domingo, 13 de agosto de 2017

Cará e inhame são alimentos antigos na culinária nacional.

Muito consumido no Norte e Nordeste do Brasil, o cará apresenta tamanho médio para grande, lembra muito a batata inglesa, tem casca lisa e interior branco. Já o inhame é pequeno e redondo, possui casca com mini raízes que lembram pelos, os quais formam linhas, e seu interior fica entre o cinza e o bege depois de cozido. 
Dioscorea bulbifera
No século XIX os caras foram estudados por Gustavo e Theodoro Peckolt e publicados suas histórias no livro História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil. Neste livro a Dioscorea bulbifera, Linn, Conhecida popularmente como batata de rama, Cará sapateiro, cará de espinhos, cará do ar ou cará de São Tomé.
Esta espécie é oriunda da Índia Oriental, mas foi introduzida no Brasil pelo holandeses que a trouxeram da ilha de São Tomé, tendo se vulgarizado de tal forma que pode ser considerada planta nativa.
Dioscorea aculeata
Eram usadas cozidas no preparo de diversos alimentos. Suco de cará cru é diurético em enérgico. Ralando as batas se faz cataplasma para resolver furúnculos.
Dioscorea aculeata, Linn vulgarmente conhecido como inhame da costa ou cará da Guiné é planta originaria da Índia, sua verdadeira pátria. Porém vegeta naturalmente na Oceania.
Cará roxo, Dioscorea purpúrea, Roxb . Planta introduzida no Brasil pelo Conde de Nova Friburgo. Hoje muito consumida na Amazônia.

 Dioscorea purpúrea
Em termos nutricionais, Tanto os caras como os inhames são consideradas bastante calóricas, possuem grande quantidade de vitaminas do complexo B, principalmente B5 (Niacina) e B1 (Tiamina), estimulando o apetite e auxiliando no processo digestivo. São ricos ainda em fibras solúveis, cálcio, ferro e potássio. O seu consumo é indicado também para pessoas que sofrem de gastrite e úlceras, por ser um alimento de fácil digestão e absorção. Só é preciso tomar cuidado com o seu consumo, pois 100 gramas do produto trazem cerca de 78 kcal. 

domingo, 6 de agosto de 2017

O Coco de Dendê é perfeitamente adaptado no Brasil

Esta palmeira é considerada oriunda da África tropical, e conforme Von Martius, não existem dados positivos sobre a sua introdução no Brasil, mas é quase certo que foram os escravos que introduziram o cultivo e adaptação da planta

O Dr. O. Drude considerada o Dendê indígena das regiões tropicais e equatoriais da América do Sul e crê que os seus frutos fossem levados desde épocas remotas, pela correnteza do mar ou por outro qualquer meio, para a Costa da Guiné onde, achando clima e tempo apropriados, se desenvolveu em toda a sua plenitude, não tendo sido até hoje encontrado propriamente em estado selvagem na região africana, mas somente cultivado nos lugares habitados.
Este sábio botânico é também de opinião que no Brasil deve existir uma ou mais espécies do gênero Elvis que mais se aproxime do Coco de Dendê, a não ser o Elais melanococa.
O coqueiro de dendê é cultivado em quase todos os estados tropicais do país.
O Coqueiro de dendê cresce muito lentamente e para o seu caule alcançar de 8 a 10m de altura são precisos uns 25 anos mais ou menos.
O seu caule trás na base as folhas, tendo em parte o pecíolo da mesmo ereto; é coroado na parte superior por 10-20 folhas de quase quatro metros de comprimento com os pecíolos armados de espinhos.
A inflorescência parte do meio das folhas em espádices ramosas as vezes em numero de 8, tendo as flores masculinas e as femininas separadas em 2 regimes diferentes, sendo cada um deles protegidos pro uma dupla espata; o cálice e a corola tem 3 divisões, as estaminas são em número de 6 e o ovário tem 3 lojas, achando-se duas obliteradas.
Por vários séculos o óleo de dendê foi falsificado, porque custava muito caro e havia grande falta de óleo no país; apesar da culinária africana e brasileira usar cada vez mais o óleo para o preparo de muitas iguarias. Hoje já temos produção nacional.
O óleo de dendê , recentemente fundido e introduzido em recipiente para conservação e cheio completamente, e depois fechados hermeticamente, conserva-se por tempo indefinido, não perdendo a cor amarelada, nem o seu aroma, e nem as outras propriedades, mas  ao ficar em contato com pequena quantidade de ar, altera-se descorando, rancificando pouco a pouco.
Essa transformação dá lugar à produção de uma certa quantidade de glicerina que segundo Pelouse e Boudet, diminui a proporção que o óleo torna-se mais rançoso, visto a glicerina se decompor e formar acido sebáceo.
Na medicina popular o azeite de dendê é usado para fricção, contra o reumatismo e também contra doenças de pele.

Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).



domingo, 30 de julho de 2017

Araucária no século XIX

É uma árvore colossal, magnifica, sempre verde, piramidal, com cerca de 50 metros de altura e seis de circunferência. Brota circularmente do tronco; folhas escamosas e ásperas, imbricadas; flores variadas no extremo dos ramos, reunidas em cachos de forma cônica, composta de escamas, sendo as masculinas colocadas verde exterior do fruto; as

sementes envoltas em cada as nas axilas das escamas; as femininas de forma oval, o fruto  com 15cm pouco mais ou menos, superfície escamosa que envolvem a semente, que são de forma cônica alongada, alojada em eixo comum, cujo ápice é voltado para fora formado a parte verde exterior do fruto; as sementes envoltas em cada escama da pinha, a proporção que se concentram, tomam uma cor avermelhada no ápice, mesclada  de manchas escuras; cada uma delas compõe-se de um tegumento duro e coriáceo difícil de romper; segue-se depois uma membrana delgada, avermelhada que envolve uma amêndoa branca oleosa, leitosa antes de madura.


O vegetal floresce no mês de agosto, levando de 10 a 11 meses para o completo desenvolvimento dos frutos.
No século XIX encontrava-se em estado selvagem por quase todo o Brasil, principalmente em regiões originalmente de Mata Atlântica. Em São Paulo e no Paraná havia matas extensas de Araucárias.  
É planta cultivada nos jardins como planta de adorno. As sementes denominada pinhão, privadas da parte coriácea, cruas ou cozidas, são usadas como alimento para o homem e animais. As amêndoas secas ao calor, e reduzidas a pó, fornecem uma farinha nutritiva de fácil conservação; torrada e misturadas completa e açúcar, dão uma bebida semelhante ao chocolate.
O óleo gorduroso é incolor transparente, sem cheiro, de consistência igual ao de rícino, de sabor desagradável empregado como purgativo.

O caule da árvore deixa exurtar um líquido aromático que, ao contato do ar, no fim de algum tempo, se endurece, sendo conhecido pelo nome de resina de pinheiro; a qual é usada internamente em xarope como peitoral; raras vezes externamente.
Esta goma resina, seca e exposta ao calor do fogo em vaso apropriado, amolece sem se fundir e sobre um forte calor arde com chama fuliginosa, espalhando aroma um pouco semelhante ao incenso.
A madeira do pinheiro é usada para construção civil e naval, podendo-se distinguir três variedades; branca, parda e vermelha, o que depende certamente do terreno e localidade onde cresce o vegetal.

Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil` (1888-1914).

