quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Plantas Medicinais ameríndias II

Para combater a verminose, os índios empregam a resina de espécies nativas do gênero Ficus (F. doliaria e outras), da família das moráceas, conhecidas popularmente como gameleira branca ou figueira brava. Outro vermífugo é extraído da erva-de-santa-maria ou mastruço (Chenopodium ambrosioides, família das quenopodiáceas). Erva adstringente, que contraios vasos sanguíneos, é o cambará, ou camará (Lanthania camara, família das verbenáceas). É usada na medicina caseira e homeopática para tratamento do reumatismo, entre outras indicações. A quinina, alcaloide extraído da casca das quinas (plantas do gênero Chinchona, família das rubiáceas), foi o único antimalárico disponível até os anos 30. Foi substituído por um derivado, a cloroquina, extraída da Chinchona calisaya, em conjugação com medicamentos sintéticos.
Erva de Santa Maria
Como antídoto para picadas de cobras peçonhentas, os índios usam, entre outros tratamentos, uma pasta de rízes plicada no local da picada e bebem o chá das raízes de caiapiá (Dorstenia brasiliensis, família das moráceas). Curam picadas de escorpião com uma infusão da planta Urena carcasana (malvácea).
Efeitos constracaptivos são obtidos, de acordo com o botânico norte-americano Ghillean Prance, com uma beberagem da trepadeira Curarea tecunarum, da família das minispermáceas. Anestésicos são extraídos da folha da coca (Erythoxylum coca, família das eritroxiláceas), que os índios usam também como estimulante da clarividência.
No Brasil a pratica da medicina tradicional em pequenas comunidades étnicas ou sociais induz o consumidor a tomar um produto por boa fé, sem saber se existem nele princípios benéficos ou nocivos. Sem dúvida, a confiança num produto cujo uso foi benéfico para outros membros do grupo é um importante ingrediente – talvez o mais importante – do tratamento: a influência da fé no medicamento constitui o chamado “efeito placebo”. Por isso, um placebo poderia, com frequência, fazer o mesmo efeito que um produto farmacêutico.
A maior evidência da virtual inocuidade (no melhor dos casos) dos produtos ‘naturais’ é que eles continuam restritos as suas áreas de origem e jamais se tornam de uso universal. Em geral, entretanto, a planta dita medicinal chega às mãos do usuário despojado de qualquer informação fidedigna: há desconhecimento total da época da coleta, do especialista (se foi um especialista) que colheu, dos cuidados tomados durante o processo de armazenamento, secagem e moagem, da ausência de contaminação por fungos e outros microrganismos. Tudo isso torna impossível a previsão de eventuais efeitos colaterais que a planta possa provocar.
Uma planta não é uma fábrica montada especificamente para determinada produção. É um ser vivo que está sujeito a estresse por fatores ambientais variáveis, como fertilidade do solo, umidade, radiação solar , ventos temperatura, herbivoria, biota associada,poluição atmosférica e do solo.


Bibliografia: Ciência Hoje, Vol 15/nº 89 – Plantas Medicinais ameríndias – Berta G. Ribeiro – Departamento de Antropologia – Museu Nacional/UFRJ.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Farmacopeia Paulista do período colonial

Conta-se que paulistas que desbravavam os sertões fizeram várias descobertas de remédios, observando o instinto dos animais, por exemplo: o adenoropium opiferum foi chamado por eles de raiz de tihu, porque o grande lagarto a procurava, quando estava doente, e o drymys grenatensis casca de anta, porque se diz que a anta, nas mesmas circunstâncias lhe roia a casca. Por causa destes felizes achados, ainda atualmente os habitantes da província de São Paulo passam pelos mais conhecedores dos medicamentos indígenas, e muitas dessas receitas tem a alcunha de remédio dos paulistas.
Casca d'anta
Desde os primeiros tempos da descoberta do Brasil, havia uma grande comunicação com a Índia Oriental, onde no então prevalecia o poder lusitano e daí muitos portugueses transferiram para o Brasil os conhecimentos que tinham adquirido das plantas medicinais, e atribuíssem as mesmas propriedades e dessem o mesmo nome a plantas brasileiras e que achavam analogia com as indús. Quem lembra a imensa multidão de plantas a que os brâmanes atribuem propriedades salutares, não havendo quase nem uma só de que não retiram alguma virtude singular, como se mostra o jardim malabar de Rheedi, tanto menos se deve admirar de que semelhante costume fosse transplantado para o novo mundo, e que a cada planta dotada de alguma virtude se atribuísse alguma relação determinada com o corpo humano e suas diferentes partes.
Além disso, uma ou outra planta indiana foi trazida para o Brasil, que é tida entre as plantas domésticas, como por exemplo, o aloés vulgar, o labla vulgar, o mangericão a artocarpus integrifólia.
Outra raiz para muitos fármacos brasileiros é a de muitos pretos africanos que tinham de aprender a curar seus males e por isso atribuíam por semelhança entre a flora deles e a brasileira seus usos. Assim, muitas plantas semelhantes e originais de ambos os continentes, como o ageratum conyzoides, a valteria americana, o tiaridium indicum, a cássia ocidentalis, fossem adotadas para uso, e algumas poucas, ou de propósito ou por acaso fossem importadas da África.
Reunidas todas estas plantas terá o médico a sua disposição, como que legiões inteiras preparadas para combater as moléstias, e até mesmo será tal a superabundância de remédios, e os seus diversos grãos, que antes por excesso que por falta terá ele que pensar o que usar.
Como sabemos na Europa muitos médicos rejeitam esses medicamentos, julgando que muitas de suas virtudes são imaginárias, e que com poucos se podem conseguir os mesmo fins, mas no Brasil, prefiro aconselhar aos médicos brasileiros a que usem sua flora nacional porque da eficácia desses remédios tiveram muitas provas, e se chegaram a convencer que meios aparentemente fracos, se aplicado com o melhor resultado para restabelecimento da saúde.


