quinta-feira, 22 de junho de 2017

Freire de Aguiar o fabricante da Água Inglesa

O proprietário da primeira indústria farmacêutica do brasil, foi também o patrono da cadeira de nº 20 da Academia nacional de Farmácia e chamava-se Luis Felipe Freire de Aguiar.
Luis Felipe nasceu na cidade do Rio de Janeiro, a 23 de agosto, filho de Luis Francisco Freire de Aguiar e Dona Francisca de Paula Fonseca de Aguiar.


Iniciou seu curso de farmácia em 1869 na Faculdade Nacional de Medicina no Rio de Janeiro, onde logo manifestou decidida vocação e se formou em 1871.
Serviu durante o curso no Hospital da Marinha como auxiliar de laboratório, passando depois a ocupar o lugar de segundo farmacêutico. Deixou o posto em 1874, para ter a sua farmácia no antigo Largo de Santa Rita. Associou-se a Farmácia Episcopal, a mais antiga das farmácias do Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar em prol da farmácia brasileira. Em 1877 tonou-se proprietário da Farmácia Episcopal.
Em 1876 casou-se com Dona Rita Lessa Godoi, filha do Desembargador Antônio Thomáz Godoi e neta do Barão de Diamantina. Deste casamento nasceram Tindaro Godoi Freire de Aguiar, Abelardo Freire de Aguiar, (farmacêutico), Astrogildo Freire de Aguiar e Luiza Freire de Aguiar.
Devido a vontade de se dedicar exclusivamente a manipulação de alguns preparados especiais de sua composição, que começavam a ganhar confiança, Luis Felipe Freire de Aguiar, vendeu a Farmácia Episcopal para montar um laboratório para produzir remédios e perfumaria.
Este é um tempo em que a grande maioria dos remédios consumidos pela população brasileira era importado da Europa. Também não era grande o número de profissionais que se formavam em farmácia, 20 alunos por ano era o total de formandos da Faculdade nacional de Medicina do Rio de Janeiro na última década do século passado.
O grande inimigo do aproveitamento das plantas medicinais brasileiras eram os remédios importados e o preconceito dos governantes e da população quanto a sua qualidade e a eficiência. Como ainda hoje, “o que é importado é melhor”.
No começo, o farmacêutico freire de Aguiar, teve de sustentar uma disputa judicial com uma fábrica de produtos medicinais, estrangeira, pois manipulava um produto de formula conhecida, e com o nome comercial de “Água Inglesa”. No Brasil a distribuição deste remédio era feito pela poderosa “Sociedade União dos Fabricantes Franceses”.
A Água Inglesa ou da Inglaterra, era um vinho de quina, muito usada como tônico e antiespasmódico. Até 1888 este produto no Brasil era considerado um segredo da família de André Lopes Castro, português, porém sua fórmula já fora escrita na Farmacopéia Tubalense, editada em 1760.
Freire de Aguiar estudou vários vegetais da nossa flora, e conseguiu elaborar  uma fórmula mais honesta e cientificamente perfeita e obteve a aprovação da sua Água Inglesa modificada. Para que o farmacêutico brasileiro conseguisse comercializar o seu produto precisa de uma autorização da inspetoria de Higiene, responsável pela qualidade dos medicamentos comercializados no país. Em 20 de outubro de 1888 a Inspetoria Geral de Higiene, expediu uma circular aos seus inspetores de higiene provinciais e aos droguistas declarando: “Que a Água Inglesa julgada por esta Inspetoria como a mais adequada a índole dos formulários brasileiros, é a do farmacêutico Freire de Aguiar”. Foi o que bastou para que a distribuidora francesa reagisse.
A Sociedade União de Fabricantes Franceses julgou-se prejudicada em seus interesses no Brasil, e entrou com processo judicial no foro de Ouro Preto contra Freire de Aguiar. Freire de Aguiar, sem nenhum auxilio, teve que arcar com todas as despesas dos processos, conseguindo triunfar, sempre até em última instância. Teve muito dissabores, por não querer ceder um só milímetro de seu direito, tal era a convicção que tinha do serviço que prestava a sua profissão.
Depois de vencer todas as batalhas pela sua “Água Inglesa modificada”, voltou ao Rio de Janeiro e fundou outro laboratório na rua General Câmara, mais tarde mudou seu estabelecimento para a rua Conde de Bomfim. Neste novo estabelecimento cedeu ao insistente convite do seu colega e amigo farmacêutico Paulo Barreto e organizou, em 1890 a “Companhia Química Industrial da Flora Brasileira”, da qual ficou apenas com o cargo técnico.
Em pouco tempo, dois anos, Freire de Aguiar viu o seu bem montado estabelecimento pedir falência. Nesta época sua indústria já tinha cem produtos, sendo muitos da flora nacional e outros de matéria prima estrangeira.

