sábado, 14 de outubro de 2017

Alocasia macrorrhiza é veneno para o gado

É planta oriunda do Ceilão a Alocasia macrorrhiza, Schott cultivada no Brasil desde 1858. Aclimatou-se tão bem que em alguns lugares parece nativa.
Tem o caule de 2 a 5 metros de altura com 20 a 30 cm de diâmetro; com as folhas
longamente pecioladas; ovais agudas de 60 cm de comprimento; a inflorescência acha-se em um longo pedúnculo de 15 a 20 cm de comprimento, protegido por um espata de 21 cm de extensão; o fruto é uma baga de cor amarelada de 1 cm de comprimento sobre 7 cm de diâmetro.
A raiz tuberosa é mais ou menos cônica e às vezes atinge a 1 ½ de comprimento por 33 cm de diâmetro.
A sua cor é mais ou menos pardacenta e a parte interna Carnosa é leitosa e de cor avermelhada um pouco esbranquiçada para o centro, não tão mucilaginosa como outras espécies.
Essa tubera contusa produz, em contato com a epiderme, um prurido insuportável desenvolvendo-se uma erupção semelhante a de um eczema.
O suco leitoso que enxurda em pequena quantidade da raiz tuberosa.
Flor de Alocasia indica
A cultura desta planta  que no passado era feita em grande quantidade pelos fazendeiros, foi abandonada por não servir de alimento para os animais., pois produz emagrecimento no gado.
Na Índia utilizam-se desta planta, principalmente das folhas e do caule, para alinwro dos animais, porém antes são submetidas a uma cocção de algumas horas por serem toxicas quando não são bem cozidas.
As folhas tenras da planta depois de bem cozidas são tidas como um bom legume.
As folhas contusas são aplicadas em cataplasmas nas inflamações do corpo e também como antidoto na picada de insetos venenosos.

Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).


terça-feira, 10 de outubro de 2017

Um alimento que se confunde com medicamento

Xanthosoma sagittifolium, já teve o nome científico de Xanthosema villaceum, Schott e Arum nigrum, Velloso.
Popularmente conhecida como Taya, Taya-rana, Taya-uva, Tajá buasú, Tajal, Tayá-rans, Inhame taioba
No século XIX era uma planta muito cultivada nas regiões tropicais, porém é oriunda da Índia ocidental.
Folha de Taioba
Seu rizoma tuberoso parte das folhas que são ovais, de 20-30cm de comprimento com 15 -30cm de largura, com face superior de cor verde escura e a inferior de cor verde esbranquiçada; os  pecíolos que sustentam estas folhas são grossos, carnosos de 30-40cm de comprimento e de cor verde arroxeada.
A inflorescência é um espádice de 23 cm de extensão protegida por espádice tubular de 10 cm de comprimento, com a face externa de cor verde acinzentada, tendo as margens arroxeadas e a face interna de cor branca esverdinhada.
Rizoma de Taioba
O seu rizoma tuberoso assemelha-se ao do inhame e é conhecido por inhame de taioba; é de cor pardacenta, cheia de raízes fibrosas e circundado por muitas tuberas de vários tamanhos que servem para transplantação.
As tuberas e as folhas de taioba, depois de cozidas, servem de alimento, e o povo aconselha o seu uso na anemia e na opilação.
As folhas contusas são empregadas em cataplasmas nos furúnculos.
O inhame de taioba é carnoso, com a parte interna branca, mucilaginosa e um pouco leitosa. Este Inhame às vezes pesa mais de um quilo.
As tuberas têm a parte carnosa branca, mucilaginosa e um pouco leitosa.
Este suco leitoso ao contato do ar adquire a cor castanha.
Entre os legumes usados pelo povo sobressaem as folhas da tayoba por conterem iodo que podemos avaliar na proporção de 3 mm para mil grama de folhas frescas, as quais servem de alimento nutritivo por contarem com muito azoto.
O valor nutritivo deste alimento é o que aumenta a importância do seu cultivo.
É planta silvestre nos terrenos úmidos dos estados do sul e sudeste.


Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).

domingo, 1 de outubro de 2017

O Mangarito é o manjar das Américas

Xanthosoma sagitifolium, Schott popularmente conhecido como Mangarito ou Mangará mirim ou Mangarito.
Folha de Mangarito
É oriundo das Antilhas, tendo sido introduzido no Brasil pelos holandeses e geralmente cultivado em quase todos os estados tropicais.
É vegetal herbáceo que atinge um metro mais ou menos de altura; com as folhas ovais sagitadas, lobadas, de 50 cm de comprimento e com o pecíolo de um metro de extensão; inflorescência em espádice protegida por uma espada tubulosa de 6 a 7cm de comprimento e três a quatro de largura.
Desta espécie distingue-se as 3 variedades:
Mangarito Negro: de rizoma tuberoso, grande, circundado por pequenas tuberas de cor preta com a parte carnosa amarela escura e leitosa.
Rizoma de Mangarito amarelo
Mangarito Roxo: rizoma tuberoso, grande, acompanhado de pequenas tuberas arredondadas, tendo a epiderme de cor castanha na face externa e na interna de cor arroxeada; com a parte cernosa leitosa e de cor alaranjada.
Mangarito Branco: rizoma tuberoso, oblongo, achatado na parte superior, de 8 a 12 cm de comprimento sobre 6 a 8 de diâmetro; com a epiderme de cor pardacenta e a parte carnosa branca, muito pouco leitosa.
Este rizoma tuberoso é acompanhado de pequenas tuberas arredondadas, tendo a parte carnosa branca e isenta de suco leitoso.
Destas três variedades a terceira (mangarito branco) é a mais cultivada e procurada para a alimentação.
Rizoma de Mangarito Roxo
Do mangarito dedo de negro e do mangarito roxo só são usada para a alimentação as pequenas tuberas e o rizoma tuberoso, as folhas e os pecíolos servem depois de cozidos para sustento dos suínos.
As folhas do mangarito branco são empregadas na culinária como legume e as suas tuberas, assim como o rizoma tuberoso, são empregados misturados com farinha de milho para o fabrico de broas.
Estes rizomas servem de alimento no lugar de batatas; é um alimento bom e nutritivo.
O plantio destes mangaritos é feito por meio das pequenas tuberas.
O Mangarito roxo é o mais nutritivo um cloreto de ferro é o que dá a coloração azul quando sai líquido da tubera.

Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).

domingo, 24 de setembro de 2017

O fruto de banana de Imbé e açúcar vira doce.

É um arbusto elegante. Que geralmente atinge de dois a três metros de altura, sobre 10 -15cm de diâmetro tendo caule marcado pelas cicatrizes deixadas pelas folhas que caem; coroado no ápice por um grande número de folhas coriáceas recortadas, lustrosas na face superior e opacas na inferior, com o pecíolo de ½ metro de comprimento e de 1cm de diâmetro; inflorescência em espádices protegida por uma espada oval oblonga e coriácea tendo a face externa de cor purpura e a interna esbranquiçada.


Fruto de Macaco
Os frutos são bagas globosas de cor amarelada semelhante a uma grande espiga de milho.

Floresce no mês de setembro e tem fruto em fevereiro é comum no sudeste brasileiro.
Philodendum penatifolium


O fruto é muito apreciado pelos indígenas, assim como pelos macacos e morcegos.
As sementes são tidas como vermífugas.
As bagas maduras são carnosas, suculentas, mucilaginosas, de sabor acido adocicado um pouco desagradável e são usadas também para doces.
Os frutos são comestíveis e misturados com açúcar servem para confecção de doces. A raiz é tida como drástica.
Desta espécie existem muitas variedades, todas cultivadas como plantas de adorno para jardins.


Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).

domingo, 17 de setembro de 2017

A raiz da Jararaca é antidoto para picada de cobra

A raiz tuberosa emite uma haste de ½ a 2 metros de comprimento sobre 2 a 4 cm de diâmetro, manchada de preto e branca esverdeada que dá a aparência de cobra jararaca, tendo no ápice uma ou duas folhas lobadas e invaginantes. A inflorescência é um espádice cilíndrica de 4 -5 cm de extensão, protegida por uma espada de cor arroxeada, de 10 a 20cm de comprimento.

Habita a Mata Atlântica entre os estados do Rio de Janeiro, Minas, Espirito Santo e Bahia.
Sua tubera é suculenta e contusa, espalha um forte aroma de rabão, o seu suco tem cor amarelada de sabor ligeiramente ácido e provoca ardor na faringe. Este suco fervido perde estas propriedades, depois de algum tempo em repouso torna-se gelatinoso pela quantidade de matéria pectinosa que contem.
A raiz tuberosa, assada sobre brasa, serve de alimento aos indígenas.
A tubera contusa com aguardente e dado em pequenos cálices, como antídoto do veneno das cobras, aplicando o resíduo da polpa sobre o lugar da mordedura.
A raiz tuberosa seca reduzida a pó é também aplicada na dose de 1 a 2 ml para ser tomada contra a mordedura de cobras; na asma, dá-se o pó na dose de 50centigramas 2 vezes ao dia; na clorose, na amenorreia dá-se 30 centigramas 3 vezes ao dia e na coqueluche na dose de 3 a 5 centigramas 4 vezes ao dia, conforme a idade.
As folhas e as hastes contusas são empregadas vulgarmente para a cura das ulceras de mau caráter, para aplicar na forma de pasta sobre as mesmas, 2 vezes ao dia.
Dizem que envolvendo os queijos nas folhas desta planta preserva-se dos bichos.


Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).

domingo, 10 de setembro de 2017

O Agave Americana tem coração com água de mel.

Agave Americana, Lin é uma planta vivaz que cresce espontaneamente no México sobre os rochedos, e a muito tempo cultivadas no brasil ara ornamentação de jardins.
As suas folhas tem 3 metros mais ou menos de comprimento; são carnosas e cheias de dentes espinhosos, dispostas em roseta ao redor de uma pequena haste de onde parte o ramo florífero que somente se desenvolve dez ou doze anos. Esse ramo florifico, ou mais propriamente longo pedúnculo, cresce tão rapidamente que, no fim de alguns dias, atinge muitos metros de comprimento; termina por uma inflorescência em forma de candelabro, muito ramosa com milhares de flores amarelas mais ou menos esverdinhadas; o fruto é capsular e tem muitas sementes achatadas; as raízes são fibrosas.
Agave Americana, Lin
Os indígenas do México extraem do pedúnculo floral denominado por eles de “Coração”, um suco conhecido por água de mel que dá depois de fermentado, uma bebida alcoólica muito apreciada por eles denominada Pulque ou Octli.
Para a extração desse suco seguem o seguinte processo: Cortam as folhas menores e mais centrais, depois aparam as outras de maneira que deem entrada ao individuo encarregado de fazer o corte no grande pedúnculo, que é cortado na parte inferior por meio de uma espécie de colher de ferro de cabo comprido de modo que se possa acumular uma  certa quantidade do liquido que é retirado por meio de uma cabaça comprida e daí acondicionada em bolsas de couro que são levadas para as adegas onde o liquido fermenta rapidamente.
Esta seiva é retirada durante quatro meses mais ou menos, regulando fornecer cada planta perto de duzentos litros.
O líquido possui um sabor adocicado, acido no momento da extração, e a bebida fermentada se assemelha ao vinho de maças, tem cor opalescente e um aroma particular que,  pelo uso de um método aperfeiçoado, pode se obter um liquido alcoólico transparente de aroma não agradável.
Esta bebida dá pela destilação uma aguardente semelhante ao arrac denominada Mexical.
Nas Antilhas e Equador, onde a planta é também muito cultivada, o suco é evaporado a consistência de mel em vez de açúcar que é conhecido por Chaquasmisque.
Das folhas do vegetal se extrai grande quantidade de fibras conhecidas  por fibras de aloés ou de pita que servem para fabrico de cordas, de diversos tecidos.
Os antigos habitantes do México preparavam antigamente com as folhas uma qualidade de papel duro no qual escreviam e desenhavam com tintas especiais, de diferente cores de origem vegetal, tintas essas tão firmes que hoje encontram-se exemplares com diversos  hieróglifos em  perfeito estado apesar dos 400 de sua existência.
O suco fresco extraído das folhas é considerado um bom diurético e usado os cálices contra os cálculos biliares; na dose de algumas colheres por dia, é empregado nas obstruções do fígado e também como antissifilítico.
A raiz tem o mesmo uso da salsaparrilha. Os novos rebentos do pendunculo floral são usados na culinária.

Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).

domingo, 3 de setembro de 2017

A Carnaubeira e suas muitas utilidades no século XIX

Esta palmeira, que é uma das mais vulgares da província do Ceará, habita também as províncias da Bahia, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, mato grosso, Pernambuco e Maranhã.
Carnaubeira , Copernicia cerifera, Mart.
Este vegetal resiste tanto as grandes inundações como as mais rigorosas secas.
Na província do Ceará, que é quase sempre flagrada pela seca, desaparecendo campos verdejantes e até as matas espessas, as florestas de carnaubeiras são as únicas que se conservam em seu belo estado.


A madeira do tronco é fibrosa, muito dura, leve, de cor pardacenta riscada de preto. É madeira é usada na construção civil.
Da medula do tronco extrai-se uma fécula amelace semelhante ao sagu é muito branca.
O pedúnculo floral, antes de completo desenvolvimento, extrae-se um suco adocicado que serve de bebida e pela fermentação fornece um liquido alcoolico semelhante ao vinho e de sabor agradável.
O palmito é muito saboroso e apreciado na culinária.
As folhas fornecem um pó escamoso muito leve e de cor cinzenta amarelada.
Para a extração desta cera, que cobre as folhas novas, principalmente na face inferior, cortam as folhas antes do seu desabrochamento deixam expostas ao sol até secarem, depois de batidas com pequenas varasaté não sair mais pó algum e neste estado a cera apresenta mistura com muitas fibras.
Para purificar a cera bruta fundem-se so misturado com água, depois coam e deixarão esfriar.
Cada palmeira regula ter 6 a 10 folhas novas, mas que não devem todas ser cortadas ao mesmo, tempo, para que a planta não morra, deixando sempre as mais novas; mas, como o seu desenvolvimento é rápido, podem cortar as folhas duas vezes por ano.
A cor de carnaúba que existe no comercio é em massa compacta, dura, quebradiça e de cor amarelada lustrosa.
As folhas da palmeira, além de fornecerem cera, servem para cobrir casas, para o fabrico de cestos, leques, chapéus, esteiras, vassouras e papel.
Os frutos verdes, depois de fervidos em água até tornarem-se moles e aquecidos com leite, servem de alimento. Quando maduros, tem uma parte polposa, de sabor adocicado e no tempo das grandes secas servem de alimento ao gado.
A amêndoa, socada e fervida com água ou leite, dá um mingau que é muito apreciado como alimento pelos habitantes onde a planta cresce.
Torras as amêndoas são usadas em infuão como café.
O óleo é de cor esverdeada, tema consistência do sebo.
As raízes da Carnaubeira são cumpridas de 5mm de diâmetro, cor pardacenta avermelhada na face externa, e , na interna, ligeiramente fibros, e de cor acinzentada.
Estas raízes assemelham-se as japecanga e são usadas em vez de salsaparrilha contra as afecções cutâneas, artríticas e sifilíticas. O cozimento é feito na proporção de 60 grs de raízes para 1 litro de água que é usado na dose de 3-4 cálices por dia.
Os indígenas e os sertanejos extraem das cinzas da raiz um sal, que é empregado da mesma maneira e para os mesmos fins que o sal de cozinha.

Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).

domingo, 27 de agosto de 2017

As bromélias brasileiras e suas muitas utilidades no passado


Não há quem conheça uma bromélia em flor e não se apaixone por esta família. Sua graça está na diversidade das cores e formas de suas flores.. Como as orquídeas têm a sua diversidade de colecionadores, fotógrafos, adoradores e ilustradores. As ilustrações mais antigas deste vegetal são de Piso e Macgraf, holandeses que primeiro ilustram a flora brasileira, depois foi a vez de Frei Veloso que em preto e branco no bico de pena ilustrou uma diversidade enorme de bromélia. Porém nada em beleza se iguala a coleção de ilustrações de Margaret Mee. Naturalista inglesa que esteve por vários anos nas matas pelo Brasil ilustrando com singularidade as nossas bromélias.
Aqui, no entanto, vamos falar da utilidade destas plantas para os brasileiros do século XIX através do trabalho dos farmacêuticos Theodoro e Gusta Peckolt.
O Caroatá habitava terrenos desérticos no vale do São Francisco e no Ceará.
Gravatá
Os indígenas extraiam das folhas uma fibra forte que servia para o fabrico de redes. Este gênero foi estudado pela primeira vez pelo botânico Gustave Johannes, que publicou seu trabalho em 1772 e depois Karlskrona, um botânico da Escandinávia, publicou uma evolução do primeiro trabalho em 1811.
A espécie popularmente conhecida como Barba de Velho ou Crina vegetal era usada para encher almofadas e colchoes. Para os pássaros, Papa-moscas, eram úteis para fazer os ninhos.
A planta verde era usada em cozimento contra problema do fígado; fervida com, banha é usada como anti-hemorroida, já a planta amassada era usada contra hérnia.
Na medicina popular, os frutos do Caroatá é usado no preparo de xaropes e chás contra gripe, tosse e pneumonia]
Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).



domingo, 20 de agosto de 2017

O Ananás como planta medicinal no século XIX

O químico Adet foi que analisou por primeira vez os princípios ativos do Ananás e achou: ácido cítrico, acido tartárico, acido málico, açúcar, pequena quantidade de albumina e diversos sais.