Bibliografia: Systema de Matéria Médica Vegetal – Car. Fred. Phil de Martius - 1854 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Plantas Medicinais Indígenas

Em botânica Econômica Brasileira, Walter B. Mors e Carlos T. Rizzini enumeram plantas ameríndias cujos efeitos terapêuticos foram comprovados pela medicina ocidental. Clujde Lévi Strauss em “O uso de Plantas Silvestres da América do Sul Tropical”, ensaio publicado no volume Etnobiologia , da Suma Etnológica Brasileira, afirma que os povos americanos possuíam todos os remédios necessários à cura de suas doenças. Faltaram-lhe medicamentos  para a cura de doenças alienígenas, introduzidas pelo homem branco, que lhes tem sido fatais.
Jaborandi
Parte do elenco de fitoterápicos brasileiro foi divulgada por Guilherme Piso e George Macgrave, botânicos holandeses que estiveram no Brasil com Maurício de Nassau no século XVII. Agentes biologicamente ativos encontram-se em inúmeras outras plantas, ainda não testadas, e que poderiam trazer benefícios incomensuráveis no campo da saúde. As espécies que se seguem, são algumas das plantas mais comumente citadas.
A ipecacuanha (Cephaelis ipecacuanha, família das rubiáceas), quase extintas devido à coleta intensiva, é um poderoso emético e, em dosesmenores, expectorante, empregada no combate às desinterias amebianas e outras doenças intestinais.
O Jaborandí (Pilocarpus spp, família das rutáceas) é usado na cura do glaucoma e outras enfermidades oftálmicas. Tanto ipecacuanha quanto jaborandi são exportados como matéria prima para laboratórios estrangeiros e reimportados na forma de alcaloides sintéticos.
Substancias curarizantes são obtidas de plantas de três gêneros da família das menispermáceas e de certas espécies do gênero Strychnos, da família das loganiáceas. Os índiosutilizam o curare na caça arborícola ( cuja carne pode ser consumida), porque, causando paralisia muscular , determinada a queda da presa.
A medicina ocidental extrai das mencionadas espécies a d-tubo-curarina para obter efeitos curarizantes nas operações do músculo cardíaco ou naquelas que exigem relaxamento muscular profundo, bem como no tratamento do tétanoe de doenças nervosas.
Entre as plantas com propriedades depurativas do sangue, cita-se a taiuiá (Trianosperma tayuya) ou abobrinha do mato, da família das curcubitáceas, empregadas como remédio contra a sífilis. Propriedades terapêuticas semelhantes são atribuídas à salsaparrilha ou japecanga (Smilax officinalis, família das liláceas), cujas raízes e frutos são usados como diuréticos e febrífugos. Atualmente seu emprego se concentra no preparo de refrigerantes.


Bibliografia: Ciência Hoje Vol 15/nº 89 – Berta G. Ribeiro – Departamento de Antropologia, Museu Nacional/UFRJ

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Medicamentos nas intoxicações humanas no Brasil

O Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX), criado em 1980 pelo Ministério da Saúde (MS), com sede na Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), tem como principal atividade coordenar o processo de coleta, compilação, análise e divulgação dos casos de intoxicação humana registrados no país, pela Rede Nacional de Centro de Controle de Intoxicação, comunente denominada Rede SINITOX.
No ano de 1996 o B rasil possuía 156.803.232 habitantes e 30 centros regionais espalhados por todas as regiões do pais.
Comigo ninguém pode
Os estados Unidos possuíam, naquele mesmo ano de 1996, 67 centros e uma população estimada de 232.300.000 habitantes, o que representava 2,9 centros por dez milhões de habitantes.
Os Centros de Controle de Intoxicação funcionam em regime de plantão permanente todos os dias do ano. Sua principal atividade é a prestação de informações aos profissionais de saúde, às instituições hospitalares e à população leiga, por plantonistas supervisionados pelo corpo técnico do centro, através de telefone, fax, e e-mail. Nos atendimentos de emergência, os centros utilizam, como material básico de consulta, Monografias em Toxicologia de Urgência que compõem um banco de dados toxicológicos (CIT-RS/FIOCRUZ/ATOX,1997). O banco é composto por monografias técnicas, envolvendo cinco grupos principais: medicamentos, pesticidas, produtos químicos de uso doméstico e industrial, plantas tóxicas e animais peçonhentos.
Os medicamentos vêm, desde 1994, segundo as estatísticas divulgadas pelo SINITOX, ocupando o primeiro lugar no conjunto dos 13 agentes tóxicos considerados, respondendo, no período de 1993 a 1996, por aproximadamente27% dos casos de intoxicação registrados no país.Este agente tóxico vem preocupando há algum tempo as autoridades e profissionais de saúde de países como os Estados Unidos, Costa Rica, Portugal e Uruguai, pelo aumento do volume de casos de intoxicação que este agente provoca.
Os acidentes, no conjunto dos agentes tóxicos, ocuparam o primeiro lugar, com 131.495 casos, correspondendo a aproximadamente 60% dos casos registrados, no período de 1993 a 1996.
Este comportamento é comum para a maioria dos agentes, com exceção dos medicamentos e dos raticidas, que apresentam como principal causa determinante o suicídio. Do total de 57.748 casos de intoxicação medicamentosa, 25.297 (44%) foram registrados como tentativa de suicídio e 23.150 (40%) acidentes.perfazendo 84% dos casos.
Com relação aos 266 óbitos por medicamento 148 deles (56%) foram atribuídos à causa “suicídio”, seguidos de “outras causas” e “acidental”.


Bibliografia: Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, 15(4): 859-869, out-dez,1999. Bortoletto, Maria Élide e Bochner, Rosany

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Matéria ativa da Pfaffia Paniculata

Pfaffia paniculata (Martius) Kuntze é uma espécie de planta que existe no Brasil, especialmente nos Estados de São Paulo e Paraná.
As raízes de planta são chamadas, Ginseng brasileiro, são utilizadas pela população local como um tônico e como afrodisíaco.
Pó de Pfaffia paniculata
Os cromatogramas produzidos por este estudo revelaram que as amostras por nós examinadas, submetidas como amostras de Pfaffia paniculata, contém ginsenosides, parecidos com as composições ativas existentes no ginseng verdadeiro (Panax ginseng).
Analisando estes cromatogramas têm-se fortes indicações que outras diferentes composições se acham presentes. Quais são as composições e em quais quantidades são contidas, somente pode ser estabelecido após exames mais profundos.
Com base no fato que tais composições estão presentes, é bastante provável que possa a Pfaffia conter matérias ativas comparáveis com o ginseng verdadeiro.
Para fins de boa ordem esta também eleutherococcus incluído no exame, pois na Rússia usa-se esse como substituto do Ginseng, que é difícil de obter.
Mesmo que não se encontre ginsenosides nesta planta, parece que o eleutherococcus tem propriedades que causam um efeito, as vezes, até mais pronunciado do que o ginseng.
Assim, é possível que mesmo valha para a raiz da Pfaffia. Entretanto, deve aqui ser chamado a atenção para o fato que eleutherococcus e Pfaffia não pertencem a mesma família que o Ginseng e por isso não devem ser denominados Ginseng.
Lembramos, que na botânica sistemática existe alguma similaridade entre amaranthaceas (família de plantas onde está a Pfaffia) e araliáceas (família das plantas onde se inclui o Panax ginseng.
Para saber mais sobre as composições ativas na Pfaffia e seus efeitos é necessário que as mesmas sejam isoladas e identificadas. É também de máximo interesse os estudos clínicos e farmacológicos sejam conduzidos com o extrato de raiz de Pfaffia, bem como composições ativas extraídas e isoladas de Pfaffia.
No amplo uso popular se lhe atribuem poder terapêutico em: reumatismo, artrite, artrose e úlcera varicosa.
Pode ser consumida em pó, adicionada na água ou em suco ou em cápsulas.