Bibliografia : Revista Brasileira de Farmácia 1944/45


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Os pioneiros no Extrato Fluido no Brasil

O Brasil desde o regime colonial adotava a farmacopeia Lusitana, e o Codex Francês passou a ser oficialmente admitido pelo decreto nº 8387 de 19 de janeiro de 1882. Assim, os brasileiros não podiam “oficialmente”, usar os extratos fluidos americanos. Só no período republicano, após 1889, começaram a fabricar no Brasil a fórmula americana. O Formulário do Dr. Chernoviz, o mais popular dos formulários farmacêuticos do século passado, trazia apenas duas fórmulas de extrato fluido de Hydrastis canadenses e Noz de Kola, formula transcrita da Deusse, única fabricante de extrato fluido na Europa.
Laboratório  da Casa Silva Araujo
Quem primeiro fabricou industrialmente no Brasil o extrato fluido foi o farmacêutico João Luiz Alves, estabelecido no Rio de Janeiro. Entretanto, quem primeiro escreveu uma monografia sobre o assunto foi o farmacêutico Francisco Giffoni, por ocasião da sua candidatura a membro titular da Academia Nacional de medicina, em 25 de maio de 1899.
As casas Giffoni, Silva Araújo e Granado tornaram-se grandes produtoras desta fórmula americana. Os catálogos da Casa Silva Araújo e Granado traziam 500 variedades, transformando praticamente todas as nossas plantas medicinais de uso corrente nos respectivos extratos fluidos. Os catálogos, desta casa também traziam à descrição das plantas, suas indicações terapêuticas, a posologia de cada extrato, e o modo de preparar cada uma das plantas. Sendo que na Farmacopeia de Rodolpho Albino consta o texto de preparação de 138 fórmulas destes extratos.

Bibliografia: Esboço Histórico dos Extratos – Professor Heitor Luz – revista Brasileira de Farmácia – 1941.
Extrato Fluido – Extensão de uso – Farmacêutico Raul Coimbra – Revista Brasileira de Farmácia – 1941

A Forma do Extrato Fluido – Professor Virgilio Lucas – revista Brasileira de Farmácia -1942

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Extrato fluido, da Teoria a Prática.

Em 1790, Fourcroy definiu os extratos como: “O extrato dos vegetais, não é como se crê um sabão, um composto de óleo de potassa, eu descobri propriedades novas. Esta matéria, que se dissolve na água, separa-se por exposição ao ar, absorvendo oxigênio, se tornando solúvel”. Essa afirmação provocou debates acalorados entre Vauquelin e Fourcroy, de uma parte de Deschamp, farmacêutico de Lyon, de outra. A luz começou a se fazer sobre a natureza complexa dos extratos. Fourcroy, após numerosos ensaios de laboratório com o extrato de quina, chamado simples, afirma que: “Por meio de álcool quente, o extrato de quina resulta em cinco corpos diferentes”.