A parte lustrosa que existe na casca do fruto, semelhante a um verniz, é proveniente de uma substância corante cerácea, que serve para proteger o fruto contra a umidade; nesta casca um princípio aromático agradável que é própria da família dos ananás.
A abacaxi e o ananás vermelho são frutos muito apreciados pelo sabor doce e agradável que tem a parte carnosa, e são tidos como muito saudáveis, facilitam a digestão e são considerados muito úteis para quem tem cálculos na bexiga, porém muito prejudiciais nas afecções cutâneas.
O suco obtido do fruto maduro é usado aos cálices como diurético e emenagogo e do fruto verde é usado em pequenas doses como antielmintico e desobstruente, em grandes doses é tido como abortivo.
Os indígenas preparavam por fermentação com suco do fruto maduro uma bebida alcoólica, que muito apreciada. Também por fermentação do fruto é obtido o vinho de ananás, usado como estomacal usado contra vômitos.
As folhas do ananás fornecem uma boa fibra, em 1830 a incansável naturalista, Arruda Camara mostrou as vantagens e utilidade destas fibras que para sua preparação só precisavam de um dia.
Na China, o ananás é cultivado em grande escala com o fim de extraírem de suas folhas as fibras que servem para o fabrico de um tecido branco muito apreciado, e que imita a cambraia que se chama Nunn.
O suco do ananás bravo é irritante e corrosivo, pois irrita fortemente a mucosa gastro intestinal.
Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).



domingo, 13 de agosto de 2017

Cará e inhame são alimentos antigos na culinária nacional.

Muito consumido no Norte e Nordeste do Brasil, o cará apresenta tamanho médio para grande, lembra muito a batata inglesa, tem casca lisa e interior branco. Já o inhame é pequeno e redondo, possui casca com mini raízes que lembram pelos, os quais formam linhas, e seu interior fica entre o cinza e o bege depois de cozido. 
Dioscorea bulbifera
No século XIX os caras foram estudados por Gustavo e Theodoro Peckolt e publicados suas histórias no livro História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil. Neste livro a Dioscorea bulbifera, Linn, Conhecida popularmente como batata de rama, Cará sapateiro, cará de espinhos, cará do ar ou cará de São Tomé.
Esta espécie é oriunda da Índia Oriental, mas foi introduzida no Brasil pelo holandeses que a trouxeram da ilha de São Tomé, tendo se vulgarizado de tal forma que pode ser considerada planta nativa.
Dioscorea aculeata
Eram usadas cozidas no preparo de diversos alimentos. Suco de cará cru é diurético em enérgico. Ralando as batas se faz cataplasma para resolver furúnculos.
Dioscorea aculeata, Linn vulgarmente conhecido como inhame da costa ou cará da Guiné é planta originaria da Índia, sua verdadeira pátria. Porém vegeta naturalmente na Oceania.
Cará roxo, Dioscorea purpúrea, Roxb . Planta introduzida no Brasil pelo Conde de Nova Friburgo. Hoje muito consumida na Amazônia.

 Dioscorea purpúrea
Em termos nutricionais, Tanto os caras como os inhames são consideradas bastante calóricas, possuem grande quantidade de vitaminas do complexo B, principalmente B5 (Niacina) e B1 (Tiamina), estimulando o apetite e auxiliando no processo digestivo. São ricos ainda em fibras solúveis, cálcio, ferro e potássio. O seu consumo é indicado também para pessoas que sofrem de gastrite e úlceras, por ser um alimento de fácil digestão e absorção. Só é preciso tomar cuidado com o seu consumo, pois 100 gramas do produto trazem cerca de 78 kcal. 

domingo, 6 de agosto de 2017

O Coco de Dendê é perfeitamente adaptado no Brasil

Esta palmeira é considerada oriunda da África tropical, e conforme Von Martius, não existem dados positivos sobre a sua introdução no Brasil, mas é quase certo que foram os escravos que introduziram o cultivo e adaptação da planta

O Dr. O. Drude considerada o Dendê indígena das regiões tropicais e equatoriais da América do Sul e crê que os seus frutos fossem levados desde épocas remotas, pela correnteza do mar ou por outro qualquer meio, para a Costa da Guiné onde, achando clima e tempo apropriados, se desenvolveu em toda a sua plenitude, não tendo sido até hoje encontrado propriamente em estado selvagem na região africana, mas somente cultivado nos lugares habitados.
Este sábio botânico é também de opinião que no Brasil deve existir uma ou mais espécies do gênero Elvis que mais se aproxime do Coco de Dendê, a não ser o Elais melanococa.
O coqueiro de dendê é cultivado em quase todos os estados tropicais do país.
O Coqueiro de dendê cresce muito lentamente e para o seu caule alcançar de 8 a 10m de altura são precisos uns 25 anos mais ou menos.
O seu caule trás na base as folhas, tendo em parte o pecíolo da mesmo ereto; é coroado na parte superior por 10-20 folhas de quase quatro metros de comprimento com os pecíolos armados de espinhos.
A inflorescência parte do meio das folhas em espádices ramosas as vezes em numero de 8, tendo as flores masculinas e as femininas separadas em 2 regimes diferentes, sendo cada um deles protegidos pro uma dupla espata; o cálice e a corola tem 3 divisões, as estaminas são em número de 6 e o ovário tem 3 lojas, achando-se duas obliteradas.
Por vários séculos o óleo de dendê foi falsificado, porque custava muito caro e havia grande falta de óleo no país; apesar da culinária africana e brasileira usar cada vez mais o óleo para o preparo de muitas iguarias. Hoje já temos produção nacional.
O óleo de dendê , recentemente fundido e introduzido em recipiente para conservação e cheio completamente, e depois fechados hermeticamente, conserva-se por tempo indefinido, não perdendo a cor amarelada, nem o seu aroma, e nem as outras propriedades, mas  ao ficar em contato com pequena quantidade de ar, altera-se descorando, rancificando pouco a pouco.
Essa transformação dá lugar à produção de uma certa quantidade de glicerina que segundo Pelouse e Boudet, diminui a proporção que o óleo torna-se mais rançoso, visto a glicerina se decompor e formar acido sebáceo.
Na medicina popular o azeite de dendê é usado para fricção, contra o reumatismo e também contra doenças de pele.

Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil (1888-1914).



domingo, 30 de julho de 2017

Araucária no século XIX

É uma árvore colossal, magnifica, sempre verde, piramidal, com cerca de 50 metros de altura e seis de circunferência. Brota circularmente do tronco; folhas escamosas e ásperas, imbricadas; flores variadas no extremo dos ramos, reunidas em cachos de forma cônica, composta de escamas, sendo as masculinas colocadas verde exterior do fruto; as

sementes envoltas em cada as nas axilas das escamas; as femininas de forma oval, o fruto  com 15cm pouco mais ou menos, superfície escamosa que envolvem a semente, que são de forma cônica alongada, alojada em eixo comum, cujo ápice é voltado para fora formado a parte verde exterior do fruto; as sementes envoltas em cada escama da pinha, a proporção que se concentram, tomam uma cor avermelhada no ápice, mesclada  de manchas escuras; cada uma delas compõe-se de um tegumento duro e coriáceo difícil de romper; segue-se depois uma membrana delgada, avermelhada que envolve uma amêndoa branca oleosa, leitosa antes de madura.


O vegetal floresce no mês de agosto, levando de 10 a 11 meses para o completo desenvolvimento dos frutos.
No século XIX encontrava-se em estado selvagem por quase todo o Brasil, principalmente em regiões originalmente de Mata Atlântica. Em São Paulo e no Paraná havia matas extensas de Araucárias.  
É planta cultivada nos jardins como planta de adorno. As sementes denominada pinhão, privadas da parte coriácea, cruas ou cozidas, são usadas como alimento para o homem e animais. As amêndoas secas ao calor, e reduzidas a pó, fornecem uma farinha nutritiva de fácil conservação; torrada e misturadas completa e açúcar, dão uma bebida semelhante ao chocolate.
O óleo gorduroso é incolor transparente, sem cheiro, de consistência igual ao de rícino, de sabor desagradável empregado como purgativo.

O caule da árvore deixa exurtar um líquido aromático que, ao contato do ar, no fim de algum tempo, se endurece, sendo conhecido pelo nome de resina de pinheiro; a qual é usada internamente em xarope como peitoral; raras vezes externamente.
Esta goma resina, seca e exposta ao calor do fogo em vaso apropriado, amolece sem se fundir e sobre um forte calor arde com chama fuliginosa, espalhando aroma um pouco semelhante ao incenso.
A madeira do pinheiro é usada para construção civil e naval, podendo-se distinguir três variedades; branca, parda e vermelha, o que depende certamente do terreno e localidade onde cresce o vegetal.

Bibliografia: Peckolt – Theodoro e Gustavo - História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil` (1888-1914).

Para saber mais: http://www.dichistoriasaude.coc.fiocruz.br/iah/pt/verbetes/peckteo.htm

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O uso do óleo de caju na hanseníase

Hanseníase ou lepra é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae ou bacilo de Hansen, que se inicia, após uma incubação muito lenta, por pequenas manchas despigmentadas onde a pele é insensível e não transpira, e evolui para a forma tuberculosa (a mais comum), lepromatosa ou ainda intermediária; lepra.
Desde 1943 médicos cearenses começaram a experimentar o óleo de caju na Colônia de Maracanaú, Colônia Antônio Justa. A entrevistado Dr. Joaquim J
uarez Furtado.
- Quais as propriedades farmacêuticas do óleo de cajú?
- As experiências feitas em humanos revelaram que o óleo é um tônico que melhora o estado geral sem nenhuma inconveniência de intolerância. É eficaz em corrigir as metaplasias, principalmente as causas pelo basilos de Hansen nos fenômenos de oxidação e redução que se processam, normalmente, no sangue do homem.
- Antes de fazer, com o óleo de caju, as preparações que o Dr, Manoel Odorico de Morais, já fazia na Colônia Antônio Justa o senhor já conhecia os efeitos do óleo de caju?
- Sim devido aos índices físicos e nos ditos químicos revelados pela análises que efetuamos em amostras de óleo que nos forneceu o Sr Carlos Moreira. As prorpiedads químicas devem-se as condições em que se encontram, na molécula, dispostos os átomos que muitos chamamos de grupamentos funcionais por isto não são, de efeitp, pois são de propriedades químicas comuns a uma dada família de compostos.
Quando o poder oxidante ou o dito redutor de um dado composto é muito enérgico o corpo poderá, se introduzido num organismo vivo, perturbar o biofísico desse organismo. Se assim, o corpo deverá ser reputado, por isso tóxico. A toxidez, as propriedades farmacêuticas ou alimentícias de uma substância, depende da maneira como a substância age no organismo. A atuação dessa substância dentro do organismo será fatalmente, função de estrutura química da substância em referência. Depois da análise do óleo de caju, examinamos os índices físicos e químicos; pois eles são indicadores da estrutura dos componentes do óleo; o óleo de caju não é tóxico porque nele não se encontra nenhum grupamento toxico.  Após a conclusão inicial, fizemos as seguintes ponderações: o óleo de caju assemelha-se aos óleos animai porque no insaponificável dele, se acham os esteróis que tem extrema, nímia parecença com os do insaponificável dos óleos dos animais, por isso que o índice de Bolton Williams (índice de iodo e o insaponificável) indica a presença dos mesmos radicais encontrados no insaponificável dos óleos animais.
Apesar de negativas a reação de Carr Price, resolvemos fazer experimentações fisiológicas em animais e estas revelaram primeiro ( em coelhos e cobaias), que o óleo é inocente e, sobre ser inocente, é tônico; segundo ( em ratos) que o óleo corrige as metaplasias que ocorrem nos ratos ( especialmente as que se processam nos olhos). Observamos, que depois de injetarmos seis centímetros cúbicos do óleo em questão, em ratos com menos de cinquenta gramas e com vinte e poucos dias de nascidos, todos os sintomas de avitaminose A por nós provocada e traduzida nos olhos, por Keratomalacia e fotofobia desapareceram. Bem ponderado, o bacilo de Hansen produz, por seu alto poder oxidante, destruição parcial das vitaminas e, por último, da vitamina A tanto assim, que as metaplasias que se observam nos organismos dos leprosos se assemelham às ditas devidas à avitaminose A. Feitas estas ponderações, passamos a estudar o assunto com toda atenção. Depois de fazer uma preparação capaz de ser injetada, solicitamos o auxílio do preparador técnico do laboratório Eduardo Bezerra.
O Dr Odorico aceitou experimentar o nosso preparado em leprosos da colônia Antônio Justa. Um dos pacientes escolhido para experimentar o preparado foi uma mulher, forma lepromatosa avançada encontrava-se com intensa fotofobia, processo de keratite e dito de irite; outro homem, forma mista, portador de nevrite intensa e com as matrizes das unhas quase que inteiramente destruídas. Depois do uso de óleo de caju a fotofobia da mulher melhorou a ponto de permitir a saída doente do seu quarto o que havia muito tempo não acontecia; a irite estava também muito melhorada. No homem verificou, após tratamento a reconstituição lenta mas segura da matriz das unhas.