Bibliografia: Farmaervas_ Drs A.J.J. van den Berg, J.H, van Meer e professor R.P. Labadie.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Atividade antemicrobiana e antineoplásica das raízes de Pau Mondé

Substância isolada da parte cortical de raízes de Miconia, SP identificada como primina (2-metoxi-6-n-pentil-pbenzoquinona) apresentou atividade contra vários microrganismos inclusive Strpoptococcus faecalis e Neurospora crassa. Foi constatada ação antineoplásica a doses situadas no limiar da toxicidade.
Miconia - La Ming
O extrato bruto (metanólico) das raízes da árvore Miconia SP, de nome vulgar “Pau Mondé”, vegetando espontâneamente na região da mata, no município de Paulista (Pe), apresenta em prova de disco de papel halos límpidos de inibição, orlados de contornos nítidos de estimulo de crescimento celular, sugerindo um notável efeito hormoterico, verificando-se que a ação biológica demonstrada se deve, pelo menos, a duas substâncias distinguindo-se cromatográficamente . A presente comunicação se atem as características fisicoquímicas e ao efeito biológico do composto de cor amarelo-canário isolado do extrato em acetato de etila de raízes do referido vegetal, e que se identificou como 2-metoxi-n-pentil-p-benzoquinona, a mesma substância denominada Primelgift = Primina, responsável pela dermatite causada por Primula obconica Hance e algumas espécies correlatas, conforme comunicação de Block e Karrer, em 1927, e cuja estrutura foi elucidada por Schildknecht, em 1967. Há relação entre efeito antimicrobiano e a atividade antineoplásica, no caso presente caracterizando-se por uma marcante inibição de crescimento dos referidos microrganismos enquanto apresenta no sarcoma 180 de camundongos albinos suíços uma atividade apreciável que se maniofesta, no entanto, no limiar de toxicidade.
É interessante consignar que também foi observado nos extratos da planta em estudo e no referido produto ativo isolado, o mesmo efeito dermato-irritante que caracterizou a toxidez de certas primuláceas, fato que despertou a atenção dos pesquisadores europeus.
Atividades biológicas podem ser sumariadas como: a) o espectro antimicrobiano obtido pelo método de diluição em gelose se caracteriza por valores de concentração inibitória mínima (CIM) oscilando entre 4-75meg/ml contra várias espécies de microorganismos Gran-positivos, Gram-negativos, ácido-resistentes e fungos levaduriformes. É de assinalar sua atividade contra Streptococcus faecalis e Nurospora crassa.
b) Toxicidade. A toxidez aguda DL em camundongos, por via intrapeitoral, foi de cerca de 14,0mg/kg.
c) Atividade antitumoral. Foi observada marcante efeito inibitório da substância contra o sarcoma 180 de camundongos albinos suíços, a doses de 7,0 9,0 e 10,0mg/kg, isto é em faixa limite de sintomas tóxicos apreciáveis.
Bibliografia: Revista do Instituto de Antibióticos, Recife, Vol 10 n(1/2). Dez 1970. Oswaldo Gonçalves de Lima (Pesquisador do CNPQ)

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Definições sobre o gênero Strychnos

O gênero Strychnos se apresenta como trepadeira ou arbusto mais ou menos escandente (raramente pequena árvore), com cipós que podem alcançar até 55m de comprimento e 30m de diâmetro de base, geralmente dotados de espinhos ou gavinhas ou ambos. Ramos adulto geralmente apresentando lenticelas mais ou menos abundantes; ramos usualmente com ápices delicados, semelhantes a pedúnculos.
Gênero Strychnos
Folhas opostas, inteiras, maiores no ápice dos ramos e diminuindo para a base, onde podem estar reduzidas a catafilos, 3 a 7 plinervadas, subpeninerveas na parte superior estípulas interpeciolares reduzidas a uma linha ligando os pecíolos.
Inflorescências terminais ou axilares ou ambos simultaneamente, de vários tipos, com ramos tricitônicos, sendo a flor central séssil ou subséssil.
Flores pentâmeras ou tetrâmeras (raramente hexâmeras), isostêmones; estames alternipétalos; ovários bicarpelar, bilocular ou raramente unilocular por distribuição precoce de septo; óvulos numerosos.
Frutos baga corticada, globosa ou achatada, lisatuberculada ouverrugosa, polpa macia, amarelada, comestível em algumas espécies; sementes variando de uma a numerosas, geralmente discoides, às vezes globosas nas espécies monospermas.
Strychnos nux-vomica, L.
Geograficamente distribuído entre as regiões tropicais e subtropicais do globo.
O gênero está comprovadamente representado em Pernambuco por cinco espécies (duas pertencentes à secção Longiflorae, S. trinervis e S. divaricane e três à seção, S. atlântica, S. parviflora e S. rubinosa) que podem ser distinguidas por plantas desprovidas de espinhos. Gavinhas em forma de espiral.
Tubo corolínico glabro externamente e, internamente com pelos na metade superior. Lacínios de corola não barbados na base. Filetes sempre mais longos que as anteras.
S.divaricans, Ducke
Tubo corolíneo densamente piloso externamente e, internamente, com pelos na parte mediana. Lacínios de corola barbados na base, Filetes mais curtos que as anteras.
S. trinervis (Vell) Mart.
Plantas providas de espinhos. Gavinhas em forma de espiral ou de gancho.
Cipó ou arbustos escadentes com espinhos apenas nos ramos. Gavinhas em forma de espiral. Folhas triplinérveas ou obscuramente quintuplinérveas, com pelos durante toda a vida.


