domingo, 13 de agosto de 2017

Cará e inhame são alimentos antigos na culinária nacional.

Muito consumido no Norte e Nordeste do Brasil, o cará apresenta tamanho médio para grande, lembra muito a batata inglesa, tem casca lisa e interior branco. Já o inhame é pequeno e redondo, possui casca com mini raízes que lembram pelos, os quais formam linhas, e seu interior fica entre o cinza e o bege depois de cozido. 
Dioscorea bulbifera
No século XIX os caras foram estudados por Gustavo e Theodoro Peckolt e publicados suas histórias no livro História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil. Neste livro a Dioscorea bulbifera, Linn, Conhecida popularmente como batata de rama, Cará sapateiro, cará de espinhos, cará do ar ou cará de São Tomé.
Esta espécie é oriunda da Índia Oriental, mas foi introduzida no Brasil pelo holandeses que a trouxeram da ilha de São Tomé, tendo se vulgarizado de tal forma que pode ser considerada planta nativa.
Dioscorea aculeata
Eram usadas cozidas no preparo de diversos alimentos. Suco de cará cru é diurético em enérgico. Ralando as batas se faz cataplasma para resolver furúnculos.
Dioscorea aculeata, Linn vulgarmente conhecido como inhame da costa ou cará da Guiné é planta originaria da Índia, sua verdadeira pátria. Porém vegeta naturalmente na Oceania.
Cará roxo, Dioscorea purpúrea, Roxb . Planta introduzida no Brasil pelo Conde de Nova Friburgo. Hoje muito consumida na Amazônia.

 Dioscorea purpúrea
Em termos nutricionais, Tanto os caras como os inhames são consideradas bastante calóricas, possuem grande quantidade de vitaminas do complexo B, principalmente B5 (Niacina) e B1 (Tiamina), estimulando o apetite e auxiliando no processo digestivo. São ricos ainda em fibras solúveis, cálcio, ferro e potássio. O seu consumo é indicado também para pessoas que sofrem de gastrite e úlceras, por ser um alimento de fácil digestão e absorção. Só é preciso tomar cuidado com o seu consumo, pois 100 gramas do produto trazem cerca de 78 kcal. 

domingo, 6 de agosto de 2017

O Coco de Dendê é perfeitamente adaptado no Brasil

Esta palmeira é considerada oriunda da África tropical, e conforme Von Martius, não existem dados positivos sobre a sua introdução no Brasil, mas é quase certo que foram os escravos que introduziram o cultivo e adaptação da planta

O Dr. O. Drude considerada o Dendê indígena das regiões tropicais e equatoriais da América do Sul e crê que os seus frutos fossem levados desde épocas remotas, pela correnteza do mar ou por outro qualquer meio, para a Costa da Guiné onde, achando clima e tempo apropriados, se desenvolveu em toda a sua plenitude, não tendo sido até hoje encontrado propriamente em estado selvagem na região africana, mas somente cultivado nos lugares habitados.
Este sábio botânico é também de opinião que no Brasil deve existir uma ou mais espécies do gênero Elvis que mais se aproxime do Coco de Dendê, a não ser o Elais melanococa.
O coqueiro de dendê é cultivado em quase todos os estados tropicais do país.
O Coqueiro de dendê cresce muito lentamente e para o seu caule alcançar de 8 a 10m de altura são precisos uns 25 anos mais ou menos.
O seu caule trás na base as folhas, tendo em parte o pecíolo da mesmo ereto; é coroado na parte superior por 10-20 folhas de quase quatro metros de comprimento com os pecíolos armados de espinhos.
A inflorescência parte do meio das folhas em espádices ramosas as vezes em numero de 8, tendo as flores masculinas e as femininas separadas em 2 regimes diferentes, sendo cada um deles protegidos pro uma dupla espata; o cálice e a corola tem 3 divisões, as estaminas são em número de 6 e o ovário tem 3 lojas, achando-se duas obliteradas.
Por vários séculos o óleo de dendê foi falsificado, porque custava muito caro e havia grande falta de óleo no país; apesar da culinária africana e brasileira usar cada vez mais o óleo para o preparo de muitas iguarias. Hoje já temos produção nacional.
O óleo de dendê , recentemente fundido e introduzido em recipiente para conservação e cheio completamente, e depois fechados hermeticamente, conserva-se por tempo indefinido, não perdendo a cor amarelada, nem o seu aroma, e nem as outras propriedades, mas  ao ficar em contato com pequena quantidade de ar, altera-se descorando, rancificando pouco a pouco.
Essa transformação dá lugar à produção de uma certa quantidade de glicerina que segundo Pelouse e Boudet, diminui a proporção que o óleo torna-se mais rançoso, visto a glicerina se decompor e formar acido sebáceo.
Na medicina popular o azeite de dendê é usado para fricção, contra o reumatismo e também contra doenças de pele.

Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).



domingo, 30 de julho de 2017

Araucária no século XIX

É uma árvore colossal, magnifica, sempre verde, piramidal, com cerca de 50 metros de altura e seis de circunferência. Brota circularmente do tronco; folhas escamosas e ásperas, imbricadas; flores variadas no extremo dos ramos, reunidas em cachos de forma cônica, composta de escamas, sendo as masculinas colocadas verde exterior do fruto; as

sementes envoltas em cada as nas axilas das escamas; as femininas de forma oval, o fruto  com 15cm pouco mais ou menos, superfície escamosa que envolvem a semente, que são de forma cônica alongada, alojada em eixo comum, cujo ápice é voltado para fora formado a parte verde exterior do fruto; as sementes envoltas em cada escama da pinha, a proporção que se concentram, tomam uma cor avermelhada no ápice, mesclada  de manchas escuras; cada uma delas compõe-se de um tegumento duro e coriáceo difícil de romper; segue-se depois uma membrana delgada, avermelhada que envolve uma amêndoa branca oleosa, leitosa antes de madura.


O vegetal floresce no mês de agosto, levando de 10 a 11 meses para o completo desenvolvimento dos frutos.
No século XIX encontrava-se em estado selvagem por quase todo o Brasil, principalmente em regiões originalmente de Mata Atlântica. Em São Paulo e no Paraná havia matas extensas de Araucárias.  
É planta cultivada nos jardins como planta de adorno. As sementes denominada pinhão, privadas da parte coriácea, cruas ou cozidas, são usadas como alimento para o homem e animais. As amêndoas secas ao calor, e reduzidas a pó, fornecem uma farinha nutritiva de fácil conservação; torrada e misturadas completa e açúcar, dão uma bebida semelhante ao chocolate.
O óleo gorduroso é incolor transparente, sem cheiro, de consistência igual ao de rícino, de sabor desagradável empregado como purgativo.

O caule da árvore deixa exurtar um líquido aromático que, ao contato do ar, no fim de algum tempo, se endurece, sendo conhecido pelo nome de resina de pinheiro; a qual é usada internamente em xarope como peitoral; raras vezes externamente.
Esta goma resina, seca e exposta ao calor do fogo em vaso apropriado, amolece sem se fundir e sobre um forte calor arde com chama fuliginosa, espalhando aroma um pouco semelhante ao incenso.
A madeira do pinheiro é usada para construção civil e naval, podendo-se distinguir três variedades; branca, parda e vermelha, o que depende certamente do terreno e localidade onde cresce o vegetal.

Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil` (1888-1914).

Para saber mais: http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/iah/pt/verbetes/peckteo.htm

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O uso do óleo de caju na hanseníase

Hanseníase ou lepra é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae ou bacilo de Hansen, que se inicia, após uma incubação muito lenta, por pequenas manchas despigmentadas onde a pele é insensível e não transpira, e evolui para a forma tuberculosa (a mais comum), lepromatosa ou ainda intermediária; lepra.
Desde 1943 médicos cearenses começaram a experimentar o óleo de caju na Colônia de Maracanaú, Colônia Antônio Justa. A entrevistado Dr. Joaquim J
uarez Furtado.
- Quais as propriedades farmacêuticas do óleo de cajú?
- As experiências feitas em humanos revelaram que o óleo é um tônico que melhora o estado geral sem nenhuma inconveniência de intolerância. É eficaz em corrigir as metaplasias, principalmente as causas pelo basilos de Hansen nos fenômenos de oxidação e redução que se processam, normalmente, no sangue do homem.
- Antes de fazer, com o óleo de caju, as preparações que o Dr, Manoel Odorico de Morais, já fazia na Colônia Antônio Justa o senhor já conhecia os efeitos do óleo de caju?
- Sim devido aos índices físicos e nos ditos químicos revelados pela análises que efetuamos em amostras de óleo que nos forneceu o Sr Carlos Moreira. As prorpiedads químicas devem-se as condições em que se encontram, na molécula, dispostos os átomos que muitos chamamos de grupamentos funcionais por isto não são, de efeitp, pois são de propriedades químicas comuns a uma dada família de compostos.
Quando o poder oxidante ou o dito redutor de um dado composto é muito enérgico o corpo poderá, se introduzido num organismo vivo, perturbar o biofísico desse organismo. Se assim, o corpo deverá ser reputado, por isso tóxico. A toxidez, as propriedades farmacêuticas ou alimentícias de uma substância, depende da maneira como a substância age no organismo. A atuação dessa substância dentro do organismo será fatalmente, função de estrutura química da substância em referência. Depois da análise do óleo de caju, examinamos os índices físicos e químicos; pois eles são indicadores da estrutura dos componentes do óleo; o óleo de caju não é tóxico porque nele não se encontra nenhum grupamento toxico.  Após a conclusão inicial, fizemos as seguintes ponderações: o óleo de caju assemelha-se aos óleos animai porque no insaponificável dele, se acham os esteróis que tem extrema, nímia parecença com os do insaponificável dos óleos dos animais, por isso que o índice de Bolton Williams (índice de iodo e o insaponificável) indica a presença dos mesmos radicais encontrados no insaponificável dos óleos animais.
Apesar de negativas a reação de Carr Price, resolvemos fazer experimentações fisiológicas em animais e estas revelaram primeiro ( em coelhos e cobaias), que o óleo é inocente e, sobre ser inocente, é tônico; segundo ( em ratos) que o óleo corrige as metaplasias que ocorrem nos ratos ( especialmente as que se processam nos olhos). Observamos, que depois de injetarmos seis centímetros cúbicos do óleo em questão, em ratos com menos de cinquenta gramas e com vinte e poucos dias de nascidos, todos os sintomas de avitaminose A por nós provocada e traduzida nos olhos, por Keratomalacia e fotofobia desapareceram. Bem ponderado, o bacilo de Hansen produz, por seu alto poder oxidante, destruição parcial das vitaminas e, por último, da vitamina A tanto assim, que as metaplasias que se observam nos organismos dos leprosos se assemelham às ditas devidas à avitaminose A. Feitas estas ponderações, passamos a estudar o assunto com toda atenção. Depois de fazer uma preparação capaz de ser injetada, solicitamos o auxílio do preparador técnico do laboratório Eduardo Bezerra.
O Dr Odorico aceitou experimentar o nosso preparado em leprosos da colônia Antônio Justa. Um dos pacientes escolhido para experimentar o preparado foi uma mulher, forma lepromatosa avançada encontrava-se com intensa fotofobia, processo de keratite e dito de irite; outro homem, forma mista, portador de nevrite intensa e com as matrizes das unhas quase que inteiramente destruídas. Depois do uso de óleo de caju a fotofobia da mulher melhorou a ponto de permitir a saída doente do seu quarto o que havia muito tempo não acontecia; a irite estava também muito melhorada. No homem verificou, após tratamento a reconstituição lenta mas segura da matriz das unhas.

Bibliografia: Revista brasileira de Farmácia – fevereiro de 1945.

Para saber mais: http://www.cnpa.embrapa.br/produtos/algodao/publicacoes/trabalhos_cba4/065.pdf

domingo, 16 de julho de 2017

Início da Farmacognosia Brasileira

Farmacognosia foi um termo criado por Seydler em 1815, para designar uma nova ciência e sistematizar melhor o estudo dos medicamentos. Para expressar melhor sua nova forma de trabalho o autor publicou em 1832 um livro intitulado “Grundriss der Pharmakognisie de Pflanzenreich”. A palavra grega Pharmakon, significa substância medicinal, planta curativa ou veneno e Gnosis, conhecimento, assim esta palavra passou a ser usado por Guibourt, professor da Faculdade de farmácia de Paris para designar uma disciplina do curso de Farmácia, que deveria estudar os remédios a partir das drogas simples.