Bibliografia: Revista brasileira de Farmácia – fevereiro de 1945.

Para saber mais: http://www.cnpa.embrapa.br/produtos/algodao/publicacoes/trabalhos_cba4/065.pdf

domingo, 16 de julho de 2017

Início da Farmacognosia Brasileira

Farmacognosia foi um termo criado por Seydler em 1815, para designar uma nova ciência e sistematizar melhor o estudo dos medicamentos. Para expressar melhor sua nova forma de trabalho o autor publicou em 1832 um livro intitulado “Grundriss der Pharmakognisie de Pflanzenreich”. A palavra grega Pharmakon, significa substância medicinal, planta curativa ou veneno e Gnosis, conhecimento, assim esta palavra passou a ser usado por Guibourt, professor da Faculdade de farmácia de Paris para designar uma disciplina do curso de Farmácia, que deveria estudar os remédios a partir das drogas simples.

Antes dele no entanto, o químico alemão Theodoro Martius, já havia usado a mesma palavra para designar o estudo do princípios ativos das plantas que resultavam em remédio. Isto acontecia na Europa do começo do século XIX onde o desenvolvimento dos remédios e dos estudos de farmácia progredia vertiginosamente entre a Franca e a Alemanha.
A farmácia na Europa deste começo do século XIX era uma ciência natural que tratava do conhecimento, preparação, valorização, estabelecia preço de mercado, e conservação do medicamento.
Nestes primeiros anos desta nova ciência, farmacognosia, buscava-se estudar substâncias medicinais que provinham da natureza sem necessariamente estar relacionada exclusivamente ao reino vegetal. Assim, rapidamente se isolaram conjunto de fármacos minerais, depois animal. Entretanto, apareceram novas substâncias medicinais de origem biológica, assim como a síntese química, a copia sintética da natureza, e rapidamente se desenvolveram novas disciplinas e com isso a palavra e o ensino de farmacognosia se restringiu ao estudo de todos os medicamentos simples que normalmente se originavam das plantas medicinais.
Identificação botânica macroscópica da planta e separação dos princípios ativos conhecidos era o principal trabalho dos farmacêuticos europeus do século XIX.
No brasill deste mesmo período os estudantes de farmácia eram poucos, 7 a cada 10 anos, e os laboratórios de química só foram instalados nas faculdades de medicina, Bahia e Rio de Janeiro, na segunda metade do século. Com isso deixamos claro que a farmacognosia é um estudo que só passou  ser ensinada nas faculdades brasileiras, depois de muita discussão acadêmica, no inicio do século XX. Isto no entanto, não deve significar que os estudos farmacognosticos de nossa flora não começaram no século XIX.
No brasil deste mesmo período os estudantes de farmácia eram poucos, 7 a cada 10 anos, e os laboratórios de química só foram instalados nas faculdades de medicina, Bahia e Rio de Janeiro, na segunda metade do século, Com isso deixamos claro que a farmacognosia é um estudo que só passou a ser ensinada nas faculdades brasileiras, depois de muita discussão acadêmica, no inicio do século XX. Isto, no entanto, não deve significar que os estudos farmacognosticos da nossa flora não começaram no século XIX.
A Europa produzia cientistas demais para sua já muito pesquisada fauna e flora. O Novo Mundo, principalmente países de clima e florestas tropicais desafiavam os jovens cientistas do velho mundo. Por pouco tempo, alguns anos, ou para o resto de seus dias os jovens cientistas do começo do século XIX sabiam que do outro lado do Atlântico ls vieram para ficar e, entre os ficaram lhes aguardava o sucesso e as novas descobertas. Muitos vieram e voltaram para Europa, outros ficaram entre os que ficaram o mais brilhante dos primeiros farmacêuticos que se radicaram no Brasil., Theodoro Peckolt (1822 – 1912).
Peckolt desembarcou no Rio de Janeiro em novembro de 1847. Em 1848 começou a conhecer o interior do pais. Montado em um cavalo começou pelo Rio de Janeiro, Espirito Santo e Minas Gerais. Neste jovem Brasil haviam poucos médicos no interior e os conhecimentos farmacêuticos do jovem naturalista colocavam-no na posição de prestar serviços médicos aos doentes que o consultavam. Destes serviços recebia interessante presente para a sua coleção botânica. Cantagalo na Serra dos Órgãos, Rio de Janeiro. A cidade naqueles tempos tinha ricas plantações de café e belas matas intactas para suas pesquisas.
Pesquisou durante 10 anos para apresentar sua primeira obra na Exposição Nacional em 1861. “Catálogo Explicativo da Coleção da Pharmacognosia e Química Orgânica Enviada a Exposição Nacional de 1861” são os primeiros resultados de suas pesquisas que vem a público. Escreve o autor: “Tudo que minha coleção tem é feito por mim e não há nenhum produto estranho”.
As diversas análises executadas por mim acham-se publicadas, em parte, no Archivo de Pharmácia da Alemanha do Norte. Reparti a minha coleção em séries seguindo, mais ou menos o sistema Pharmacognostico.
A escolha da organização dos seus estudos o acompanha pelos seus 65 anos de pesquisa. Ao analisarmos toda a sua obra observamos que a qualidade e quantidade das informações das espécies colhida neste primeiro momento o acompanham durante toda a sua existência. Sua principal preocupação será, sempre, ensinar ao povo brasileiro a importância de sua fauna e flora, absolutamente desconhecida e desprestigiada na época.
Bibliografia: Peckolt, Theodoro e Gustavo - Historia das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil – (1888 a !914).