Para saber mais: http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/iah/pt/verbetes/peckteo.htm

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O uso do óleo de caju na hanseníase

Hanseníase ou lepra é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae ou bacilo de Hansen, que se inicia, após uma incubação muito lenta, por pequenas manchas despigmentadas onde a pele é insensível e não transpira, e evolui para a forma tuberculosa (a mais comum), lepromatosa ou ainda intermediária; lepra.
Desde 1943 médicos cearenses começaram a experimentar o óleo de caju na Colônia de Maracanaú, Colônia Antônio Justa. A entrevistado Dr. Joaquim J
uarez Furtado.
- Quais as propriedades farmacêuticas do óleo de cajú?
- As experiências feitas em humanos revelaram que o óleo é um tônico que melhora o estado geral sem nenhuma inconveniência de intolerância. É eficaz em corrigir as metaplasias, principalmente as causas pelo basilos de Hansen nos fenômenos de oxidação e redução que se processam, normalmente, no sangue do homem.
- Antes de fazer, com o óleo de caju, as preparações que o Dr, Manoel Odorico de Morais, já fazia na Colônia Antônio Justa o senhor já conhecia os efeitos do óleo de caju?
- Sim devido aos índices físicos e nos ditos químicos revelados pela análises que efetuamos em amostras de óleo que nos forneceu o Sr Carlos Moreira. As prorpiedads químicas devem-se as condições em que se encontram, na molécula, dispostos os átomos que muitos chamamos de grupamentos funcionais por isto não são, de efeitp, pois são de propriedades químicas comuns a uma dada família de compostos.
Quando o poder oxidante ou o dito redutor de um dado composto é muito enérgico o corpo poderá, se introduzido num organismo vivo, perturbar o biofísico desse organismo. Se assim, o corpo deverá ser reputado, por isso tóxico. A toxidez, as propriedades farmacêuticas ou alimentícias de uma substância, depende da maneira como a substância age no organismo. A atuação dessa substância dentro do organismo será fatalmente, função de estrutura química da substância em referência. Depois da análise do óleo de caju, examinamos os índices físicos e químicos; pois eles são indicadores da estrutura dos componentes do óleo; o óleo de caju não é tóxico porque nele não se encontra nenhum grupamento toxico.  Após a conclusão inicial, fizemos as seguintes ponderações: o óleo de caju assemelha-se aos óleos animai porque no insaponificável dele, se acham os esteróis que tem extrema, nímia parecença com os do insaponificável dos óleos dos animais, por isso que o índice de Bolton Williams (índice de iodo e o insaponificável) indica a presença dos mesmos radicais encontrados no insaponificável dos óleos animais.
Apesar de negativas a reação de Carr Price, resolvemos fazer experimentações fisiológicas em animais e estas revelaram primeiro ( em coelhos e cobaias), que o óleo é inocente e, sobre ser inocente, é tônico; segundo ( em ratos) que o óleo corrige as metaplasias que ocorrem nos ratos ( especialmente as que se processam nos olhos). Observamos, que depois de injetarmos seis centímetros cúbicos do óleo em questão, em ratos com menos de cinquenta gramas e com vinte e poucos dias de nascidos, todos os sintomas de avitaminose A por nós provocada e traduzida nos olhos, por Keratomalacia e fotofobia desapareceram. Bem ponderado, o bacilo de Hansen produz, por seu alto poder oxidante, destruição parcial das vitaminas e, por último, da vitamina A tanto assim, que as metaplasias que se observam nos organismos dos leprosos se assemelham às ditas devidas à avitaminose A. Feitas estas ponderações, passamos a estudar o assunto com toda atenção. Depois de fazer uma preparação capaz de ser injetada, solicitamos o auxílio do preparador técnico do laboratório Eduardo Bezerra.
O Dr Odorico aceitou experimentar o nosso preparado em leprosos da colônia Antônio Justa. Um dos pacientes escolhido para experimentar o preparado foi uma mulher, forma lepromatosa avançada encontrava-se com intensa fotofobia, processo de keratite e dito de irite; outro homem, forma mista, portador de nevrite intensa e com as matrizes das unhas quase que inteiramente destruídas. Depois do uso de óleo de caju a fotofobia da mulher melhorou a ponto de permitir a saída doente do seu quarto o que havia muito tempo não acontecia; a irite estava também muito melhorada. No homem verificou, após tratamento a reconstituição lenta mas segura da matriz das unhas.

Bibliografia: Revista brasileira de Farmácia – fevereiro de 1945.