Antes dele no entanto, o químico alemão Theodoro Martius, já havia usado a mesma palavra para designar o estudo do princípios ativos das plantas que resultavam em remédio. Isto acontecia na Europa do começo do século XIX onde o desenvolvimento dos remédios e dos estudos de farmácia progredia vertiginosamente entre a Franca e a Alemanha.
A farmácia na Europa deste começo do século XIX era uma ciência natural que tratava do conhecimento, preparação, valorização, estabelecia preço de mercado, e conservação do medicamento.
Nestes primeiros anos desta nova ciência, farmacognosia, buscava-se estudar substâncias medicinais que provinham da natureza sem necessariamente estar relacionada exclusivamente ao reino vegetal. Assim, rapidamente se isolaram conjunto de fármacos minerais, depois animal. Entretanto, apareceram novas substâncias medicinais de origem biológica, assim como a síntese química, a copia sintética da natureza, e rapidamente se desenvolveram novas disciplinas e com isso a palavra e o ensino de farmacognosia se restringiu ao estudo de todos os medicamentos simples que normalmente se originavam das plantas medicinais.
Identificação botânica macroscópica da planta e separação dos princípios ativos conhecidos era o principal trabalho dos farmacêuticos europeus do século XIX.
No brasill deste mesmo período os estudantes de farmácia eram poucos, 7 a cada 10 anos, e os laboratórios de química só foram instalados nas faculdades de medicina, Bahia e Rio de Janeiro, na segunda metade do século. Com isso deixamos claro que a farmacognosia é um estudo que só passou  ser ensinada nas faculdades brasileiras, depois de muita discussão acadêmica, no inicio do século XX. Isto no entanto, não deve significar que os estudos farmacognosticos de nossa flora não começaram no século XIX.
No brasil deste mesmo período os estudantes de farmácia eram poucos, 7 a cada 10 anos, e os laboratórios de química só foram instalados nas faculdades de medicina, Bahia e Rio de Janeiro, na segunda metade do século, Com isso deixamos claro que a farmacognosia é um estudo que só passou a ser ensinada nas faculdades brasileiras, depois de muita discussão acadêmica, no inicio do século XX. Isto, no entanto, não deve significar que os estudos farmacognosticos da nossa flora não começaram no século XIX.
A Europa produzia cientistas demais para sua já muito pesquisada fauna e flora. O Novo Mundo, principalmente países de clima e florestas tropicais desafiavam os jovens cientistas do velho mundo. Por pouco tempo, alguns anos, ou para o resto de seus dias os jovens cientistas do começo do século XIX sabiam que do outro lado do Atlântico ls vieram para ficar e, entre os ficaram lhes aguardava o sucesso e as novas descobertas. Muitos vieram e voltaram para Europa, outros ficaram entre os que ficaram o mais brilhante dos primeiros farmacêuticos que se radicaram no Brasil., Theodoro Peckolt (1822 – 1912).
Peckolt desembarcou no Rio de Janeiro em novembro de 1847. Em 1848 começou a conhecer o interior do pais. Montado em um cavalo começou pelo Rio de Janeiro, Espirito Santo e Minas Gerais. Neste jovem Brasil haviam poucos médicos no interior e os conhecimentos farmacêuticos do jovem naturalista colocavam-no na posição de prestar serviços médicos aos doentes que o consultavam. Destes serviços recebia interessante presente para a sua coleção botânica. Cantagalo na Serra dos Órgãos, Rio de Janeiro. A cidade naqueles tempos tinha ricas plantações de café e belas matas intactas para suas pesquisas.
Pesquisou durante 10 anos para apresentar sua primeira obra na Exposição Nacional em 1861. “Catálogo Explicativo da Coleção da Pharmacognosia e Química Orgânica Enviada a Exposição Nacional de 1861” são os primeiros resultados de suas pesquisas que vem a público. Escreve o autor: “Tudo que minha coleção tem é feito por mim e não há nenhum produto estranho”.
As diversas análises executadas por mim acham-se publicadas, em parte, no Archivo de Pharmácia da Alemanha do Norte. Reparti a minha coleção em séries seguindo, mais ou menos o sistema Pharmacognostico.
A escolha da organização dos seus estudos o acompanha pelos seus 65 anos de pesquisa. Ao analisarmos toda a sua obra observamos que a qualidade e quantidade das informações das espécies colhida neste primeiro momento o acompanham durante toda a sua existência. Sua principal preocupação será, sempre, ensinar ao povo brasileiro a importância de sua fauna e flora, absolutamente desconhecida e desprestigiada na época.
Bibliografia: Peckolt, Theodoro e Gustavo - Historia das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil – (1888 a !914).

Para saber mais: Santos , Nadja Paraense - http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702005000200018

domingo, 9 de julho de 2017

Freire de Aguiar passa a produzir criolina

Em 17 de outubro de 1903, com grande alarde social, freire Aguiar, inaugurou na Rua Senador Euzébio a sua fábrica de produtos extraídos de hulha, um dos quatro tipos de carvão mineral.
Nesta ocasião o Dr. Luis Felipe não deixou por menos e realizou a vista dos presentes uma experiência interessante: Em um tubo de vidro, de 15 litros, colocou algumas larvas de mosquitos, derramou algumas gotas do produto de sua fabricação o phenogeno. Imediatamente as larvas morreram, ficando provado a grande importância do produto na desinfecção de água estagnada e depósitos de água, onde se desenvolvem as larvas dos mosquitos, que transmitem doenças como a febre amarela.
Hulha, minério de ferro
Os desinfetantes obtidos da destilação de hulha, muito auxiliaram no combate a várias epidemias principalmente a do Maranhão, em que o Phenogeno, cujo preço era inferior ao fenol, auxiliou a debelar o surto de peste bubônica.
Freire de Aguiar inventou e patenteou um aparelho a que denominou de “Simplex”, para ser adaptado as caixas de descarga dos vasos sanitários, lançando em cada descarga a dose exata de desifetentes. Também planejou e executou dispositivos para a desinfecção de banheiros públicos e carroça de lixo. Nem com todos estes benefícios sociais viabilizados pelos seus produtos, deixou o Dr. Luis Felipe de ter mais uma questão judicial, e desta vez com o inglês, Ed William Person com relação a marca de Creolina, pois o autor da “Creolina Pearson”, entendia que nenhum outro fabricante poderia usar o referido nome que o industrial britânico havia patenteado.
Freire de Aguiar teve de provar que o nome “Creolina” era genérico, encontrando-se em diferentes formulários e o supremo tribunal brasileiro, determinou que a Creolina brasileira poderia se chamar “Creolina Freire de Aguiar”, ficando proibido aos demais fabricantes nacionais o uso deste nome.
Freire de Aguiar foi um brasileiro dedica e empenhado durante toda a sua vida a tornar útil varias substâncias da flora brasileira, inclusive classificando vegetais.
Em 1888 o Barão de Ibituruna, agradeceu publicamente os relevantes serviços prestados por Freire de Aguiar a Inspetoria Geral de Higiene, pelas análises e correspondente parecer técnico, sobre os vinhos portugueses com vestígios de ácido salicílico. Estas análises foram feitas no laboratório da Faculdade de Medicina na presença de professores e alunos.
A primeira Magnésia fluida fabricada no brasil foi de autoria de Freire de Aguiar, ao tempo em que sua única existente no mercado era a francesa.

Suas incansáveis campanhas contra produtos estrangeiros, provocou severa fiscalização das autoridades sanitárias, e isso fez com que muitas destas fábricas se instalassem no Brasil. Entre estas a fabricante da Magnésia Fluida de Murray.
A indústria farmacêutica de Freire de Aguiar foi uma das primeiras a se interessar em fabricar extratos fluidos, principalmente de plantas nacionais, sendo que usava com êxito comprovado suas especialidades, que se constituíam de remédio feito com plantas da nossa flora.
Após persistente trabalho de pesquisa e com muitas experiências, conseguiu obter um processo econômico para a refinação do sal, e montou em Minas Gerais.
Em 1918, faleceu na cidade do Rio de Janeiro, Dona Rita de Cássia Godoi, mulher de Freire de Aguiar. Dois anos depois, como filho, Abelardo Freire de Aguiar, farmacêutico, assumiu suas funções frente a frente da indústria. Freire de Aguiar comprou uma farmácia em Barbacena e se mudou para a cidade mineira. Em Minas Gerais, exerceu suas funções de farmacêutico até morrer.