Vauquelin aborda a questão e publica: “Sobre o princípio extrativo dos vegetais”.
Esta questão sobre os extratos entre Fourcroy e Vauquelin contra Deschamp impressionou o meio cientifico do final do século XVIII, porque era o atrito da velha química em guerra contra a nova química.
Parmentier, no curso desta discussão, faz experiências e descobre, em conjunto com Deyeux e Vauquelin,o que contem o suco dos vegetais: mucilagem, mucilagem ácida, açucarada, açúcar, resina, o extrativo, princípios corantes, princípios odorante para cada planta, tanino, fécula amilácea, glúten, enxofre, ácidos vegetais, por fim Parmentier escreveu e publicou 16 regras gerais para preparação do extrato, no seu “Codex farmacêutico para uso dos hospitais civis” em Paris 1811.
Em 1819 apareceu na Inglaterra um autor chamado Henry que escreveu uma memória sobre um novo aparelho para evaporar os sucos e outros líquidos por meio de vapor d’água. Depois veio o aparelho de Peletier, para evaporação por meio de vapor d’água sob compressão.
A Casa Dausse, de Paris começou a preparar extratos pelo processo do vácuo, com aparelhos modernizados e de rendimento satisfatório.
Os norte americanos inventaram os Extratos Fluidos e inscreveram as formulas que organizaram em sua Farmacopéia, em 1850, e o primeiro extrato fluido preparado por eles foi o de Salsaparilha.
Os farmacêuticos norte americanos, verificando os grandes inconvenientes que apresentavam os extratos moles e firmes, em consequência dos processos de preparação, idealizou essa nova forma que na prática farmacêutica é de grande vantagem.
Os extratos moles apresentam sérios inconvenientes de ordem técnica e prática. Os processos de preparação, exigindo a ação prolongada do calor, resultam produtos alterados na sua composição química pela formação de novos compostos, as vezes inertes, além de modificações em seus caracteres físicos.
Na prática, a maior dificuldade no seu emprego devia-se ao fato de ser pesado e não medido como o extrato fluido, os extratos moles são também de pronta alteração logo ao primeiro contato com o ar, o que resultava na prática farmacêutica, no uso de produtos contaminados, ressecados, e principalmente modificados na percentagem de seus princípios ativos.
O extrato fluido obtido por uma técnica especial, em que 80% da preparação deixamos de sofrer a ação nociva do calor, devendo assim, conter quase que integralmente os princípios ativos úteis da planta de onde provem, representando o próprio peso da planta dessecada ao ar, é de conservação indefinida, de fácil manejo na prática porque é empregado em volume e não em peso; substituindo a própria planta em todas as suas aplicações. Por isso sua propagação pelo país foi rápida, bem como em toda a América, enquanto que no Velho Mundo, Europa, o extrato fluido foi recebido com restrição e até mesmo hostilidade. Afinal, a vanguarda da produção farmacêutica do século passado era dividida entre Alemanha, França, Inglaterra e Itália.

(Continua)

sábado, 3 de junho de 2017

A História dos Extratos através dos tempos.

Em 1875 na escola Montpellir na França, o farmacêutico Petitot apresenta a sua tese “Considerações sobre os extratos empregados em farmácia”.
Segundo este autor quem primeiro deu aos medicamentos esta forma foi Chin-Neng Imperador da China, Chin-Neng, ano 2600 A.C., aplicava-se ao estudo das plantas, e após ter escrito uma história que ainda existe, sob o nome de “Ervanário de Chin Neng”, fez ensaios e análise de composição de extratos.