Para saber mais: http://www.cnpa.embrapa.br/produtos/algodao/publicacoes/trabalhos_cba4/065.pdf

domingo, 16 de julho de 2017

Início da Farmacognosia Brasileira

Farmacognosia foi um termo criado por Seydler em 1815, para designar uma nova ciência e sistematizar melhor o estudo dos medicamentos. Para expressar melhor sua nova forma de trabalho o autor publicou em 1832 um livro intitulado “Grundriss der Pharmakognisie de Pflanzenreich”. A palavra grega Pharmakon, significa substância medicinal, planta curativa ou veneno e Gnosis, conhecimento, assim esta palavra passou a ser usado por Guibourt, professor da Faculdade de farmácia de Paris para designar uma disciplina do curso de Farmácia, que deveria estudar os remédios a partir das drogas simples.

Antes dele no entanto, o químico alemão Theodoro Martius, já havia usado a mesma palavra para designar o estudo do princípios ativos das plantas que resultavam em remédio. Isto acontecia na Europa do começo do século XIX onde o desenvolvimento dos remédios e dos estudos de farmácia progredia vertiginosamente entre a Franca e a Alemanha.
A farmácia na Europa deste começo do século XIX era uma ciência natural que tratava do conhecimento, preparação, valorização, estabelecia preço de mercado, e conservação do medicamento.
Nestes primeiros anos desta nova ciência, farmacognosia, buscava-se estudar substâncias medicinais que provinham da natureza sem necessariamente estar relacionada exclusivamente ao reino vegetal. Assim, rapidamente se isolaram conjunto de fármacos minerais, depois animal. Entretanto, apareceram novas substâncias medicinais de origem biológica, assim como a síntese química, a copia sintética da natureza, e rapidamente se desenvolveram novas disciplinas e com isso a palavra e o ensino de farmacognosia se restringiu ao estudo de todos os medicamentos simples que normalmente se originavam das plantas medicinais.
Identificação botânica macroscópica da planta e separação dos princípios ativos conhecidos era o principal trabalho dos farmacêuticos europeus do século XIX.
No brasill deste mesmo período os estudantes de farmácia eram poucos, 7 a cada 10 anos, e os laboratórios de química só foram instalados nas faculdades de medicina, Bahia e Rio de Janeiro, na segunda metade do século. Com isso deixamos claro que a farmacognosia é um estudo que só passou  ser ensinada nas faculdades brasileiras, depois de muita discussão acadêmica, no inicio do século XX. Isto no entanto, não deve significar que os estudos farmacognosticos de nossa flora não começaram no século XIX.
No brasil deste mesmo período os estudantes de farmácia eram poucos, 7 a cada 10 anos, e os laboratórios de química só foram instalados nas faculdades de medicina, Bahia e Rio de Janeiro, na segunda metade do século, Com isso deixamos claro que a farmacognosia é um estudo que só passou a ser ensinada nas faculdades brasileiras, depois de muita discussão acadêmica, no inicio do século XX. Isto, no entanto, não deve significar que os estudos farmacognosticos da nossa flora não começaram no século XIX.
A Europa produzia cientistas demais para sua já muito pesquisada fauna e flora. O Novo Mundo, principalmente países de clima e florestas tropicais desafiavam os jovens cientistas do velho mundo. Por pouco tempo, alguns anos, ou para o resto de seus dias os jovens cientistas do começo do século XIX sabiam que do outro lado do Atlântico ls vieram para ficar e, entre os ficaram lhes aguardava o sucesso e as novas descobertas. Muitos vieram e voltaram para Europa, outros ficaram entre os que ficaram o mais brilhante dos primeiros farmacêuticos que se radicaram no Brasil., Theodoro Peckolt (1822 – 1912).
Peckolt desembarcou no Rio de Janeiro em novembro de 1847. Em 1848 começou a conhecer o interior do pais. Montado em um cavalo começou pelo Rio de Janeiro, Espirito Santo e Minas Gerais. Neste jovem Brasil haviam poucos médicos no interior e os conhecimentos farmacêuticos do jovem naturalista colocavam-no na posição de prestar serviços médicos aos doentes que o consultavam. Destes serviços recebia interessante presente para a sua coleção botânica. Cantagalo na Serra dos Órgãos, Rio de Janeiro. A cidade naqueles tempos tinha ricas plantações de café e belas matas intactas para suas pesquisas.
Pesquisou durante 10 anos para apresentar sua primeira obra na Exposição Nacional em 1861. “Catálogo Explicativo da Coleção da Pharmacognosia e Química Orgânica Enviada a Exposição Nacional de 1861” são os primeiros resultados de suas pesquisas que vem a público. Escreve o autor: “Tudo que minha coleção tem é feito por mim e não há nenhum produto estranho”.
As diversas análises executadas por mim acham-se publicadas, em parte, no Archivo de Pharmácia da Alemanha do Norte. Reparti a minha coleção em séries seguindo, mais ou menos o sistema Pharmacognostico.
A escolha da organização dos seus estudos o acompanha pelos seus 65 anos de pesquisa. Ao analisarmos toda a sua obra observamos que a qualidade e quantidade das informações das espécies colhida neste primeiro momento o acompanham durante toda a sua existência. Sua principal preocupação será, sempre, ensinar ao povo brasileiro a importância de sua fauna e flora, absolutamente desconhecida e desprestigiada na época.
Bibliografia: Peckolt, Theodoro e Gustavo - Historia das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil – (1888 a !914).