Bibliografia: biológica brasílica 3(1)61-96 (1991)  O Genero Strycnos (Loganiáceas) em Pernambuco.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Tetraselmis tetrathele cultivadas com fertilizante orgânico.

As algas que se desenvolvem naturalmente na água do mar constituem um importante elo na cadeia alimentar e na produção global de oxigênio. São recursos naturais, que participam de maneira significativa na economia de vários países, sendo seu cultivo praticado há bastante tempo no Japão e em outros países asiáticos, e ainda em algumas regiões da Austrália.
Várias espécies de microalgas são utilizadas como alimento por invertebrados e vertebrados aquáticos. O valor nutricional destas espécies tem sido determinado principalmente através de experiências alimentares com ostras, mexilhões, camarões, peixes ou zooplâncton.
Cultivo de micro-algas
Com o desenvolvimento do cultivo de microalgas, tornou-se necessário um maior conhecimento das condições ambientais mais favoráveis a estes vegetais, para conhecimento das respostas fisiológicas, a fim de tornar cada vez mais viável o cultivo.
Várias pesquisas foram realizadas no Canadá e nos Estados Unidos, com o objetivo de determinar a influência da intensidade luminosa em diversos aspectos do desenvolvimento das microalgas, principalmente na taxa de reprodução, bem como a influência da temperatura no desenvolvimento do fitoplancton em geral, foi bastante estudada.
Estudos sobre o efeito da limitação de nutrientes no desenvolvimento de diversas culturas do fitoplâncton, especialmente Skeletonema costatum e Thalassiosira pseudonana, foram realizados na França.
Atualmente, os estudos relacionados com o cultivo de microalgas têm se voltado para a utilização de fertilizantes orgânicos e inorgânicos, como meio de cultura para o desenvolvimento de microalgas, a fim de tornar o cultivo menos oneroso.
Desta maneira, vários trabalhos já foram publicados, com o uso de vinhoto; esterco de galinha e água residual de matadouro.
Entretanto, pouco se conhece sobre os requerimentos nutricionais específicos; sabe-se que os lipídios, carboidratos e proteínas constituem fontes dietéticas de energia para o crescimento e desenvolvimento das microalgas, sendo um dos objetivos do presente trabalho o estudo sobre a composição bioquímica de Tetraselmis tetrathele, ouro como fonte nutritiva cultivada em água residual de matadouro.
Conclusão:.
1-    A utilização de água residual de matadouro como fonte nutritiva para o desenvolvimento algal, mostrou-se bastante eficiente, fornecendo grande massa celular, similar ao cultivo realizado com os meios artificiais.
2-    Os métodos utilizados para a determinação de lipídios, carboidratos e proteínas, apesar de não serem específicos para algas, demonstraram serem adequados, obtendo-se resultados compatíveis com o descrito na literatura.
3-    O teor de proteínas foi superior ao de carboidratos e este superior ao de lipídeos.

Bibliografia: Biológica brasílica 2 (1): 23-38 (1990)

Botânica Medicina Cearense

Menos divulgado, porém, mais completo quanto às informações sobre plantas medicinais do Nordeste, é o livro do profº Dias da Rocha, Formulário Terapêutico de Plantas Medicinais Cearense, Silvestre e Cultivadas, uma reedição ampliada da sua Botânica Medicina Cearenses, escrita em 1919. Esta obra lista 429 espécies usadas popularmente ou receitadas por fitoterapeutas locais, incluindo plantas nativas e exóticas cultivadas.
O livro, editado de forma muito simples e perecível, é encontrado hoje apenas entre colecionadores. No gênero, é o único que apresenta em seus verbetes, as propriedades terapêuticas e a forma de usar com a respectiva posologia de cada planta, discriminando ainda, em cada caso, o nome vulgar, o nome científico, o princípio ativo (quando conhecido) e a parte empregada.
Algumas plantas, também cultivadas no Ceará, para fins medicinais, entretanto, apesar de muito usadas, não foram referidas no livro de Dias da Rocha. Podem ser citadas, entre eles, Coleus amboinicus Lour. (malvarico), Coleus barbatus, Benth (malva-santa) ou boldo nacional; Anethum graveolens, L.(endro), Foeniculum vulgare L.(funcho ou Falsa erva doce), Lippia geminata e L. Alba (cidreira da terra), Pelargonium odorantissimum (malva rosa), Mentha pullegium J. (poejo) Sambucus racemosa L. (sabugueiro) e Pfaffia glomerata Spreng (acônito), fequentemente registrada nos levantamentos etnofarmacológicos feitos na região.
Com o objetivo de divulgar melhor a vida e a obra deste que foi o grande naturalista e fitoterapeuta cearense, seu livro foi revisto e adaptado sob a forma de uma nova publicação editada em 1987 pela Escola Superior de Agronomia de Mossoró (Editora Mossoroense), sob o título “O Formulário Fitoterápico do Profº Dias da Rocha” que incluiu também sua biografia,
Em sua maior parte, os nome científicos das plantas foram mantidos conforme estão no original, especialmente, quando não foi possível, através das informações registradas, identificar a espécie referida originalmente. Muitos dos binômios científicos foram, no entanto, substituídos após a identificação botânica da planta no Herbário “Prísco Bezerra” da Universidade Federal do Ceará e nas coletas de campo. O número total de verbetes ficou reduzido para 424, sendo 360 referentes às plantas silvestres e 64 às plantas cultivadas.
Mais recentemente, em 1959, Adolfo Ducke (1857-1959) divulgou, em seu último trabalho o resultado de seus “estudos botânicos no Ceará”, com informação sobre 631 espécimes, incluindo, porém, poucos informes sobre plantas medicinais.
 Várias outras obras referentes à flora e a vegetação do Ceará citadas por Braga, na introdução do seu livro sobre plantas do Nordeste, embora tenham traçado as linhas mestras da florística cearense, não incluem de modo especial informações sobre plantas medicinais.
CONTINUA

Bibliografia: Revista Brasileira de Farmácia, 72(1): 21-24, 1991 – F.J. de Abreu Matos-Supervisor do Horto de Plantas Medicinais. Universidade Federal do Ceará – Campus do Pici 60.750 – Fortaleza Ceará 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Pfaffia paniculata, Martius

A Pfaffia paniculata, Martius (Kuntze) conhecida pelos nomes populares de: paratudo, carango, enche prato, ginsen brasileiro, etc. É um vegetal que pertence a família Aralicaceae. Sua raiz contém ácido pfaffico que é uma nova estrutura baseada no hexaciclico nortriterpeno. Em pessoas com câncer, mostrou resultado positivo.
Pfaffia paniculata, Matius
O ácido pfaffico tem alto poder de inibição sobre culturas vivas de cálulas tumorais, tais como melanoma B-16, Hela S-3 e sobre células de carcinoma de pulmão; na concentração de 4-6 ug/ml usado o método definido por Takgnoto et a1.