Esses extratos eram dados com precaução aos doentes e o imperador fazia verificar seus efeitos e suas propriedades, e assim lhe foi possível compor uma matéria médica.
No ano de 65 da era cristã apareceu uma pobra notável de Medicina e Botânica, escrita por Dioscoride, dividida em 5 livros, e que foi durante 15 séculos a matéria médica, dos turcos, dos árabes e de outros povos. Nesta obra há referência aos extratos, principalmente o de cicuta, obtida com o suco da planta e dessecada lentamente.
 Os árabes foram os primeiros farmacologistas que se preocuparam cuidadosamente e com bastante inteligência na preparação dos extratos.
No “Tratado dos Simples”, Ibn el Berthar, fala dos extratos dos fundos e Abd ex Rezza autor do “Revelador dos Enigmas”, tratado de matéria médica árabe, fala dos extratos de tâmaras e de uvas.
Nicolau Roépositus, em 1528, em seu “Dispensarium”, dá um capitulo especial sobre os sucos dessecados preparados espremendo as plantas, retirando o suco e fazendo evaporar ao sol ou sobre cinzas quentes. Menciona os extratos de alcaçuz, absinto e centáurea entre outros. Nesta época a palavra extrato não existia, e tais produtos eram denominados sucos dessecados, (de succis siccis).
Em 1530 já havia referência ao nome extrato, outros autores chamavam de extrações e outros ainda de tintura sólida, e a tintura líquida era chamada de extrações. Só em 1561 foi que a distinção se tornou patente. O “Guia do Boticário” do neste ano, fazia diferença entre extratos e tinturas terminando com a confusão.
Gaspár Schvenchfeld, no seu “Thesaurus Pharmacêticus”, dividiu os extratos em duas classes: Alterantes e Purgativos e do modo de prepara-los.
A “Farmacopeia de Valeius Cordus” também publicada em 1561 não falava dos extratos, mais tarde o Colégio dos Médicos, de Nuremberg, publicou uma edição oficial na qual figurava quatro extratos simples e cinco compostos.
Em 1610, Jean dde Vale, publicou em Gênova uma tradução “Grande Tesouro ou Dispensário e Antidotário” de J.J. Wcher, de Bale, na qual figuravam fórmulas de numerosos extratos, muitos dos quais usados em nossos dias.
Somente em 1624, os extratos passaram a ter uma significação bem clara. Esta definição foi escrita por Jean Béguin em seu livro “Elementos de Quimica”.
“Os extratos, assim chamados especificamente são tirados dos animais e dos vegetais , por meio de dissolventes ou mênstruos, (veículos empregados das plantas e devem variar na composição de conformidade com a composição química da parte do vegetal empregada), apropriados, como só: o espírito do vinho, o leite, a genebra, o hidromel vinhoso, a água de maçãs e outros ou melhor as águas destiladas”.
Em 1649 na “Farmacopeia Medico Química”, impressa em Lyon, de autoria de Jean Scheveder define os extratos como: “É a essência de uma substância separada da parte grosseira por meio de líquido e levado à consistência conveniente”.

(Continua)