Para saber mais: Santos , Nadja Paraense - http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702005000200018

domingo, 9 de julho de 2017

Freire de Aguiar passa a produzir criolina

Em 17 de outubro de 1903, com grande alarde social, freire Aguiar, inaugurou na Rua Senador Euzébio a sua fábrica de produtos extraídos de hulha, um dos quatro tipos de carvão mineral.
Nesta ocasião o Dr. Luis Felipe não deixou por menos e realizou a vista dos presentes uma experiência interessante: Em um tubo de vidro, de 15 litros, colocou algumas larvas de mosquitos, derramou algumas gotas do produto de sua fabricação o phenogeno. Imediatamente as larvas morreram, ficando provado a grande importância do produto na desinfecção de água estagnada e depósitos de água, onde se desenvolvem as larvas dos mosquitos, que transmitem doenças como a febre amarela.
Hulha, minério de ferro
Os desinfetantes obtidos da destilação de hulha, muito auxiliaram no combate a várias epidemias principalmente a do Maranhão, em que o Phenogeno, cujo preço era inferior ao fenol, auxiliou a debelar o surto de peste bubônica.
Freire de Aguiar inventou e patenteou um aparelho a que denominou de “Simplex”, para ser adaptado as caixas de descarga dos vasos sanitários, lançando em cada descarga a dose exata de desifetentes. Também planejou e executou dispositivos para a desinfecção de banheiros públicos e carroça de lixo. Nem com todos estes benefícios sociais viabilizados pelos seus produtos, deixou o Dr. Luis Felipe de ter mais uma questão judicial, e desta vez com o inglês, Ed William Person com relação a marca de Creolina, pois o autor da “Creolina Pearson”, entendia que nenhum outro fabricante poderia usar o referido nome que o industrial britânico havia patenteado.
Freire de Aguiar teve de provar que o nome “Creolina” era genérico, encontrando-se em diferentes formulários e o supremo tribunal brasileiro, determinou que a Creolina brasileira poderia se chamar “Creolina Freire de Aguiar”, ficando proibido aos demais fabricantes nacionais o uso deste nome.
Freire de Aguiar foi um brasileiro dedica e empenhado durante toda a sua vida a tornar útil varias substâncias da flora brasileira, inclusive classificando vegetais.
Em 1888 o Barão de Ibituruna, agradeceu publicamente os relevantes serviços prestados por Freire de Aguiar a Inspetoria Geral de Higiene, pelas análises e correspondente parecer técnico, sobre os vinhos portugueses com vestígios de ácido salicílico. Estas análises foram feitas no laboratório da Faculdade de Medicina na presença de professores e alunos.
A primeira Magnésia fluida fabricada no brasil foi de autoria de Freire de Aguiar, ao tempo em que sua única existente no mercado era a francesa.