Bibliografia: Revista Brasileira de Farmácia – 1944/45


domingo, 2 de julho de 2017

A luta de Freire de Aguiar contar remédios falsificados no século XIX

Freire de Aguiar, primeiro fabricante de medicamentos no Brasil, venceu todas as batalhas pela sua fabricação da “Água Inglesa modificada”, voltou ao Rio de Janeiro e fundou outro laboratório na Rua General Câmara, mais tarde mudou seu estabelecimento para a rua Conde de Bomfim. Neste novo estabelecimento cedeu aos insistentes convites do seu colega e amigo farmacêutico o Barreto e organizou, em 1890 a “Companhia Química Industrial da Flora Brasileira”, da qual ficou apenas com o cargo técnico.
Tabletes de opio indicado para cantores e atores...
Numa série de artigos publicados em jornais do Rio de Janeiro, moveu honesta campanha contra produtos falsificados, nacionais e estrangeiros. Tinha por hábito exibir farta documentação provando suas afirmações. Em análise realizada nos laboratórios oficiais, e pessoalmente, provava a iniquidade de vários produtos importados, entre os quais o Elixir Alimentício de Ducro, que não continha nenhuma substância alimentar. Chapoteaut, farmacêutico francês, fabricou um preparado em que deveria entrar a pepiona; pelo exame realizado por Freire de Aguiar, na presença de médicos, farmacêuticos e jornalistas, provando que o elixir, que chegavam as prateleiras nas nossas farmácias, não possuía nem sombra de carne.
Em outra ocasião em sua farmáia, uma senhora pediu um vidro de xarope de Forget, o qual foi vendido. Momentos depois, essa senhora voltou muito aflita, porque sua filha estava envenenada. Examinando o medicamento, verificou que continha alta dose de cloridrato de morfina. Não deixou de comentar o ocorrido com as autoridades da Inspetoria de Higiene e tão pouco voltou a comprar o dito remédio importado.
Todos os seus produtos, entre os quais a “Àgua Inglesa modificada”, Xarope de Rabana iodado, Elixir Alimentício, Magnásia fluida, entre outros, tinham ótimo conceito na classe médica e o elixir de Jurubeba, mereceu do Dr. Domingos Freire, um parecer honroso, pois conseguiu regularizar de modo científico a preparação de jurubeba que sempre tinha irregularidade no preparo..
No governo de Prudente de Morais, sendo Ministro da Fazenda, Bernardino de Campos, (1897), Freire de Aguiar, manifestou-se pedindo proteção pra indústria farmacêutica nacional, que nesta época estava longe de ter um número grande de estabelecimentos, evitando a importação de remédios, que podiam ser produzidos no pais com toda a garantia de qualidade.

Bibliografia : Revista Brasileira de Farmácia 1944/45



quinta-feira, 22 de junho de 2017

Freire de Aguiar o fabricante da Água Inglesa

O proprietário da primeira indústria farmacêutica do brasil, foi também o patrono da cadeira de nº 20 da Academia nacional de Farmácia e chamava-se Luis Felipe Freire de Aguiar.
Luis Felipe nasceu na cidade do Rio de Janeiro, a 23 de agosto, filho de Luis Francisco Freire de Aguiar e Dona Francisca de Paula Fonseca de Aguiar.


Iniciou seu curso de farmácia em 1869 na Faculdade Nacional de Medicina no Rio de Janeiro, onde logo manifestou decidida vocação e se formou em 1871.
Serviu durante o curso no Hospital da Marinha como auxiliar de laboratório, passando depois a ocupar o lugar de segundo farmacêutico. Deixou o posto em 1874, para ter a sua farmácia no antigo Largo de Santa Rita. Associou-se a Farmácia Episcopal, a mais antiga das farmácias do Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar em prol da farmácia brasileira. Em 1877 tonou-se proprietário da Farmácia Episcopal.
Em 1876 casou-se com Dona Rita Lessa Godoi, filha do Desembargador Antônio Thomáz Godoi e neta do Barão de Diamantina. Deste casamento nasceram Tindaro Godoi Freire de Aguiar, Abelardo Freire de Aguiar, (farmacêutico), Astrogildo Freire de Aguiar e Luiza Freire de Aguiar.
Devido a vontade de se dedicar exclusivamente a manipulação de alguns preparados especiais de sua composição, que começavam a ganhar confiança, Luis Felipe Freire de Aguiar, vendeu a Farmácia Episcopal para montar um laboratório para produzir remédios e perfumaria.
Este é um tempo em que a grande maioria dos remédios consumidos pela população brasileira era importado da Europa. Também não era grande o número de profissionais que se formavam em farmácia, 20 alunos por ano era o total de formandos da Faculdade nacional de Medicina do Rio de Janeiro na última década do século passado.
O grande inimigo do aproveitamento das plantas medicinais brasileiras eram os remédios importados e o preconceito dos governantes e da população quanto a sua qualidade e a eficiência. Como ainda hoje, “o que é importado é melhor”.
No começo, o farmacêutico freire de Aguiar, teve de sustentar uma disputa judicial com uma fábrica de produtos medicinais, estrangeira, pois manipulava um produto de formula conhecida, e com o nome comercial de “Água Inglesa”. No Brasil a distribuição deste remédio era feito pela poderosa “Sociedade União dos Fabricantes Franceses”.
A Água Inglesa ou da Inglaterra, era um vinho de quina, muito usada como tônico e antiespasmódico. Até 1888 este produto no Brasil era considerado um segredo da família de André Lopes Castro, português, porém sua fórmula já fora escrita na Farmacopéia Tubalense, editada em 1760.
Freire de Aguiar estudou vários vegetais da nossa flora, e conseguiu elaborar  uma fórmula mais honesta e cientificamente perfeita e obteve a aprovação da sua Água Inglesa modificada. Para que o farmacêutico brasileiro conseguisse comercializar o seu produto precisa de uma autorização da inspetoria de Higiene, responsável pela qualidade dos medicamentos comercializados no país. Em 20 de outubro de 1888 a Inspetoria Geral de Higiene, expediu uma circular aos seus inspetores de higiene provinciais e aos droguistas declarando: “Que a Água Inglesa julgada por esta Inspetoria como a mais adequada a índole dos formulários brasileiros, é a do farmacêutico Freire de Aguiar”. Foi o que bastou para que a distribuidora francesa reagisse.
A Sociedade União de Fabricantes Franceses julgou-se prejudicada em seus interesses no Brasil, e entrou com processo judicial no foro de Ouro Preto contra Freire de Aguiar. Freire de Aguiar, sem nenhum auxilio, teve que arcar com todas as despesas dos processos, conseguindo triunfar, sempre até em última instância. Teve muito dissabores, por não querer ceder um só milímetro de seu direito, tal era a convicção que tinha do serviço que prestava a sua profissão.
Depois de vencer todas as batalhas pela sua “Água Inglesa modificada”, voltou ao Rio de Janeiro e fundou outro laboratório na rua General Câmara, mais tarde mudou seu estabelecimento para a rua Conde de Bomfim. Neste novo estabelecimento cedeu ao insistente convite do seu colega e amigo farmacêutico Paulo Barreto e organizou, em 1890 a “Companhia Química Industrial da Flora Brasileira”, da qual ficou apenas com o cargo técnico.
Em pouco tempo, dois anos, Freire de Aguiar viu o seu bem montado estabelecimento pedir falência. Nesta época sua indústria já tinha cem produtos, sendo muitos da flora nacional e outros de matéria prima estrangeira.

