aromática, sendo as folhas, em pequena proporção. É um excitante aromático e antiartritico.
As flores também são aromáticas e fornecem pela destilação um óleo essencial de cor esverdeada, de aroma particular lembrando a flor de laranjeira e jasmim, de sabor acre.
O óleo essencial das flores e das folhas poderiam servir com grandes vantagens na confecção de perfumarias e bem mereciam fazer parte da terapêutica brasileira por causa de suas propriedades medicinais apregoada pelo povo.
Normalmente é usada em fricções nas nevralgias e nas dores reumáticas; é tido como excelente inseticida.
O cozimento das raspas da madeira é considerado ótimo depurativo.
A casca da raiz é aromática e contem bastante óleo essencial; é usada em cozimento de 100 grs para um litro de coadura, na dose de alguns cálices por dia para combater o reumatismo.
Tanto as cascas da árvore como as da raiz são consideradas sudorificas e diuréticas.
A madeira é considerada de inferior qualidade e pouco usada na construção civil. Sua cor é amarela raiada de veios escuros, porosa.
Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).



domingo, 25 de março de 2018

A Jalapa do Mato é purgativa de uso antigo


Mirabilis Jalapa, L. é o nome científico de Maravilha, Jalapa comprida, Boa noite, Bonina, Purga de nabiça.
Mirabilis jalapa, L.
É uma planta de caule tetrágono nodoso articulado, forquilhoso-ramoso, delgado, peluginoso, com folhas opostas, ovais cortiformes, agudas e lisas, de inflorescência terminal, com as flores reunidas de 3 a 6, as vezes solitárias. As flores são de coloração variável ora vermelho vivo, amarelo claro, escuro ou branco, ou levemente rosado, inodoras.
O fruto é uma caryopse de forma elíptica, um tanto anguloso, preto, rugoso e engrossado na base.
Habita quase todos os estados do Brasil, principalmente Bahia, Espirito santo e Rio de Janeiro.
Sua raiz é espessa, fusiforme, carnuda e suculenta é usada como medicamento drástico brando e quando seca é conhecida na Europa como falsa Jalapa. Esta raiz contem uma resina mole purgativa usada entre 1 a 2 grs.
Nos estados do Norte usa-se o polvilho da raiz como laxativo para as crianças e segundo Manso é da raiz desta planta que se obtém o produto denominado Resina de Batata. Segundo Von Martius Resina de Batata se obtém de Operculina das Convulaceas.

Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).

domingo, 18 de março de 2018

O afrodisíaco mais poderoso da Flora Brasileira.


Lophophytum mirabili, Schott e Endl, é planta parasita que vegeta sobre as raízes das árvores, em lugar sombrio e um tanto úmido, de preferencia sobre as raízes das
leguminosas. De seu rizoma hipógeo saem os espiques florais oblongos, cônicos, de 10-17 centímetros de altura sobre 4 a 8cm de grossura, cobertos quando novos de escamas pardacentas e depois de flores monoicas afila, assemelhando-se a uma longa espiga de milho privada da palha, tendo na parte inferior as flores femininas reunidas em capítulos globosos, de 4-6mm de diâmetro, de cor amarelo-clara, levemente pardacenta sobre o centro; o fruto e um cariopse.
Os rizomas tuberosos atingem desde o tamanho de uma laranja até o de uma melancia sendo este último mais raro. São de conformação irregular, em geral oblonga, arredondada, achatados de um lado, de cor parda e cobertos de numerosas excrescências verrugosas; a sua casca tem 4-5 cm de grossura.
A parte interna deste rizoma é carnosa, de cor pardacenta listada de vermelho; o seu sabor é desagradável, adstringente, o seu aroma é sui generis.
Habita quase todos os Estados do Brasil com especialidade os de bioma de Mata Atlântica.
Os índios consideram esta planta milagrosa e dizem que, quem como os capítulos florais, a parte inferior da haste sem ser visto por outra pessoa, é sempre querido das donzelas, e os que comem a parte superior da haste, são felizes na caça e tornam-se vitoriosos na guerra.
O cozimento da haste floral é considerado afrodisíaco; os curandeiros usam o cozimento da haste e da raiz tuberosa em banhos nas orquites.
A raiz tuberosa, seca e reduzida a pó, é usada na dose de 2-4 grs contra a epilepsia, para ser tomada na  lua minguante e a noite ao deitar, de 3 em 3 dias, duas vezes ao dia.
Na icterícia emprega-se o pó na dose de 50grs, três vezes ao dia.

Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).

quinta-feira, 8 de março de 2018

O Jaborandi era usado como afrodisíaco no passado.

Jaborandi do Rio

Muitas são as plantas conhecidas pelo nome de Jaborandi. A maioria destes vegetais pertence a família das Piperaceas, outros a das Rutaceas e, segundo autores, também a das Scrophularias.
O Jaborandi do rio é um arbusco de 3-4 metros de altura de ramos verrugosos, grabras, membranáceas, coriáceas e pontuadas ou agudas, na base muito desiguais, arredondadas.  O arbusto é alto, mas o caule, ainda que grosso, as vezes é tão débil que se apoia sobre outros como se fosse um arbusto trepador, geniculado junto aos ramos que rebentam para o vértice, é roliço e glabro.
A raiz é muito usada em infusão de 45 grs em ½ l de água fervendo, como sudorifico, aos cálices, e como afrodisíaco; em tintura como estimulante na paralisia, internamente na dose de 8 a 20 gotas e externamente em fricção.
As folhas tem aroma devido ao óleo essencial de cor verde clara, de sabor ligeiramente picante, cujo aroma s assemelha um pouco \o da hortelã-pimenta, são empregadas em infusão como sudorificas e afrodisíacas; as raízes e bem assim as folhas são usadas em gargarejos contra as dores de dentes, empregando-se também para este fim os talos novos da planta e os amentilhos que são mascados na ocasião.
O principio ativo conhecido da planta no século XIX era a piperina. Seu produto é o aroma muito usado na perfumaria.
Não existia o estudo fisiológico do extrato da piperiona. Entre 10 e 20 grãos produzia uma sensação de ardor na faringe, no estomago e no reto, bem como vermelhidão nos olhos em torno do nariz e lábios. Era usada em frebre intermitente de efeito mais brando.
Das folhas de Jaborandi se extraia um alcaloide que denominaram Arthantina.

Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).

quinta-feira, 1 de março de 2018

Carapiá, um rizoma santo remédio que liga ossos


Dorstenia brasiliensis, Lam ; Dorstenia fícus, Velloso, Dorstenia cyperus, Velloso. Sinomia vulgar: Trapiá da mata, Lila-liga, liga osso, Serpentária do Brasil, Caapiá, Contra erva, Cayaapiá, Capa homem, Capiá, Contra erva de folha comprida.
Dorstenia brasiliensis, Lam.
O caule é muito curto, rasteiro, e muitas vezes conserva-se em baixo do solo, a semelhança de um rizoma; é um pouco carnoso, estipulado, tendo as folhas longamente pecioladas, de diversas conformações, cortados ovais, oblongas, obtusas, crenuladas de cor verde escura, luzidias na face superior e de cor mais pálida na inferior e muito ásperas.
A inflorescência num receptáculo carnoso em forma de A, elíptico; as raízes são muito finas e partem de um caule subterrâneo, escamoso.
Esta planta é a mais comum no gênero encontrada em toda a Mata Atlantica.
O caule de Carapíá é empregado vulgarmente em uma infinidade de moléstias, tais como na atonia do canal digestivo, nas afecções gangrenosas, nas febres tifoides, na clorose, nas diarreias crônicas, nas disenterias, nas febres intermitentes e como emenagoga. Em doses elevadas é vomitiva.
Os sertanejos apregoam este vegetal como o melhor antidoto de veneno das cobras; rizoma bem contuso com água é dado para beber ao mordido, aplicando o bagaço do rizoma sobre a ferida.
Os índios usam este vegetal para curativo das feridas produzidas pelas flechas envenenadas. Os índios estão tão seguros das virtudes medicamentosas deste vegetal que dizem ser infalível.
A infusão preparada com 10 partes dos rizomas contusos para 100ml de água fervente, é usada diariamente em xícaras, principalmente para combater as febres. Externamente é empregada em banhos nas orquites; o pó do rizoma é aconselhado como tônico e antifebril na dose de 0,50 a 4grs por dia.
A tintura é feita com 1 parte do caule para 5 de álcool, é usado na fricções no reumatismo.
A infusão de 30grs do caule para 240ml de água fervendo é usada na dose de um cálice de hora em hora contra a supressão da mestruação.
A raiz fresca contusa com azeite até formar uma pasta homogênea é empregada pelo povo como um emplastro para acelerar a consolidação dos ossos nas fraturas. Por isso o nome de liga-liga ou liga-ossos.

Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Conta de cobra é medicamento contra a mordedura de cobra

Dorstenia brasiliensis, Klotzsech
É uma planta suberbacea de caule radicante, ascendente, glabro, com as folhas ovais ou lanceoladas-oblongas, pontudas, denteadas-repandidas, membranáceas, ásperas, de cor verde escuro na face superior e mais claro na inferior, de 16-27cm de comprimento sobre 5-10 de largura, tendo os pecíolos semi-roliços, triangulares, lisos e de 11-22cm de comprimento. As folhas ficam muito próximas do solo e as vezes deitadas sobre ele.
Habita os estados do Rio Grande do Sul, da Bahia, de Pernambuco, de Minas e de São Paulo.
A parte da planta empregada é o caule ou o rizoma que é oval, de 2-8cm de comprimento sobre 1mm, de diâmetro, de cor pardacenta avermelhada na face externa e amarelada na interna, de sabor levemente amargo, picante e acre e de aroma particular, fraco um tanto agradável, assemelhando-se um pouco ao da canfora e do eucalipto.
Este rizoma é usado como emético, diaforético e estimulante, particularmente na clorose e na leucorréias; dizem que é um verdadeiro específico contra a mordedura das cobras. Como estimulante empregam a infusão dos rizomas na proporção de 30grs para 180grs de liquido, que é usado na dose de 1 colher todas as horas.
O gênero Dorstenia foi instituído por Plumier, em homenagem ao botânico Dorsten.
Drackena deriva-se do nome do celebre navegante Drake, que trouxe de uma das viagens ao Peru, no meado do século XVI, uma raiz considerada como a verdadeira contra erva e que depois se reconheceu ser a Dorstenia Houstonii, que Lineu. Mais tarde Marggraff e Pison verificaram que esta denominação vulgar cabia a uma planta brasileira do gênero Dorstenia e não aquela.

Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Yagê, Caapi e Ayahuasca planta da clarividência da flora sul Americana