Utilizam-se as raízes processadas e aplicadas em pessoas com câncer, mostrou resultado positivo. A pfaffia também tem propriedades terapêutica tais como: combate a anemia, a bronquite, o colesterol, o diabetes, a fadiga, a calvice, a impotência sexual, doenças de pele, prisão de ventre, stress, tuberculose, diabetes, moléstias do aparelho digestivo, labirintites e tremores dos velhos etc.
A presença de alantoína nas raízes do vegetal pode estar relacionada com a ação cicatrizante e a atividade antiúlcera atribuída à planta. É empregado como cicatrizante. Admite-se que melhore a pele e a irrigação dos cabelos. O uso popular admite também ação terapêutica em: reumatismo, artrite, artrose e úlcera varicosa.
Para ser consumida ela passa por uma lavagem. Depois é cortada, desidratada, inspecionada e então fica pronta para se embalada. Pode ser consumida em pó, adicionada na água ou em suco ou em cápsulas.


Bibliografia: Fragmento do estudo realizado pelo Departamento de Farmácia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. Profº Fernando Oliveira, Gokithi Aksue e Maria Kubata Aksue

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Feijó e o Profº Dias da Rocha : dois séculos de fitoterapia no Ceará

5. Spigelia anthelmia L. (lombrigueira). Esta pequena erva anual dos terrenos úmidos é registrada pelo naturalista Feijó com os mesmos usos medicinal popular referido pelas comunidades atuais. E , portanto, um dos vermífugos mais antigos da medicina popular cearense.
6. Convolvulus michoacan ( batata de purga) Provavelmente esta espécie corresponde hoje a Operculina macrocarpa (L.). Farwell e sua congere O.alata (Meiss) Urban, cujo nome popular e usos são, ainda, os mesmos de hoje. Ambas são trepadeiras lenhosas, de raízes tuberosas grandes e piriformes. A primeira é bienal e apresenta flores alvas em demorada floração. A segunda é anual e suas flores são amarelas. Os tubérculos de ambas estão oficializados na Farmacopéia com o nome de jalapa brasileira e são largamente comercializados sob o nome de aparas de batata de purga.
Batata de purga - Convulvulus michoacan
7. Polygonum virginianum (pimenta d’água) corresponde, pela descrição, a Polygonum acre H.B.K conhecida vulgarmente, também, pelo nome de pimenta d’água ou, segundo a denominação sulina, erva de bicho. O registro de seu uso como anti-hemorroidal, hoje raro, no Nordeste, coincide com seu emprego atual feito através de produtos fitoterápicos industrializados.
Quase meio século depois do trabalho do naturalista Feijó aparece a primeira publicação específica sobre plantas medicinais cearenses versando sobre 67 espécies regionais e seu emprego medicinal. Esta publicação, de autoria dde Manoel Freire Alemão de Cisneiros (1834-1863), mais conhecido como Freire Alemão Sobrinho é referida como sendo o primeiro texto de matéria médica de Plantas Medicinais do Ceará. Foi divulgada em 1860, sob o título Lista dos Simplices da Matéria Médica Brasileira que se Encontram na Província do Ceará coincidindo com a publicação da “Flora Cearense”, de Francisco Freire Alemão (1790 -1874), elavorada durante os anos de 1859-1861, enquanto presidia a Comissão Científica que desenvolveu vários estudos no Ceará.
Meio século depois, no ano de 1919, vem à lume, a Botânica Médica Cearense do Professor Francisco Dias da Rocha (1869-1960), naturalista versado no exercício da fitoterapia, ocupando-se de 166 espécies de plantas nativas na região, e que, na palavra do próprio autor, tratava-se da primeira edição da terapêutica indígena cearense. Este trabalho foi ampliado reeditado pelo próprio autor em 1947.
Entretanto, a principal fonte de consulta, facilmente disponível, para a atual geração de botânicos, químicos, farmacologistas, e mesmo para os leigos interessados em plantas medicinais nordestinas, veio a ser o livro do Profº Raimundo Renato de Almeida Braga (1905-1968), Plantas do Nordeste, especialmente do Ceará, editado em 1953.
Renato Braga, escritor e historiador por vocação e agrônomo, professor de zootecnia por profissão, reuniu em 1.416 verbetes de seu livro, um grande número de informações sobre a maioria das plantas da flora nordestina, incluindo muitos dados acerca de seus usos o que permite considerá-lo como uma verdadeira botânica econômica regional. Por causa de sua intensa procura, este livro foi reimpresso oito vezes, pela Editora Mossoroense, da Escola Superior de Agronomia de Mossoró (ESAM), em sucessivas edições, a partir da segunda edição tirada em 1960.
CONTINUA

Bibliografia: Revista Brasileira de Farmácia, 72(1): 21-24, 1991 – F.J. de Abreu Matos-Supervisor do Horto de Plantas Medicinais. Universidade Federal do Ceará – Campus do Pici 60.750 – Fortaleza Ceará 

Continuação Plantas Medicinais do Norte de Minas – Pedra Azul

Mamona: Euphorbiaceae – Ricinus communis, Linn
O óleo fornecido pelas sementes tem propriedadess estomacais e purgativas. É ainda, usado contra febres.
Amostra de sementes de Mamona - Embrapa

Marianinha: Commelinaceae – Commelina nudiflora, Linn
O líquido existente entre as brácteas desta Commelinaceae é utilizado como colírio.

Marinheiro: Meliaceae – Trichilia oblonga, C.DC.
Vegetal muito frutífero de cuja raiz se extrai uma goma de ação drástica.

Mastruço: Chenopodiaceae – Chenopodium ambrosioides, Linn]
As sementes amassadas juntamente com óleo de rícino e rapadura ou açúcar produz um melado com o qual se combatem vermes intestinais. O sumo das folhas juntamente com leite é utilizado contra dores internas.

Maxixe de capeta: Solanaceae – Datura stramonium, Linn
As folhas secas desta planta são usadas, sob a forma de cigarros, para compater a asma.