Bibliografia : Revista Brasileira de Farmácia 1944/45


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Os pioneiros no Extrato Fluido no Brasil

O Brasil desde o regime colonial adotava a farmacopeia Lusitana, e o Codex Francês passou a ser oficialmente admitido pelo decreto nº 8387 de 19 de janeiro de 1882. Assim, os brasileiros não podiam “oficialmente”, usar os extratos fluidos americanos. Só no período republicano, após 1889, começaram a fabricar no Brasil a fórmula americana. O Formulário do Dr. Chernoviz, o mais popular dos formulários farmacêuticos do século passado, trazia apenas duas fórmulas de extrato fluido de Hydrastis canadenses e Noz de Kola, formula transcrita da Deusse, única fabricante de extrato fluido na Europa.
Laboratório  da Casa Silva Araujo
Quem primeiro fabricou industrialmente no Brasil o extrato fluido foi o farmacêutico João Luiz Alves, estabelecido no Rio de Janeiro. Entretanto, quem primeiro escreveu uma monografia sobre o assunto foi o farmacêutico Francisco Giffoni, por ocasião da sua candidatura a membro titular da Academia Nacional de medicina, em 25 de maio de 1899.
As casas Giffoni, Silva Araújo e Granado tornaram-se grandes produtoras desta fórmula americana. Os catálogos da Casa Silva Araújo e Granado traziam 500 variedades, transformando praticamente todas as nossas plantas medicinais de uso corrente nos respectivos extratos fluidos. Os catálogos, desta casa também traziam à descrição das plantas, suas indicações terapêuticas, a posologia de cada extrato, e o modo de preparar cada uma das plantas. Sendo que na Farmacopeia de Rodolpho Albino consta o texto de preparação de 138 fórmulas destes extratos.

Bibliografia: Esboço Histórico dos Extratos – Professor Heitor Luz – revista Brasileira de Farmácia – 1941.
Extrato Fluido – Extensão de uso – Farmacêutico Raul Coimbra – Revista Brasileira de Farmácia – 1941

A Forma do Extrato Fluido – Professor Virgilio Lucas – revista Brasileira de Farmácia -1942

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Extrato fluido, da Teoria a Prática.

Em 1790, Fourcroy definiu os extratos como: “O extrato dos vegetais, não é como se crê um sabão, um composto de óleo de potassa, eu descobri propriedades novas. Esta matéria, que se dissolve na água, separa-se por exposição ao ar, absorvendo oxigênio, se tornando solúvel”. Essa afirmação provocou debates acalorados entre Vauquelin e Fourcroy, de uma parte de Deschamp, farmacêutico de Lyon, de outra. A luz começou a se fazer sobre a natureza complexa dos extratos. Fourcroy, após numerosos ensaios de laboratório com o extrato de quina, chamado simples, afirma que: “Por meio de álcool quente, o extrato de quina resulta em cinco corpos diferentes”.

Vauquelin aborda a questão e publica: “Sobre o princípio extrativo dos vegetais”.
Esta questão sobre os extratos entre Fourcroy e Vauquelin contra Deschamp impressionou o meio cientifico do final do século XVIII, porque era o atrito da velha química em guerra contra a nova química.
Parmentier, no curso desta discussão, faz experiências e descobre, em conjunto com Deyeux e Vauquelin,o que contem o suco dos vegetais: mucilagem, mucilagem ácida, açucarada, açúcar, resina, o extrativo, princípios corantes, princípios odorante para cada planta, tanino, fécula amilácea, glúten, enxofre, ácidos vegetais, por fim Parmentier escreveu e publicou 16 regras gerais para preparação do extrato, no seu “Codex farmacêutico para uso dos hospitais civis” em Paris 1811.
Em 1819 apareceu na Inglaterra um autor chamado Henry que escreveu uma memória sobre um novo aparelho para evaporar os sucos e outros líquidos por meio de vapor d’água. Depois veio o aparelho de Peletier, para evaporação por meio de vapor d’água sob compressão.
A Casa Dausse, de Paris começou a preparar extratos pelo processo do vácuo, com aparelhos modernizados e de rendimento satisfatório.
Os norte americanos inventaram os Extratos Fluidos e inscreveram as formulas que organizaram em sua Farmacopéia, em 1850, e o primeiro extrato fluido preparado por eles foi o de Salsaparilha.
Os farmacêuticos norte americanos, verificando os grandes inconvenientes que apresentavam os extratos moles e firmes, em consequência dos processos de preparação, idealizou essa nova forma que na prática farmacêutica é de grande vantagem.
Os extratos moles apresentam sérios inconvenientes de ordem técnica e prática. Os processos de preparação, exigindo a ação prolongada do calor, resultam produtos alterados na sua composição química pela formação de novos compostos, as vezes inertes, além de modificações em seus caracteres físicos.
Na prática, a maior dificuldade no seu emprego devia-se ao fato de ser pesado e não medido como o extrato fluido, os extratos moles são também de pronta alteração logo ao primeiro contato com o ar, o que resultava na prática farmacêutica, no uso de produtos contaminados, ressecados, e principalmente modificados na percentagem de seus princípios ativos.
O extrato fluido obtido por uma técnica especial, em que 80% da preparação deixamos de sofrer a ação nociva do calor, devendo assim, conter quase que integralmente os princípios ativos úteis da planta de onde provem, representando o próprio peso da planta dessecada ao ar, é de conservação indefinida, de fácil manejo na prática porque é empregado em volume e não em peso; substituindo a própria planta em todas as suas aplicações. Por isso sua propagação pelo país foi rápida, bem como em toda a América, enquanto que no Velho Mundo, Europa, o extrato fluido foi recebido com restrição e até mesmo hostilidade. Afinal, a vanguarda da produção farmacêutica do século passado era dividida entre Alemanha, França, Inglaterra e Itália.

(Continua)

sábado, 3 de junho de 2017

A História dos Extratos através dos tempos.

Em 1875 na escola Montpellir na França, o farmacêutico Petitot apresenta a sua tese “Considerações sobre os extratos empregados em farmácia”.
Segundo este autor quem primeiro deu aos medicamentos esta forma foi Chin-Neng Imperador da China, Chin-Neng, ano 2600 A.C., aplicava-se ao estudo das plantas, e após ter escrito uma história que ainda existe, sob o nome de “Ervanário de Chin Neng”, fez ensaios e análise de composição de extratos.