O primeiro botânico que estudou o Yagê, foi o explorador inglês Spruce, que colhendo material completo desta planta em 1853, na fronteira noroeste do Brasil, na região Uaupés, enviou exemplares a diversos herbários europeus.
Apesar do habitat natural desta espécie se achar no alto Amazonas, nas regiões fronteiriças entre a Colômbia e Venezuela o Jardim Botânico do Rio de Janeiro possui alguns exemplares perfeitamente aclimatados, introduzidos pelo Dr. Ducke.
Cipó Mariri
Os alcalóides contidos na planta são Yageína e Yagenina.
Uma planta do Amazonas tem um alcalóide capaz de produzir efeitos surpreendentes sobre o sistema nervoso central. O uso de entorpecente é tão velho quanto à humanidade.
Helena de Troia fazia servir, então, uma bebida cujo fim era; dissipar as tristezas, acalmar a cólera suavizar as aflições, fazer esquecer os males.
Plínio aceitava a possibilidade da adição da dormideira do Egito, a bebida distribuída pela esposa e Menelau.
Na dinastia dos Incas se encontram referências aos bebedores de Yagê.
Mama Ocllo era a deusa que oficiava nos ritos sagrados dos Incas nos quais o Yagê representava um papel importante, e cujo uso só era permitido aos padres oficiantes e aos velhos. Eles conheciam os efeitos de clarividência e de telepatia da planta.
Os conquistadores espanhóis, e especialmente o clérigo Valverde conheceram as mágicas virtudes dos que tomavam aquele soporífero, hipnótico.
O princípio ativo do Yagê isolado na Colombia recebeu o nome de Telepatina.
Em 1925, Barriga Villaba, da Universidade de Bogotá, retoma as investigações anteriores e isola dois alcalóides, dando-lhes os nomes de Yageina e Yagenina, cuja proporção na planta é de 1,5% para o primeiro e de 0,025% para o segundo. A Yagenina foi considerada a princípio, pelo próprio descobridor como uma goma resina especial, ou uma base não alcaloídica.
Gastão Cruz fala dos efeitos alucinatórios do Caapi.
Oscar Guanabarino, influenciado pelas lituras sobre a propriedade de televisão atribuída a planta, escreveu uma comédia intitulada o Yagê.
Diário de Viagem do missionário Giordano Bruno ao Rio Negro
¨O Caapi é uma cocção da casca da planta trepadeira também denominada Caapi, com o acréscimo de casca de outra planta trepadeira e de uma pequena dose de fumo. É curioso o efeito dessa bebida. Ela não embriaga, mas excita terrivelmente o sistema nervoso e a imaginação, de modo a dar a ilusão visionária das coisas mais extravagante, répteis, pássaros, espelhos e estrelas.
O Caapi é uma bebida destinada aos dias de festas; enquanto que o Yagê só pode ser usado pelos chefes de tribos (pagés), possuidores de poderes divinatórios; e são esses poderes que lhes garantem o domínio sobre a tribo. Só é permitido ingerir o Yagê os chefes e sacerdotes.
As doses elevadas de Yagê são usadas por ocasião de cerimônias rituais e nas praticas da magia religiosa. Pra este fim empregam o caule e algumas folhas; em decocto muito concentrado e reforçado com outras plantas de atividade fisiológica perigosa.
As jovens índias são incumbidas de procurar na floresta o cipó precioso, o Caapi. O vegetal é triturado com pedras e colocado num cocho de madeira. Junta-se água, ficando em fermentação até o dia da festa, quando deve aparecer o Capiriculi, considerando Deus, do qual julgam os Tarianos seus descendentes diretos. Diz o Deus dos Capiriculi "Vocês deverão fazer festa uma vez em cada tempo frio, e nela dançarão o ropotoce, sapateado, tomando bastante Caapi, porque, ele representa o meu sangue e torna o Tariano mais ativo, mais ligeiro, mais apto a sustentar as lutas contra os inimigos”.
Os índios enfeitados bebiam o Caapi em pequenas cuias distribuídas pelas donzelas da tribo; e as danças se prolongaram até o dia seguinte entoando a canção Caapi.
O vaso contendo Caapi deve ser portado por um homem, pois nenhuma mulher pode provar aquela bebida.
O Índio após beber o Caapi fica pálido como um morto; seu corpo é todo agitado por um tremor violento. Seu aspecto é de causar horror uma fúria invencível. Se não o contiverem toma a primeira arma que encontra, e sai brandindo-a. No fim de 10 minutos desaparece a excitação, e o silvícola torna-se calmo, dando a impressão de esgotado. Caixiri é cerveja de mandioca. Vinho de palmeira.
Ao ingerir duas pequenas cabaças de Yagê, depois de algum tempo percebia fagulhas de um colorido vivo, acontecendo isso especialmente quando no escuro; e ao escrever via sobre o papel labaredas róseas. Mas, a dose por ele tomada não era comparável àquela que os indígenas bebiam comumente.
O Yagê é a planta telepática do sonho azul, é planta dos profetas.         .
O Yagê é planta ingerida pelos curandeiros, pelos adivinhos quando chamados para decidir contendas, descobrir planos dos inimigos, aproximação de estrangeiros, apontar quem enfeitiçou um homem doente e denuncia cônjuges infiéis.
Era droga usada no tratamento da epilepsia e outras doenças nervosas.
Indicação em insuficiência cerebral, depressão nervosa, perda de memória, da vontade, apatia, fobias tiques. Específico da fadiga, do esgotamento e das neurastenias.


Bibliografia: Revista da Associação Brasileira de Farmacêuticos – Setembro de 1936 – Oswaldo de A. Costa e Luiz Faria – Laboratório Bromatológico.