Melão de São Caetano: Curcubitaceae – Mormodica charantia, Linn
As folhas machucadas e espremidas dão uma seiva tida como ótima nos casos de suspensão das regas.

Mentrasto: Compositae – Ageratum conzoides, Linn
Com esta planta, muito abundante na regi~]ao, fazem-se banhos para as perturientes, como desinfetante.

Mulungu do Brejo: Leguminosa Papilionatae – Erythrina reticulata, Presl.
As cinzas obtidas desta planta são empregadas no fabrico de sabão; o chá das folhas é utilizado localmente em casos de dores de dente; o cozimento das flores é tido como cardiotônico.

Pau de oveia: Leguminosa caesalpinoideae – Cassia sulcata, D.C.
As folhas tem propriedades anti-reumáticas

Pega Pinto: Nyctaginaceae – Boerhaavia hirsuta, Linn
O chá obtido da sua batatinha é indicado para combater dermatoses.

Pimentinha: Compositae – Spilanthes acmelia, Murr
O sumo das flores é usado localmente nas cáries dentárias quando há dor de dente. As inflorescências mastigadas deixam a boca dormente.

Suma amargosa: Trigoniaceae – Trigonia nívea, Cambess
O chá feito com esta planta é indicado no tratamento de doenças renais.

Umburana macha: Leguminosae Papilonateae – Torresea cearensis, Allam
A infusão da casca desta planta produz, para os locais um substituto do chá; é também usado no tratamento de picadas de cobras venenosas e escorpiões. Devido ao aroma da casca utiliza-se o pó desta para aromatizar fumo e rapé.

Velame do campo: Euphorbiaceae – Croton campestris , St. Hill
Planta aromática cujo látex é empregado contra o cancro mole, quando usado localmente.


Biliografia: Sellowia – Anais botânicos – 1954 – R.J.Siqueira Jaccoud – Instituto Oswaldo Cruz-

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O Naturalista Feijó na fitoterapia do Ceará

As mais antigas referências sobre o uso de plantas medicinais, no Ceará, estão registradas como observações suplementares em alguns verbetes da “Coleção Descriptiva das Plantas da Capitania do Ceará”. Escrita entre os anos de 1803 e 1805 por João da Sylva Feijó (1760-1824), cognominado naturalista Feijó, foi divulgada apenas em 1818, depois ter sido considerada perdida durante vários anos. Recentemente, Geraldo Nobre reproduziu em edição comentada o trabalho de Feijó, facilitando o acesso a descrições de uma centena e meia de espécies e referência ao uso medicinal de, pelo vinte delas.
Destas espécies, as sete citadas a seguir, merecem destaque especial pela permanência quase imutável de suas indicações terapêuticas ao longo de quase dois séculos de uso na medicina fitoterápica popular regional.
1 – Baerhavia coccínea Will (pega pinto ou batata de porco). Esta planta e uma pequena erva anual de ramos pegajosos, longos, finos e graciosamente dispostos. Sua raiz tuberosa, fusiforme e amilácea têm sido usadas para preparação de um macerado aquoso, levemente fermentado, conhecido no Nordeste pelo nome de aluá, que é muito consumido, mesmo atualmente, como bebida refrescante dita diurética e desobstruente do fígado.
2 – Lippia citriodora, H.B.K (erva cidreira). Esta designação botânica corresponde a um tipo
Erva cidreira
de erva cidreira mais comum no sul do Brasil, descrita hoje sob a denominação de Aloysia triphyllat (L.Herit) Britt cuja presença no Ceará é duvidosa. No Nordeste são conhecidas, atualmente, pelo nome de erva-cidreira, duas outras espécies de Lippia, L. geminatta H.B.K e Lippia alba Browwn ET H.B.K. As três tem o mesmo aroma característico do citral, responsável por sua denominação popular. A propriedade antidispéptica, assinalada nesta planta pelo naturalista Feijó, é referida, também, nos relatos populares de hoje, sendo-lhe atribuída ainda a indicação de calmante, talvez por analogia com a erva-cidreira verdadeira que corresponde a Melissa officinalis L. e cujo aroma é semelhante.
3 – Comelina nudiflora, L. (= C. comunis Vell) (marianinha). Pequena erva cosmopolita tropical, citada desde então como planta diurética. Esta propriedade é atribuída também, a várias outras espécies da mesma família, inclusive a C.deficiens, Kunth, conhecida como erva mijona ou trapoeraba e C.virginica, Rit, de nome popular Maria mole ou trapoeraba azul.
4 – Scoparia dulcis, L. (vassourinha) referida por Feijó, com o mesmo nome científico e popular empregado atualmente . recebe ainda o sinônimo “tupiçaba”. O cozimento preparado com suas raízes tem sido recomendado, ao longo do tempo, no tratamento caseiro da tosse, embora, numerosas outras indicações terapêuticas desta planta sejam encontradas nos levantamentos etnobotânicos e etnofarmacológicos.
CONTINUA

Bibliografia: Revista Brasileira de Farmácia, 72(1): 21-24, 1991 – F.J. de Abreu Matos-Supervisor do Horto de Plantas Medicinais. Universidade Federal do Ceará – Campus do Pici 60.750 – Fortaleza Ceará 

Toxicidade e atividade anti-inflamatória da Tabebuia Avellanedae

Sob a denominação vulgar de “Ipê” são conhecidas algumas variedades de plantas, todas pertencentes ao gênero Tabebuia ou Tecoma, da família Bignoniaceae.
Tabebuia avellanedae
Tido como dotadas de virtudes terapêuticas, os “ipês” são indiscriminadamente utilizados, sob as formas farmacêuticas mais diversas, tais como decocto, infuso, tintura e principalmente como preparados de aplicação local.
Freise, em 1933, em artigo sobre Plantas Medicinais Brasilieras, fez descrição de diversas espécies do gênero Tecoma, referindo sobre as inúmeras aplicações de infusos de suas cascas.
A atividade antimicrobiana foi verificada por Lima e col (1956, 1962), após estudo realizado com lenho de Tabebuia avellanedae.Seus princípios ativos foram logo identificados como lapachois, derivados de naftoquinonas, que também exibem discreta atividade anticoagulante, segundo pesquisas mais recentes.
Desde que o assunto foi colocado em foco a alguns anos, por Valter Accorsi, Professor de Botânica da “escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz”, de Piracicaba, S.P. despertou o interesse pela pesquisa. Seminários e palestras foram realizados por vários grupos de especialistas e o estado de São Paulo, através de sua Secretaria de Saúde, chegou a nomear uma comissão, para o estudo do assunto.
A tarefa, entretanto, é extremamente árdua, diante de sérios problemas relacionados à determinação exata das espécies e isolamento de seus princípios ativos.
O princípio ativo responsável pela atividade anti-inflamatória não foi esclarecido, O seu estudo é relativamente difícil diante da complexidade de sua composição química.
Após ensaios fotoquímicos realizados com a casca de Tabebuia avellanedae, ao Lado de outras variedades do mesmo gênero, relataram a presença de inúmeras substâncias, e entre as quais, as sapogeninas, provavelmente, do tipo esteroide. Esta informação motivou a execução do presente trabalho.
Conclusões: O extrato bruto de saponinas de Tabebuia avellanedae, injetado por via entra-parenteral, apresenta baixa toxicidade;
O extrato de sapogeninas da mesma origem, em suspensão aquosa, possui atividade anti-inflamatória;
O extrato de sapogeninas não exerce nenhuma atividade específica sobre os intestinos isolados de ratos e cobaios;
Nas doses de 0,5mg e 2,5mg, o extrato de sapogeninas não apresenta ação analgésica.