Esses extratos eram dados com precaução aos doentes e o imperador fazia verificar seus efeitos e suas propriedades, e assim lhe foi possível compor uma matéria médica.
No ano de 65 da era cristã apareceu uma pobra notável de Medicina e Botânica, escrita por Dioscoride, dividida em 5 livros, e que foi durante 15 séculos a matéria médica, dos turcos, dos árabes e de outros povos. Nesta obra há referência aos extratos, principalmente o de cicuta, obtida com o suco da planta e dessecada lentamente.
 Os árabes foram os primeiros farmacologistas que se preocuparam cuidadosamente e com bastante inteligência na preparação dos extratos.
No “Tratado dos Simples”, Ibn el Berthar, fala dos extratos dos fundos e Abd ex Rezza autor do “Revelador dos Enigmas”, tratado de matéria médica árabe, fala dos extratos de tâmaras e de uvas.
Nicolau Roépositus, em 1528, em seu “Dispensarium”, dá um capitulo especial sobre os sucos dessecados preparados espremendo as plantas, retirando o suco e fazendo evaporar ao sol ou sobre cinzas quentes. Menciona os extratos de alcaçuz, absinto e centáurea entre outros. Nesta época a palavra extrato não existia, e tais produtos eram denominados sucos dessecados, (de succis siccis).
Em 1530 já havia referência ao nome extrato, outros autores chamavam de extrações e outros ainda de tintura sólida, e a tintura líquida era chamada de extrações. Só em 1561 foi que a distinção se tornou patente. O “Guia do Boticário” do neste ano, fazia diferença entre extratos e tinturas terminando com a confusão.
Gaspár Schvenchfeld, no seu “Thesaurus Pharmacêticus”, dividiu os extratos em duas classes: Alterantes e Purgativos e do modo de prepara-los.
A “Farmacopeia de Valeius Cordus” também publicada em 1561 não falava dos extratos, mais tarde o Colégio dos Médicos, de Nuremberg, publicou uma edição oficial na qual figurava quatro extratos simples e cinco compostos.
Em 1610, Jean dde Vale, publicou em Gênova uma tradução “Grande Tesouro ou Dispensário e Antidotário” de J.J. Wcher, de Bale, na qual figuravam fórmulas de numerosos extratos, muitos dos quais usados em nossos dias.
Somente em 1624, os extratos passaram a ter uma significação bem clara. Esta definição foi escrita por Jean Béguin em seu livro “Elementos de Quimica”.
“Os extratos, assim chamados especificamente são tirados dos animais e dos vegetais , por meio de dissolventes ou mênstruos, (veículos empregados das plantas e devem variar na composição de conformidade com a composição química da parte do vegetal empregada), apropriados, como só: o espírito do vinho, o leite, a genebra, o hidromel vinhoso, a água de maçãs e outros ou melhor as águas destiladas”.
Em 1649 na “Farmacopeia Medico Química”, impressa em Lyon, de autoria de Jean Scheveder define os extratos como: “É a essência de uma substância separada da parte grosseira por meio de líquido e levado à consistência conveniente”.

(Continua)

sábado, 20 de maio de 2017

De Boticário a Farmacêutico as muitas lutas para o surgimento da profissão

Apesar das diversas instituições de ensino da farmácia pelo país no século XX, a passagem do comércio de botica para a farmácia como hoje conhecemos , custou muita luta e muito empenho para se consolidar. Afinal o hábito, na cultura popular, dificulta em muito as mudanças, por mais necessárias que elas sejam.
Dr Pedro Chernoviz
A própria lei que regulamentava o efetivo exercício da profissão persistia em chamar os farmacêuticos de boticários. O Regimento nº 829, de 29 de setembro de 1851, documento que regulamentava a profissão, fazia menção ao técnico de preparação dos medicamentos através da palavra “boticário”, e não se pense que a expressão dissesse respeito a profissionais sem diploma, pois o artigo 28 do referido regimento é claro: “os médicos, cirurgiões, boticários, dentistas e parteiras apresentarão seus diplomas...”
O hábito continuou até surgir o decreto 2055, de dezembro de 1857, onde ficou estabelecido as condições para que os farmacêuticos, não habilitados, tivessem licença para continuar a ter suas boticas. Uma ironia bem própria da cultura brasileira onde farmacêuticos e boticários, habilitados ou não, tinham pouca diferença para a média da população bem como para os legisladores, normalmente leigos em questões técnicas de farmácia.
O boticário dará definitivamente espaço ao farmacêutico depois de 1886. Isto no entanto não deve significar que o pais e suas faculdades de farmácia não produziram cientistas de nível nacional. É o caso de Luís Antonio da Costa Matos, que obteve um princípio antifebril da amêndoa de caju; Joaquim de Almeida Pinto, pernambucano, que estudou espécies da nossa flora e organizou um dicionário de botânica; Antônio Gonçalves de Araújo Penna, paulista que se dedicou a farmácia homeopática, dando-lhe grande impulso e popularidade. Ezequiel Correia dos Santos, fluminense, dedicou-se ao estudo das plantas medicinais brasileiras, procurando isolar os princípios ativos e obtendo em 1838, a pereirinha do pau Pereira, com a colaboração dos farmacêuticos Soullié e Dourado. Joaquim Correia Mello, paulista, exerceu a profissão em Campinas, onde se popularizou pelo apelido de
“Quinzinho da botica”, sua vocação era a botânica, estudioso e modesto, aplicou-se profundamente ao estudo da nossa flora, redigindo comunicações e memórias que foram publicadas nos anais da famosa “Linnean Society”, de Londres, da qual era o único sócio correspondente sul americano. Destaque especial para a farmacêutica da Policlínica do Hospital de São João Batista em Niteroi, RJ . Sua formatura foi um verdadeiro acontecimento social, pois fugia aos hábitos dos homens na profissão a época.
Em maio de 1841 aparecia com grande êxito o “Formulário do Dr. Pedro Luís Napoleão Chernoviz” e, no ano seguinte, o Dicionário de medicina Popular e Ciências Assessórias, contendo a descrição das doenças, sintomas e tratamentos, as receitas para cada doença; as plantas medicinais, as alimentícias, as águas minerais do Brasil, Portugal e de outros países. Esta obra tornou-se popular para o efetivo exercício da farmácia durante todo o século passado, e também era aceita como, bibliografia de base para a reformulação da Farmacopeia Brasileira de Rodolpho Albino, em 1947.
Foram sucessivas seis edições do Formulário, chegando a 1908; em 2 volumes de cerca de 1500 páginas cada um.
A farmácia no Brasil teve de vencer muitos obstáculos para se firmar enquanto profissão. Não era só o número de alunos reduzido nas faculdades, mas também a concorrência profissional dos químicos , botânicos, médicos, curandeiros, benzedeiras, comerciantes de seco e molhados e principalmente da pouca ou nenhuma escolaridade da grande maioria da população por vários séculos. Aliado a isso a necessidade de desenvolvimento científico nunca fez parte da cultura nativa.
O investimento para exercer a profissão não era pouco, afinal precisava de um número bastante respeitável de medicamentos simples e compostos, para efetivamente exercer sua profissão.


Para saber mais: https://www.bbm.usp.br/node/77

sábado, 13 de maio de 2017

As boticas e o ensino de farmácia no Brasil

A cidade de São Paulo em 1765 tinha três boticários, Francisco Coelho Aires, com seu comércio e moradia na rua Direita, Sebastião Teixeira de Miranda na atual rua Alvares Penteado e José Antônio de Lacerda na Praça da Sé.
A Real botica de São Paulo estava instalada onde hoje é o Vale do Anhangabaú precisamente, onde está o antigo prédio do Correio. O prédio para instalar esta primeira botica oficial na cidade foi construído em 1796 e demolido em 1916.