Para saber mais: Santos , Nadja Paraense - http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702005000200018

domingo, 9 de julho de 2017

Freire de Aguiar passa a produzir criolina

Em 17 de outubro de 1903, com grande alarde social, freire Aguiar, inaugurou na Rua Senador Euzébio a sua fábrica de produtos extraídos de hulha, um dos quatro tipos de carvão mineral.
Nesta ocasião o Dr. Luis Felipe não deixou por menos e realizou a vista dos presentes uma experiência interessante: Em um tubo de vidro, de 15 litros, colocou algumas larvas de mosquitos, derramou algumas gotas do produto de sua fabricação o phenogeno. Imediatamente as larvas morreram, ficando provado a grande importância do produto na desinfecção de água estagnada e depósitos de água, onde se desenvolvem as larvas dos mosquitos, que transmitem doenças como a febre amarela.
Hulha, minério de ferro
Os desinfetantes obtidos da destilação de hulha, muito auxiliaram no combate a várias epidemias principalmente a do Maranhão, em que o Phenogeno, cujo preço era inferior ao fenol, auxiliou a debelar o surto de peste bubônica.
Freire de Aguiar inventou e patenteou um aparelho a que denominou de “Simplex”, para ser adaptado as caixas de descarga dos vasos sanitários, lançando em cada descarga a dose exata de desifetentes. Também planejou e executou dispositivos para a desinfecção de banheiros públicos e carroça de lixo. Nem com todos estes benefícios sociais viabilizados pelos seus produtos, deixou o Dr. Luis Felipe de ter mais uma questão judicial, e desta vez com o inglês, Ed William Person com relação a marca de Creolina, pois o autor da “Creolina Pearson”, entendia que nenhum outro fabricante poderia usar o referido nome que o industrial britânico havia patenteado.
Freire de Aguiar teve de provar que o nome “Creolina” era genérico, encontrando-se em diferentes formulários e o supremo tribunal brasileiro, determinou que a Creolina brasileira poderia se chamar “Creolina Freire de Aguiar”, ficando proibido aos demais fabricantes nacionais o uso deste nome.
Freire de Aguiar foi um brasileiro dedica e empenhado durante toda a sua vida a tornar útil varias substâncias da flora brasileira, inclusive classificando vegetais.
Em 1888 o Barão de Ibituruna, agradeceu publicamente os relevantes serviços prestados por Freire de Aguiar a Inspetoria Geral de Higiene, pelas análises e correspondente parecer técnico, sobre os vinhos portugueses com vestígios de ácido salicílico. Estas análises foram feitas no laboratório da Faculdade de Medicina na presença de professores e alunos.
A primeira Magnésia fluida fabricada no brasil foi de autoria de Freire de Aguiar, ao tempo em que sua única existente no mercado era a francesa.

Suas incansáveis campanhas contra produtos estrangeiros, provocou severa fiscalização das autoridades sanitárias, e isso fez com que muitas destas fábricas se instalassem no Brasil. Entre estas a fabricante da Magnésia Fluida de Murray.
A indústria farmacêutica de Freire de Aguiar foi uma das primeiras a se interessar em fabricar extratos fluidos, principalmente de plantas nacionais, sendo que usava com êxito comprovado suas especialidades, que se constituíam de remédio feito com plantas da nossa flora.
Após persistente trabalho de pesquisa e com muitas experiências, conseguiu obter um processo econômico para a refinação do sal, e montou em Minas Gerais.
Em 1918, faleceu na cidade do Rio de Janeiro, Dona Rita de Cássia Godoi, mulher de Freire de Aguiar. Dois anos depois, como filho, Abelardo Freire de Aguiar, farmacêutico, assumiu suas funções frente a frente da indústria. Freire de Aguiar comprou uma farmácia em Barbacena e se mudou para a cidade mineira. Em Minas Gerais, exerceu suas funções de farmacêutico até morrer.

Bibliografia: Revista Brasileira de Farmácia – 1944/45


domingo, 2 de julho de 2017

A luta de Freire de Aguiar contar remédios falsificados no século XIX

Freire de Aguiar, primeiro fabricante de medicamentos no Brasil, venceu todas as batalhas pela sua fabricação da “Água Inglesa modificada”, voltou ao Rio de Janeiro e fundou outro laboratório na Rua General Câmara, mais tarde mudou seu estabelecimento para a rua Conde de Bomfim. Neste novo estabelecimento cedeu aos insistentes convites do seu colega e amigo farmacêutico o Barreto e organizou, em 1890 a “Companhia Química Industrial da Flora Brasileira”, da qual ficou apenas com o cargo técnico.
Tabletes de opio indicado para cantores e atores...
Numa série de artigos publicados em jornais do Rio de Janeiro, moveu honesta campanha contra produtos falsificados, nacionais e estrangeiros. Tinha por hábito exibir farta documentação provando suas afirmações. Em análise realizada nos laboratórios oficiais, e pessoalmente, provava a iniquidade de vários produtos importados, entre os quais o Elixir Alimentício de Ducro, que não continha nenhuma substância alimentar. Chapoteaut, farmacêutico francês, fabricou um preparado em que deveria entrar a pepiona; pelo exame realizado por Freire de Aguiar, na presença de médicos, farmacêuticos e jornalistas, provando que o elixir, que chegavam as prateleiras nas nossas farmácias, não possuía nem sombra de carne.
Em outra ocasião em sua farmáia, uma senhora pediu um vidro de xarope de Forget, o qual foi vendido. Momentos depois, essa senhora voltou muito aflita, porque sua filha estava envenenada. Examinando o medicamento, verificou que continha alta dose de cloridrato de morfina. Não deixou de comentar o ocorrido com as autoridades da Inspetoria de Higiene e tão pouco voltou a comprar o dito remédio importado.
Todos os seus produtos, entre os quais a “Àgua Inglesa modificada”, Xarope de Rabana iodado, Elixir Alimentício, Magnásia fluida, entre outros, tinham ótimo conceito na classe médica e o elixir de Jurubeba, mereceu do Dr. Domingos Freire, um parecer honroso, pois conseguiu regularizar de modo científico a preparação de jurubeba que sempre tinha irregularidade no preparo..
No governo de Prudente de Morais, sendo Ministro da Fazenda, Bernardino de Campos, (1897), Freire de Aguiar, manifestou-se pedindo proteção pra indústria farmacêutica nacional, que nesta época estava longe de ter um número grande de estabelecimentos, evitando a importação de remédios, que podiam ser produzidos no pais com toda a garantia de qualidade.