Bibliografia: Revista da fac de farmácia e bioquímica Vol7/ 1969 – Seizi Oga , Instrutor da Faculdade de Bioquímica da USP – Tomhiko Sekino – Estagiária da faculdade de Bioquímica da USP.

Continuação das Plantas do Norte de Minas – Pedra Azul.

Coirana: Solanaceae – Centrum laevigatum, Schlecht
O banho feito com esta planta é indicado em inflamações e reumatismos.

Cordão de frade: Labiatae – Leonotis nepetaefolia, R.Br
O chá feito com inflorescência tem as mesmas propriedades que a Carqueja.

Corona Crista: Leguminosa mimosoideae – Acacia farnesiana, Will
Hortelã do brejo
Ao cozimento da raiz atribuem-se as mesmas propriedades neutralizantes de peçonhas do Assa-peixe

Erva de rato: Asclepiadaceae – Asclepias eurassavica, Linn
Vegetal muito abundante na região cresce nos pastos e é tóxica para o gado. As folhas machucadas são usadas sobre as feridas para uma rápida cicatrização. O látex desta planta, colocado em uma isca, banana, por exemplo, é tido como violento tóxico para ratos.

Erva de Sangue: Euphorbiaceae – Euphorbia pilulifera, Linn
O cozimento feito com a planta total é utilizado no tratamento da desinteria sanguinolenta.

Erva de Santa Maria: Solanaceae – Solanum nigrum , Linn
O sumo desta planta é indicado na erisipela, refrescando e aliviando a dor. Os frutinhos são apreciados.

Fedegosão: Leguminoseae Caesalpinioideae – Cassi alata, Linn
Este vegetal é recomendado com certos cuidados devido a tocidez. O chá tem ação purgativa, bastando para isso três botões germinativos; em doses menores é usado como digestivo. Segundo um clínico da cidade esta planta é empregada, ainda pelo povo, como abortiva.

Fedegoso: Leguminosae Caesalpinioideae – Cassia occidentalis, Linn
O chá da raiz é usado como estomacal, quando ministrado juntamente com aguardente, alho e pimenta do reino são empregados na gripe e tosse. Na região, com o fito de economia, usa-se a semente desta planta, depois de torrada, para fazer café, pura ou misturada com o pó de café.

Feijão andu: Leguminosae Papilionatae – Cajanus indicus, Spreng
A farofa feita com as smentes desta planta é tida como ótimo alimento.

Fumo bravo: Compositae – Elephantopus scaber, Linn
O chá da raiz é tido como tendo propriedades expectorante; é, ainda esta planta utilizada para combater carrapatos nos animais.

Hortelã do Brejo: Pontederiaceae – Heteranthera reniformis Ruiz & Pav.
O sumo das folhas é empregado para supurar furúnculos. O cozimento de toda planta é usado para banhos em crianças.

Limão Bravo: Rubiaceae – Basanacantha spínosa, K
Usam o cozimento da raiz deste vegetal para combater casaco e falta de ar.

CONTINUA

Biliografia: Sellowia – Anais botânicos – 1954 – R.J.Siqueira Jaccoud – Instituto Oswaldo Cruz-

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Plantas Medicinais do Norte de Minas Gerais

Observação e coleta de informações realizadas entre 24 e 27 de julho de 1952 na cidade de Pedra Azul.
Algodoeiro: Malvacea Gossypium herbaceum , Linn
O líquido existente no botão é usado, localmente contra dores de ouvido.
Anil : Leguminosa-Papilionatae – Indigofera anill, Linn
Emprega-se o sumo das folhas contra as sarnas de cachorro eporcos.
Assa-Peixe: Composta – Vernonia scabra, Pers
Vegetal muito abundante na região e cuja principal utilidade está em fornecer cinzas com as quais se fabrica sabão. É tida como tóxica. Ao pó obtido da raiz atribuem-se propriedades neutralizante de peçonhas de cobras, quando são os animais doméstico   picados por estes ofídios.
Bucha do Xavier: Rubiaceae – Mitracarpum frigidus, Schumann
As folhas deste vegetal, quando verdes, são usadas localmente em casos de reumatismo; contra piolho, usam-na machucadas.
Caiçara: Solanacea – Solanum auriculatum, Ait
O chá feito com raiz desta planta, além de sert recomendado como estomacal, o é ainda contra febres e sífilis.
Camará: Verbenaceae – Solanum auriculatum, Ait
O chá ou xarope praparado com esta planta é recomendado contra tosse.
Capim Açu : Gramineae – Anthaenantia lanata, Benth
O sumo desta planta é usado nas inflamações.
Capim colonião: Graminea – Panicum maximum, Jack
O chá feito com a raiz é usado nos estados gripais.
Cardo Santo: Papaveraceae – Argemone mexicana, Linn
As sementes trituradas e ministradas juntamente com óleo de rícino são indicadas contra dores de um modo geral e febres; moídas com azeite ou puras são empregadas contra a malária. As folhas amassadas com óleo de rícino são tidas como eficazes nas dores de pneumonia.
O fruto desta planta dá bom xarope e é ainda empregado para combater a sarna
Carqueja : Compositae – Baccharis genistelloides, Pers
O chá feito com ramos deste vegetal é tido como estomacal.
Carrapicho: Compositae – Bidens pilosa, Linn
O chá feito com esta planta é tido como diurético; é usado, ainda, com bons resultados, na icterícia.
Cezarinha: Loganiaceae – Buddleia brasiliensis, Jacq
Das raízes desta planta faz-se um chá que é empregado no combate às febres elevadas.
Chá de Tropeiro: Labiatae – Laurus sibiricus, Linn
Com as mesmas propriedades da Carqueja.
Cipó de Catitu: Bignoniaceae – Bignonia venusta , Kergawl.
O chá feito com ramos ou raízes desta trepadeira é considerado eficaz no tratamento da blenorragia.
CONTINUA
Biliografia: Sellowia – Anais botânicos – 1954 – R.J.Siqueira Jaccoud – Instituto Oswaldo Cruz-

O que são os Ipês?