sábado, 20 de maio de 2017

De Boticário a Farmacêutico as muitas lutas para o surgimento da profissão

Apesar das diversas instituições de ensino da farmácia pelo país no século XX, a passagem do comércio de botica para a farmácia como hoje conhecemos , custou muita luta e muito empenho para se consolidar. Afinal o hábito, na cultura popular, dificulta em muito as mudanças, por mais necessárias que elas sejam.
Dr Pedro Chernoviz
A própria lei que regulamentava o efetivo exercício da profissão persistia em chamar os farmacêuticos de boticários. O Regimento nº 829, de 29 de setembro de 1851, documento que regulamentava a profissão, fazia menção ao técnico de preparação dos medicamentos através da palavra “boticário”, e não se pense que a expressão dissesse respeito a profissionais sem diploma, pois o artigo 28 do referido regimento é claro: “os médicos, cirurgiões, boticários, dentistas e parteiras apresentarão seus diplomas...”
O hábito continuou até surgir o decreto 2055, de dezembro de 1857, onde ficou estabelecido as condições para que os farmacêuticos, não habilitados, tivessem licença para continuar a ter suas boticas. Uma ironia bem própria da cultura brasileira onde farmacêuticos e boticários, habilitados ou não, tinham pouca diferença para a média da população bem como para os legisladores, normalmente leigos em questões técnicas de farmácia.
O boticário dará definitivamente espaço ao farmacêutico depois de 1886. Isto no entanto não deve significar que o pais e suas faculdades de farmácia não produziram cientistas de nível nacional. É o caso de Luís Antonio da Costa Matos, que obteve um princípio antifebril da amêndoa de caju; Joaquim de Almeida Pinto, pernambucano, que estudou espécies da nossa flora e organizou um dicionário de botânica; Antônio Gonçalves de Araújo Penna, paulista que se dedicou a farmácia homeopática, dando-lhe grande impulso e popularidade. Ezequiel Correia dos Santos, fluminense, dedicou-se ao estudo das plantas medicinais brasileiras, procurando isolar os princípios ativos e obtendo em 1838, a pereirinha do pau Pereira, com a colaboração dos farmacêuticos Soullié e Dourado. Joaquim Correia Mello, paulista, exerceu a profissão em Campinas, onde se popularizou pelo apelido de
“Quinzinho da botica”, sua vocação era a botânica, estudioso e modesto, aplicou-se profundamente ao estudo da nossa flora, redigindo comunicações e memórias que foram publicadas nos anais da famosa “Linnean Society”, de Londres, da qual era o único sócio correspondente sul americano. Destaque especial para a farmacêutica da Policlínica do Hospital de São João Batista em Niteroi, RJ . Sua formatura foi um verdadeiro acontecimento social, pois fugia aos hábitos dos homens na profissão a época.
Em maio de 1841 aparecia com grande êxito o “Formulário do Dr. Pedro Luís Napoleão Chernoviz” e, no ano seguinte, o Dicionário de medicina Popular e Ciências Assessórias, contendo a descrição das doenças, sintomas e tratamentos, as receitas para cada doença; as plantas medicinais, as alimentícias, as águas minerais do Brasil, Portugal e de outros países. Esta obra tornou-se popular para o efetivo exercício da farmácia durante todo o século passado, e também era aceita como, bibliografia de base para a reformulação da Farmacopeia Brasileira de Rodolpho Albino, em 1947.
Foram sucessivas seis edições do Formulário, chegando a 1908; em 2 volumes de cerca de 1500 páginas cada um.
A farmácia no Brasil teve de vencer muitos obstáculos para se firmar enquanto profissão. Não era só o número de alunos reduzido nas faculdades, mas também a concorrência profissional dos químicos , botânicos, médicos, curandeiros, benzedeiras, comerciantes de seco e molhados e principalmente da pouca ou nenhuma escolaridade da grande maioria da população por vários séculos. Aliado a isso a necessidade de desenvolvimento científico nunca fez parte da cultura nativa.
O investimento para exercer a profissão não era pouco, afinal precisava de um número bastante respeitável de medicamentos simples e compostos, para efetivamente exercer sua profissão.


Para saber mais: https://www.bbm.usp.br/node/77

sábado, 13 de maio de 2017

As boticas e o ensino de farmácia no Brasil

A cidade de São Paulo em 1765 tinha três boticários, Francisco Coelho Aires, com seu comércio e moradia na rua Direita, Sebastião Teixeira de Miranda na atual rua Alvares Penteado e José Antônio de Lacerda na Praça da Sé.
A Real botica de São Paulo estava instalada onde hoje é o Vale do Anhangabaú precisamente, onde está o antigo prédio do Correio. O prédio para instalar esta primeira botica oficial na cidade foi construído em 1796 e demolido em 1916.