No tempo da Real Botica os remédios eram, na sua grande maioria, plantas medicinais, porém desde 1730 o brasileiro usava o mercúrio e o arsênico importados da Europa.
O ópio, a escamoneia, a rosa, o sene, o manacá e a ipeca já faziam parte dos remédios necessários para funcionamentos de uma botica. Pomadas e linimento tinham grande consumo, aliás o produto mais consumido era a pomada alvíssima, além do bálsamo católico, de Copaíba e a Água Vienense, que só entrou em desuso no começo do século XX.
As boticas do Rio de Janeiro, no entanto, eram adornadas “com estilo muito mais luxuoso que o comum das casas de comércio, isto é, de muito bom gosto. Em vez de balcão, como se costumava ter, tinham bem no meio uma espécie de altar, com a frente ornamentada com pintura e dourados; o motivo mais comum na pintura era alguma paisagem, um naufrágio ou um simples ramalhete de flores. Acima, no altar, a balança, os pesos, dois ou três livros velhos, oráculos, sem dúvida, da arte de curar”.
Os utensílios de laboratório, sempre despertou no cliente um olhar respeitador bem como muita curiosidade. Talvez por suas formas singulares, tão diferente da maioria dos objetos corriqueiros, talvez por indicarem ao leigo de alguma forma, as transformações que nestes locais se faziam, Na porta dos laboratórios o aviso “Proibida a Entrada”, só entravam o boticário, vestido com sua bata branca, e os auxiliares, geralmente moços de manga de camisa. O freguês ficava a espera da receita, que levava no mínimo uma hora para ser aviada além da grade de madeira ou de ferro.
Quando a família real portuguesa ruma para a colônia Brasil, o futuro país não tinha conseguido fazer chegar as suas terras qualquer dos avanços científicos que a Alemanha, França e Itália desfrutavam.
O Brasil era colônia portuguesa esquecida pela rainha D. Maria I, “A Louca”.
Não havia faculdade, as ciências de uma maneira geral eram privilegio dos que podiam estudar em Lisboa, Paris ou Londres.
Foi depois da vinda da família real, (1803) que o país, ainda colônia, adquiriu o direito de acompanhar os movimentos culturais e científicos do velho continente em curso a mais de um século.
O primeiro passo largo rumo a modernidade foi encabeçado pelo príncipe regente D. João VI, que admirava os estudos de história natural, bem como o trabalho dos naturalistas.
Em 18 de fevereiro de 1808, instituiu os estudos médicos no Hospital Militar da Bahia, por sugestão do cirurgião-mor do reino, Dr José Correia Pincanço, futuro Barão de Goiana, com ensino de anatomia e cirurgia, porém o ensino de farmácia só iniciou em 1824.
A intenção de D. João VI era formar médicos e cirurgiões para o exército e marinha, onde estava a elite econômica da época.
No Rio de Janeiro o rei instituiu o curso de medicina em 1809. Este curso era composto das cadeiras de medicina, química, matemática médica e farmácia. O primeiro livro desta faculdade foi escrito por José Maria Bontempo, primeiro professor de farmácia do Brasil, e chamava-se “Compêndios de Matéria Médica” e foi publicado em 1814.
Em 1818 o farmacêutico português instalado no Rio de Janeiro, José Caetano de Barros abriu o ensino gratuito a médicos, boticários e estudantes no laboratório de sua farmácia, sendo que as aulas de botânica eram dadas pelo carmelita pernambucano Frei Leandro do Sacramento, diretor do Jardim Botânico, e professor dessa disciplina na então Escola Médico Cirúrgica. As aulas de Frei Sacramento eram ministradas no Passeio Público do Rio de Janeiro.
Dentre os discípulos de José Caetano de Barros, destacava-se Ezaquiel Correa dos Santos, que veio a ser um dos pioneiros da farmácia no Brasil. Seu filho também farmacêutico tornou-se catedrático de farmácia na Faculdade de medicina do Rio de Janeiro entre 1859 e 1883.
O ensino de farmácia aconteceu em 1925 quando o curso passa a ter uma faculdade de farmácia, filiada, como a de cirurgia, botânica e medicina a Universidade do Rio de Janeiro.


(continua)

domingo, 7 de maio de 2017

As primeiras boticas do Brasil Colônia eram regidas pela Farmacopeia portuguesa

Quando o colégio dos jesuítas da Bahia foi saqueado e sequestrado em julho de 1760, ordem dada pelo Marques de Pombal, o desembargador incumbido da ação judicial comunicava a seus superiores, “ que tendo ele noticias da existência na Botica do Colégio de algumas receitas particulares, entre as quais a do antidoto ou “Triaga Brazílica”, havia feito as necessárias diligências para dele se apossar”. Mas a receita não foi encontrada em lugar algum na Bahia. Somente mais tarde foi ela encontrada na Coleção de Várias receitas, “e segredos particulares das principais boticas da nossa companhia de Portugal, da Índia, de Macau e do Brasil, compostas e experimentadas pelos melhores médicos, e boticários mais célebres. Aumentada com alguns índices, e noticias curiosas e necessárias para a boa direção, e acerto contra as enfermidades”. (Roma 1766).