Bibliografia : Revista Brasileira de Farmácia 1944/45



quinta-feira, 22 de junho de 2017

Freire de Aguiar o fabricante da Água Inglesa

O proprietário da primeira indústria farmacêutica do brasil, foi também o patrono da cadeira de nº 20 da Academia nacional de Farmácia e chamava-se Luis Felipe Freire de Aguiar.
Luis Felipe nasceu na cidade do Rio de Janeiro, a 23 de agosto, filho de Luis Francisco Freire de Aguiar e Dona Francisca de Paula Fonseca de Aguiar.


Iniciou seu curso de farmácia em 1869 na Faculdade Nacional de Medicina no Rio de Janeiro, onde logo manifestou decidida vocação e se formou em 1871.
Serviu durante o curso no Hospital da Marinha como auxiliar de laboratório, passando depois a ocupar o lugar de segundo farmacêutico. Deixou o posto em 1874, para ter a sua farmácia no antigo Largo de Santa Rita. Associou-se a Farmácia Episcopal, a mais antiga das farmácias do Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar em prol da farmácia brasileira. Em 1877 tonou-se proprietário da Farmácia Episcopal.
Em 1876 casou-se com Dona Rita Lessa Godoi, filha do Desembargador Antônio Thomáz Godoi e neta do Barão de Diamantina. Deste casamento nasceram Tindaro Godoi Freire de Aguiar, Abelardo Freire de Aguiar, (farmacêutico), Astrogildo Freire de Aguiar e Luiza Freire de Aguiar.
Devido a vontade de se dedicar exclusivamente a manipulação de alguns preparados especiais de sua composição, que começavam a ganhar confiança, Luis Felipe Freire de Aguiar, vendeu a Farmácia Episcopal para montar um laboratório para produzir remédios e perfumaria.
Este é um tempo em que a grande maioria dos remédios consumidos pela população brasileira era importado da Europa. Também não era grande o número de profissionais que se formavam em farmácia, 20 alunos por ano era o total de formandos da Faculdade nacional de Medicina do Rio de Janeiro na última década do século passado.
O grande inimigo do aproveitamento das plantas medicinais brasileiras eram os remédios importados e o preconceito dos governantes e da população quanto a sua qualidade e a eficiência. Como ainda hoje, “o que é importado é melhor”.
No começo, o farmacêutico freire de Aguiar, teve de sustentar uma disputa judicial com uma fábrica de produtos medicinais, estrangeira, pois manipulava um produto de formula conhecida, e com o nome comercial de “Água Inglesa”. No Brasil a distribuição deste remédio era feito pela poderosa “Sociedade União dos Fabricantes Franceses”.
A Água Inglesa ou da Inglaterra, era um vinho de quina, muito usada como tônico e antiespasmódico. Até 1888 este produto no Brasil era considerado um segredo da família de André Lopes Castro, português, porém sua fórmula já fora escrita na Farmacopéia Tubalense, editada em 1760.
Freire de Aguiar estudou vários vegetais da nossa flora, e conseguiu elaborar  uma fórmula mais honesta e cientificamente perfeita e obteve a aprovação da sua Água Inglesa modificada. Para que o farmacêutico brasileiro conseguisse comercializar o seu produto precisa de uma autorização da inspetoria de Higiene, responsável pela qualidade dos medicamentos comercializados no país. Em 20 de outubro de 1888 a Inspetoria Geral de Higiene, expediu uma circular aos seus inspetores de higiene provinciais e aos droguistas declarando: “Que a Água Inglesa julgada por esta Inspetoria como a mais adequada a índole dos formulários brasileiros, é a do farmacêutico Freire de Aguiar”. Foi o que bastou para que a distribuidora francesa reagisse.
A Sociedade União de Fabricantes Franceses julgou-se prejudicada em seus interesses no Brasil, e entrou com processo judicial no foro de Ouro Preto contra Freire de Aguiar. Freire de Aguiar, sem nenhum auxilio, teve que arcar com todas as despesas dos processos, conseguindo triunfar, sempre até em última instância. Teve muito dissabores, por não querer ceder um só milímetro de seu direito, tal era a convicção que tinha do serviço que prestava a sua profissão.
Depois de vencer todas as batalhas pela sua “Água Inglesa modificada”, voltou ao Rio de Janeiro e fundou outro laboratório na rua General Câmara, mais tarde mudou seu estabelecimento para a rua Conde de Bomfim. Neste novo estabelecimento cedeu ao insistente convite do seu colega e amigo farmacêutico Paulo Barreto e organizou, em 1890 a “Companhia Química Industrial da Flora Brasileira”, da qual ficou apenas com o cargo técnico.
Em pouco tempo, dois anos, Freire de Aguiar viu o seu bem montado estabelecimento pedir falência. Nesta época sua indústria já tinha cem produtos, sendo muitos da flora nacional e outros de matéria prima estrangeira.

Bibliografia : Revista Brasileira de Farmácia 1944/45