Suas incansáveis campanhas contra produtos estrangeiros, provocou severa fiscalização das autoridades sanitárias, e isso fez com que muitas destas fábricas se instalassem no Brasil. Entre estas a fabricante da Magnésia Fluida de Murray.
A indústria farmacêutica de Freire de Aguiar foi uma das primeiras a se interessar em fabricar extratos fluidos, principalmente de plantas nacionais, sendo que usava com êxito comprovado suas especialidades, que se constituíam de remédio feito com plantas da nossa flora.
Após persistente trabalho de pesquisa e com muitas experiências, conseguiu obter um processo econômico para a refinação do sal, e montou em Minas Gerais.
Em 1918, faleceu na cidade do Rio de Janeiro, Dona Rita de Cássia Godoi, mulher de Freire de Aguiar. Dois anos depois, como filho, Abelardo Freire de Aguiar, farmacêutico, assumiu suas funções frente a frente da indústria. Freire de Aguiar comprou uma farmácia em Barbacena e se mudou para a cidade mineira. Em Minas Gerais, exerceu suas funções de farmacêutico até morrer.

Bibliografia: Revista Brasileira de Farmácia – 1944/45


domingo, 2 de julho de 2017

A luta de Freire de Aguiar contar remédios falsificados no século XIX

Freire de Aguiar, primeiro fabricante de medicamentos no Brasil, venceu todas as batalhas pela sua fabricação da “Água Inglesa modificada”, voltou ao Rio de Janeiro e fundou outro laboratório na Rua General Câmara, mais tarde mudou seu estabelecimento para a rua Conde de Bomfim. Neste novo estabelecimento cedeu aos insistentes convites do seu colega e amigo farmacêutico o Barreto e organizou, em 1890 a “Companhia Química Industrial da Flora Brasileira”, da qual ficou apenas com o cargo técnico.
Tabletes de opio indicado para cantores e atores...
Numa série de artigos publicados em jornais do Rio de Janeiro, moveu honesta campanha contra produtos falsificados, nacionais e estrangeiros. Tinha por hábito exibir farta documentação provando suas afirmações. Em análise realizada nos laboratórios oficiais, e pessoalmente, provava a iniquidade de vários produtos importados, entre os quais o Elixir Alimentício de Ducro, que não continha nenhuma substância alimentar. Chapoteaut, farmacêutico francês, fabricou um preparado em que deveria entrar a pepiona; pelo exame realizado por Freire de Aguiar, na presença de médicos, farmacêuticos e jornalistas, provando que o elixir, que chegavam as prateleiras nas nossas farmácias, não possuía nem sombra de carne.
Em outra ocasião em sua farmáia, uma senhora pediu um vidro de xarope de Forget, o qual foi vendido. Momentos depois, essa senhora voltou muito aflita, porque sua filha estava envenenada. Examinando o medicamento, verificou que continha alta dose de cloridrato de morfina. Não deixou de comentar o ocorrido com as autoridades da Inspetoria de Higiene e tão pouco voltou a comprar o dito remédio importado.
Todos os seus produtos, entre os quais a “Àgua Inglesa modificada”, Xarope de Rabana iodado, Elixir Alimentício, Magnásia fluida, entre outros, tinham ótimo conceito na classe médica e o elixir de Jurubeba, mereceu do Dr. Domingos Freire, um parecer honroso, pois conseguiu regularizar de modo científico a preparação de jurubeba que sempre tinha irregularidade no preparo..
No governo de Prudente de Morais, sendo Ministro da Fazenda, Bernardino de Campos, (1897), Freire de Aguiar, manifestou-se pedindo proteção pra indústria farmacêutica nacional, que nesta época estava longe de ter um número grande de estabelecimentos, evitando a importação de remédios, que podiam ser produzidos no pais com toda a garantia de qualidade.

Bibliografia : Revista Brasileira de Farmácia 1944/45