Outa botica que se assemelhava a dos padres, era a da Misericórdia. De caráter semipúblico, tanto servia a seu próprio hospital como a cidade. Frei Vicente de Salvador refere-se também a existência de uma grande caixa de botica que os holandeses possuíam num forte baiano, e eram vinte e duas boticas (caixas) da armada luso espanhola.
As boticas só foram autorizadas, como comércio, em 1640, a sangria, também foi legalmente autorizada naquele mesmo ano e, resultou em competição entre os barbeiros e os escravos sangradores. A partir deste ano as boticas se multiplicaram, de norte a sul, dirigidas por boticários aprovados em Coimbra pelo físico-mor, ou por seu delegado comissário na capital do Brasil, Salvador. Estes boticários, que obtinham com a máxima facilidade a sua “carta de aprovação” eram profissionais empíricos, às vezes analfabetos, lavadores de vidros ou simples ajudantes, possuindo apenas conhecimento de medicamentos corriqueiros. Por causa de toda essa “felicidade”, muitas de botica, requeriam exame perante o físico-mor ou seu delegado e, uma vez aprovados, o que geralmente acontecia, arvoravam-se em boticários, estabelecendo-se por conta própria ou associando-se a um capitalista ou comerciante, normalmente do ramo de secos e molhados, que alimentava a expectativa dos bons lucros no novo negócio. Em todas as cidades do brasil, desde os primeiros tempos da colonização, foi hábito dos comerciantes de secos e molhados, negociarem com drogas e medicamentos, não só para uso humano como para tratamento dos animais domésticos, aos cuidados do alveitares (veterinários). Raras eram as boticas legalmente estabelecidas.
O comércio das drogas e medicamentos era privativo dos boticários, segundo o que estava nas “Ordenações”, conjunto de lei usados no Brasil durante todo o período colonial, reformada por D. Manuel e em vigor desde o princípio do século XVI, bem como por leis e decretos complementares. Foi com base nesta legislação que o físico-mor do reino, por intermédio de seu comissário de São Paulo, ordenou o cumprimento integral do regimento baixado em maio de 1744. Com isto intensificou-se a fiscalização do exercício dessa profissão, pois o regimento proibia terminantemente o comércio ilegal das drogas e medicamentos, estabelecendo pesadas multas e sequestro dos respectivos estoques, Houve, busca e apreensões das mercadorias proibidas, que foram depositadas nas boticas locais. Foi um “Deus nos acuda”.
O regimento foi feito a partir de uma ordem do Conselho Ultramarino de dois anos antes. A orem fora dada ao Dr. Cypriano de Pinna Pestana, físico-mor do reino, para que não desse comissão a pessoa alguma, que no Brasil servisse por ele, esta comissão só poderia ser dada a um médico formado pela Universidade de Coimbra, e que mesmo físico-mor faça um novo regimento da forma em que os seus comissários deveriam proceder nas suas comissões e qual o salário que deveriam receber. “E que fizesse também um regimento para os Boticários do dito estado com atenção as distâncias, que ficam as terras litorâneas. Ficando advertido que tanto os ganhos dos seus comissários como os preços dos medicamentos nunca deveriam exceder o dobro, dos preços praticados no reino e que feito tal regimento deveria ser remetido ao Conselho”.
Quanto ao exame prestado pelos candidatos a boticários, bem como a inutilização das drogas eventualmente deterioradas, desde a sua chegada aos portos, e a fiscalização das boticas, tudo se faria de acordo com o regimento: legalização do profissional responsável; existência de balança; pesos e medidas; estado de conservação das drogas vegetais, principalmente as importadas; medicamentos galênicos; produtos químicos; vasilhames e ocasionalmente, a existência de alguns livros. As inspeções das boticas seriam rigorosas e realizadas a cada três anos. Este regimento foi considerado modelar para a sua época.
Em completo atraso e carência de preparo, os boticários de Portugal e das colônias portuguesas, tinham como guia a obsoleta Farmacopeia Galênica Quimica de Joan Vigier, data de 1716, e em 1735 aparecia a Farmacopéia Tubalense Quimica Galênica, teórica e prática, de Manoel Rodrigues Coelho, boticário da corte, que visava ter seu trabalho autorizado pelo governo, o que não conseguiu.
Em 1722 apareceu a obra de frei João de Jesus Maria, monge beneditino e boticário do convento e, finalmente, publicada por ordem de D. Maria I.
Em 7 de abril de 1794 foi mandada adotar a Farmacopeia Geral para o Reino de Portugal e Domínios, de autoria de Francisco Tavares, professor da Universidade de Coimbra, obra cujos preceitos não era lícito ao profissional se afastar, mesmo quando o próprio autor a reconheceu insuficiente, sendo por isso, o mesmo autor, levado a escrever uma Farmacologia, em 1809.

Para saber mais: http://www.jornalconceitosaude.com.br/a-historia-da-farmacia-a-historia-da-farmacia/


segunda-feira, 1 de maio de 2017

Pequena História da Farmácia Brasileira

Os primeiros povoadores, náufragos, degredados, aventureiros e colonos aqui deixados por martim Afonso, tiveram de valer-se de recursos da natureza para combater as doenças, curar ferimentos e neutralizar picadas de insetos.
Para combater a agressividade do ambiente, e a hostilidade de algumas tribos indígenas os primeiros europeus tiveram de contornar a adversidade com amabilidade, e com isso foram aprendendo com os pajés a preparar os remédios da terra para tratar seus próprios males.
Remédio da “civilização” só apareciam quando expedições portuguesas, francesas ou espanholas apareciam com suas esquadras, onde sempre havia um cirurgião barbeiro ou algum tripulante com uma botica portátil cheia de drogas e medicamentos.

As coisas ficam assim até que a coroa portuguesa resolveu instituir no Brasil o governo geral, e o primeiro a ser nomeado foi Thomé de Souza, que veio para a colônia com uma armada de três naus, duas caravelas e um bergantim, trazendo autoridade, funcionários civis e militares, tropa de linha, diversos oficiais, ao todo aproximadamente mil pessoas que se instalaram na Bahia.
Vieram também nesta armada seis jesuítas, quatro padres e dois irmãos, chefiados por Manuel da Nobrega. O corpo sanitário da grande armada compunha-se de apenas um boticário, Diogo de Castro, com função oficial e com salário. Não havia nesta armada nenhum físico, denominação de médico na época. O físico-mor, só viria a ser instituído no segundo governo de Duarte da Costa.
Dentre os irmãos destinados ao sul do país, estava a criatura humilde e doentia de nome José de Anchieta. Os jesuítas eram mais práticos e previdentes que os donatários e, até do que os próprios governadores-gerais, e trataram logo de instituir enfermarias e boticas em seus colégios, e colocando um irmão para cuidar dos doentes e outro para preparar remédios. Em São Paulo o irmão que preparava os remédios era José de Anchieta, por isso podemos considera-lo o primeiro boticário de Piratininga.
Anchieta relata em suas cartas: “Em nós outros tem médicos, boticários ou enfermeiros...todavia fiz-lhe eu os remédios que pude...”
A princípio os medicamentos vinham do reino já preparados. Mas a pirataria do século XVI e as dificuldades da navegação impediam com frequência a vinda de navios de Portugal, e era preciso reservar grandes provisões como acontecia com São Vicente e São Paulo. Por estas  razões os jesuítas terminaram sendo os primeiros boticários da nova terra, e nos seus colégios as primeiras boticas onde o povo encontrava drogas e medicamentos vindos da metrópole bem como, remédios preparados com plantas medicinais nativas através da terapêutica dos pajés.
Importantes boticas sob a direção dos jesuítas tiveram a Bahia, Olinda, Recife, Maranhão, Rio de Janeiro e São Paulo.
“Por muito tempo, diz o padre Serafim Leite, as farmácias da companhia foram as únicas existentes em algumas cidades. E quando se estabeleceram outras, as dos padres, pela sua notável experiências e longa tradição, mantiveram a primazia. O colégio do Maranhão possuía uma farmácia flutuante, o Botica do Mar, bem provida, que abastecia de medicamentos os lugares da costa, desde o Maranhão até Belém do Pará”.
A botica mais importante dos jesuítas foi a da Bahia, sua importância a tornou um centro distribuidor de medicamentos para as demais boticas dos vários colégios de norte a sul do país. Para isso, e como a Bahia mantivesse maiores contatos com a metrópole, os padres conservavam a botica bem sortida e aparelhada para o preparo de medicamentos, iniciando, inclusive, o aproveitamento das matérias primas indígenas.
Os jesuítas possuíam um receituário particular, onde se encontravam não só as fórmulas dos medicamentos como seus processos de preparação. Havia também método de obtenção de certos produtos químicos, como a pedra infernal (nitrato de prata).
O medicamento extraordinário, no entanto, a penicilina da época, era a Trígara Brasílica, que se manipulava mediante fórmula secreta. Essa trígara, se usava contra a mordedura de cobra, varias doenças febris, e principalmente como contraveneno, tinha grande fama e era considerada tão boa quanto a de Veneza, pois agia pronta e rapidamente com a vantagem de, em sua composição, entrarem várias drogas nacionais de comprovada eficiência.
(Continua...)