Ipês são diversas espécies de Bignoniáceas, do gênero Tecoma, comumente denominadas Ipês, por ex: Tecoma Umbelatta, Mart; Tecoma Imperdiginosa, Mart; Tecoma Pedicellata, Burn e Schm, que por causa da cor de sua madeira ou também de suas flores, devem ser
IPÊ BRANCO- FLORIDO
mencionadas. As árvores de porte médio ou grande, de casca rugosa, folhas digitadas, escuras em baixo e clara na face oposta, com inflorescência em panículos ou umbelas, axilares e terminais, as flores grandes e belas, frutos em forma de capsulas sptifragas com sementes lateralmente comprimidas, arredondadas, aladas, sem endosperma.
Fornecem a matéria médica da casca, de preferência a camada liberiana ou entre casca, cujo cozimento é empregado como adstringente, em gargarejos em casos de estomatites ou feridas da garganta, principalmente nas úlceras de fundo sifilítico. As virtudes terapêuticas residem no óleo essencial (0,25 a 0,4%) que se pode extrair da casca e que tem um peso específico (15º) de 0,8892. Um cheiro de linalool, e cor levemente amarelada, sendo solúvel em dois volumes de álcool a 70%.
Cuidados no uso de infusões, alcoolaturas e pós
Principalmente Ipê branco e Ipê amarelo: “O preparo da droga deve ser feito unicamente por meio de água, pois outros veículos mesmo o álcool em fraca concentração põem em liberdade componentes de elevada toxidez contidos na entre-casca; suspeita-se a existência de diversos alcaloides”. Dr. Frederico W. Freise
Devido ao fato de a casca (mais ainda a madeira) do Pau Amarelo conter resinas diversas e porcentagens variáveis de ácido lapachonico (C15 H14 O3), o pó obtido para cozimento é ofensivo a pele e a garganta, produzido naquela pústulas, intumescências e fenômenos de queimadura; nesta escoriações epiteliais e feridas sanguíneas. Por causa disto, a alcoolatura da droga deve ser evitada, pois, possue incorporada grande parte destas matérias.
O uso interno de infusões mais forte que 1 parte de casca para 10 partes de água é  seguido de dejeções dolorosas acompanhadas de sangue e detritos da mucosa intestinal. “A análise de Freise revela grande quantidade de Ácido Crisofânico que talvez seja responsável por este efeito que impõem cautela ao administrar a droga”.

Bibliografia: Revista Brasileira de Farmácia – Maio/junho-1967 - Lauro P. Cavalcanti- Farmacêutico do Hospital Getúlio Vargas no Rio de Janeiro.

Frederico Sellow e as agruras de um botânico no século XIX

Frederico Sellow foi um dos maiores naturalistas do século XIX. Coletou minerais, animais e plantas, além de realizar levantamentos geográficos e fazer pesquisas geológicas. Escreveu no seu diário a seguinte nota sobre seu trabalho: “Para poder dar conta da procedência, porte, colorido das flores, o botânico é obrigado a colher o seu material pessoalmente. Por
isso, luta com maiores dificuldades do que o zoólogo. Nem sempre quando descobre uma planta interessante a encontra com flores e quando isso acontece ele constata, muitas vezes, que elas apenas também não bastam para resolver as dificuldades da classificação. Outras vezes, encontrando outra em frutificação, descobre também que com os frutos, ramos e folhas igualmente não têm elementos bastante para chegar a um resultado satisfatório”. Isto temos confirmado bastante vezes pela experiência pessoal quando, embrenhado nas florestas e nos campos, realizamos colheitas de espécimes. A experiência é de todos os botânicos que trabalham extramuros, mas muito maiores devem ser as dificuldades dos fitologistas que apenas lidam com espécimes secos dos herbários. Desconhecendo as matas e os campos naturais, eles passam, porém, a criticar e a censurar aos que coligiram os espécimes e que às pressas tiveram de etiquetá-los. Para este detalhe também o citado botânico tem no seu diário outro registro importante. Falando dos trabalhos do naturalista do campo e especialmente do botânico, ele escreveu: “E quando a colheita e o preparo do material têm de ser feitos numa época chuvosa, quando os dias de chuva se sucedem durante muito tempo, ou ainda quando se está acampado numa sombria e úmida floresta, onde tudo embolora e apodrece antes de poder ser guardado, então é que se leva a paciência e a resignação do botânico a mais dura prova”.
Nos conhecemos isto de experiência. Ainda agora de depois de passados quase 40 anos, chegamos a sonhar com os dias de semelhantes dificuldades que tivemos em Mato Grosso. As prensas cheias de material preciosos, com imenso empenho conseguidos nas viagens fluviais, nos pântanos pestíferos e nas sombrias matas, colocados num ângulo do toldo que se encolhe e forma brejos com água de chuva acumulada e o tão ansiosamente esperado raio de sol não aparece durante cinco ou dez dias seguidos. Secar o material ao calor do fogo torna-se inviável, devido carências de espaço sob o acanhado toldo. Finalmente, quando as nuvens desaparecem e o sol surge irradiante, abrindo-se as pressas, para mudar os papeis pelos que ao sol foram aquecidos, constata-se com tristeza que tudo está embolorado, podre e desarticulado.
Tornar a colher material é impossível, porque a tropa está pronta para receber as cangalhas para o prosseguimento do programa de viagem preestabelecido. Nas viagens fluviais, onde os acampamentos sempre têm de ser feito na sobra das matas ribeirinhas úmidas, o drama torna-se ainda mais impressionante, visto que se para apenas para pernoitar ou para almoçar, quando também se precisa fazer a colheita do que estiver florido ou frutificado nas proximidades.

Bibliografia: Relatório do Instituto de Botânica- F.C. Hoehne – Diretor do Inst. de Botânica de São Paulo -