No tempo da Real Botica os remédios eram, na sua grande maioria, plantas medicinais, porém desde 1730 o brasileiro usava o mercúrio e o arsênico importados da Europa.
O ópio, a escamoneia, a rosa, o sene, o manacá e a ipeca já faziam parte dos remédios necessários para funcionamentos de uma botica. Pomadas e linimento tinham grande consumo, aliás o produto mais consumido era a pomada alvíssima, além do bálsamo católico, de Copaíba e a Água Vienense, que só entrou em desuso no começo do século XX.
As boticas do Rio de Janeiro, no entanto, eram adornadas “com estilo muito mais luxuoso que o comum das casas de comércio, isto é, de muito bom gosto. Em vez de balcão, como se costumava ter, tinham bem no meio uma espécie de altar, com a frente ornamentada com pintura e dourados; o motivo mais comum na pintura era alguma paisagem, um naufrágio ou um simples ramalhete de flores. Acima, no altar, a balança, os pesos, dois ou três livros velhos, oráculos, sem dúvida, da arte de curar”.
Os utensílios de laboratório, sempre despertou no cliente um olhar respeitador bem como muita curiosidade. Talvez por suas formas singulares, tão diferente da maioria dos objetos corriqueiros, talvez por indicarem ao leigo de alguma forma, as transformações que nestes locais se faziam, Na porta dos laboratórios o aviso “Proibida a Entrada”, só entravam o boticário, vestido com sua bata branca, e os auxiliares, geralmente moços de manga de camisa. O freguês ficava a espera da receita, que levava no mínimo uma hora para ser aviada além da grade de madeira ou de ferro.
Quando a família real portuguesa ruma para a colônia Brasil, o futuro país não tinha conseguido fazer chegar as suas terras qualquer dos avanços científicos que a Alemanha, França e Itália desfrutavam.
O Brasil era colônia portuguesa esquecida pela rainha D. Maria I, “A Louca”.
Não havia faculdade, as ciências de uma maneira geral eram privilegio dos que podiam estudar em Lisboa, Paris ou Londres.
Foi depois da vinda da família real, (1803) que o país, ainda colônia, adquiriu o direito de acompanhar os movimentos culturais e científicos do velho continente em curso a mais de um século.
O primeiro passo largo rumo a modernidade foi encabeçado pelo príncipe regente D. João VI, que admirava os estudos de história natural, bem como o trabalho dos naturalistas.
Em 18 de fevereiro de 1808, instituiu os estudos médicos no Hospital Militar da Bahia, por sugestão do cirurgião-mor do reino, Dr José Correia Pincanço, futuro Barão de Goiana, com ensino de anatomia e cirurgia, porém o ensino de farmácia só iniciou em 1824.
A intenção de D. João VI era formar médicos e cirurgiões para o exército e marinha, onde estava a elite econômica da época.
No Rio de Janeiro o rei instituiu o curso de medicina em 1809. Este curso era composto das cadeiras de medicina, química, matemática médica e farmácia. O primeiro livro desta faculdade foi escrito por José Maria Bontempo, primeiro professor de farmácia do Brasil, e chamava-se “Compêndios de Matéria Médica” e foi publicado em 1814.
Em 1818 o farmacêutico português instalado no Rio de Janeiro, José Caetano de Barros abriu o ensino gratuito a médicos, boticários e estudantes no laboratório de sua farmácia, sendo que as aulas de botânica eram dadas pelo carmelita pernambucano Frei Leandro do Sacramento, diretor do Jardim Botânico, e professor dessa disciplina na então Escola Médico Cirúrgica. As aulas de Frei Sacramento eram ministradas no Passeio Público do Rio de Janeiro.
Dentre os discípulos de José Caetano de Barros, destacava-se Ezaquiel Correa dos Santos, que veio a ser um dos pioneiros da farmácia no Brasil. Seu filho também farmacêutico tornou-se catedrático de farmácia na Faculdade de medicina do Rio de Janeiro entre 1859 e 1883.
O ensino de farmácia aconteceu em 1925 quando o curso passa a ter uma faculdade de farmácia, filiada, como a de cirurgia, botânica e medicina a Universidade do Rio de Janeiro.


(continua)

domingo, 7 de maio de 2017

As primeiras boticas do Brasil Colônia eram regidas pela Farmacopeia portuguesa

Quando o colégio dos jesuítas da Bahia foi saqueado e sequestrado em julho de 1760, ordem dada pelo Marques de Pombal, o desembargador incumbido da ação judicial comunicava a seus superiores, “ que tendo ele noticias da existência na Botica do Colégio de algumas receitas particulares, entre as quais a do antidoto ou “Triaga Brazílica”, havia feito as necessárias diligências para dele se apossar”. Mas a receita não foi encontrada em lugar algum na Bahia. Somente mais tarde foi ela encontrada na Coleção de Várias receitas, “e segredos particulares das principais boticas da nossa companhia de Portugal, da Índia, de Macau e do Brasil, compostas e experimentadas pelos melhores médicos, e boticários mais célebres. Aumentada com alguns índices, e noticias curiosas e necessárias para a boa direção, e acerto contra as enfermidades”. (Roma 1766).

Outa botica que se assemelhava a dos padres, era a da Misericórdia. De caráter semipúblico, tanto servia a seu próprio hospital como a cidade. Frei Vicente de Salvador refere-se também a existência de uma grande caixa de botica que os holandeses possuíam num forte baiano, e eram vinte e duas boticas (caixas) da armada luso espanhola.
As boticas só foram autorizadas, como comércio, em 1640, a sangria, também foi legalmente autorizada naquele mesmo ano e, resultou em competição entre os barbeiros e os escravos sangradores. A partir deste ano as boticas se multiplicaram, de norte a sul, dirigidas por boticários aprovados em Coimbra pelo físico-mor, ou por seu delegado comissário na capital do Brasil, Salvador. Estes boticários, que obtinham com a máxima facilidade a sua “carta de aprovação” eram profissionais empíricos, às vezes analfabetos, lavadores de vidros ou simples ajudantes, possuindo apenas conhecimento de medicamentos corriqueiros. Por causa de toda essa “felicidade”, muitas de botica, requeriam exame perante o físico-mor ou seu delegado e, uma vez aprovados, o que geralmente acontecia, arvoravam-se em boticários, estabelecendo-se por conta própria ou associando-se a um capitalista ou comerciante, normalmente do ramo de secos e molhados, que alimentava a expectativa dos bons lucros no novo negócio. Em todas as cidades do brasil, desde os primeiros tempos da colonização, foi hábito dos comerciantes de secos e molhados, negociarem com drogas e medicamentos, não só para uso humano como para tratamento dos animais domésticos, aos cuidados do alveitares (veterinários). Raras eram as boticas legalmente estabelecidas.
O comércio das drogas e medicamentos era privativo dos boticários, segundo o que estava nas “Ordenações”, conjunto de lei usados no Brasil durante todo o período colonial, reformada por D. Manuel e em vigor desde o princípio do século XVI, bem como por leis e decretos complementares. Foi com base nesta legislação que o físico-mor do reino, por intermédio de seu comissário de São Paulo, ordenou o cumprimento integral do regimento baixado em maio de 1744. Com isto intensificou-se a fiscalização do exercício dessa profissão, pois o regimento proibia terminantemente o comércio ilegal das drogas e medicamentos, estabelecendo pesadas multas e sequestro dos respectivos estoques, Houve, busca e apreensões das mercadorias proibidas, que foram depositadas nas boticas locais. Foi um “Deus nos acuda”.
O regimento foi feito a partir de uma ordem do Conselho Ultramarino de dois anos antes. A orem fora dada ao Dr. Cypriano de Pinna Pestana, físico-mor do reino, para que não desse comissão a pessoa alguma, que no Brasil servisse por ele, esta comissão só poderia ser dada a um médico formado pela Universidade de Coimbra, e que mesmo físico-mor faça um novo regimento da forma em que os seus comissários deveriam proceder nas suas comissões e qual o salário que deveriam receber. “E que fizesse também um regimento para os Boticários do dito estado com atenção as distâncias, que ficam as terras litorâneas. Ficando advertido que tanto os ganhos dos seus comissários como os preços dos medicamentos nunca deveriam exceder o dobro, dos preços praticados no reino e que feito tal regimento deveria ser remetido ao Conselho”.
Quanto ao exame prestado pelos candidatos a boticários, bem como a inutilização das drogas eventualmente deterioradas, desde a sua chegada aos portos, e a fiscalização das boticas, tudo se faria de acordo com o regimento: legalização do profissional responsável; existência de balança; pesos e medidas; estado de conservação das drogas vegetais, principalmente as importadas; medicamentos galênicos; produtos químicos; vasilhames e ocasionalmente, a existência de alguns livros. As inspeções das boticas seriam rigorosas e realizadas a cada três anos. Este regimento foi considerado modelar para a sua época.
Em completo atraso e carência de preparo, os boticários de Portugal e das colônias portuguesas, tinham como guia a obsoleta Farmacopeia Galênica Quimica de Joan Vigier, data de 1716, e em 1735 aparecia a Farmacopéia Tubalense Quimica Galênica, teórica e prática, de Manoel Rodrigues Coelho, boticário da corte, que visava ter seu trabalho autorizado pelo governo, o que não conseguiu.
Em 1722 apareceu a obra de frei João de Jesus Maria, monge beneditino e boticário do convento e, finalmente, publicada por ordem de D. Maria I.
Em 7 de abril de 1794 foi mandada adotar a Farmacopeia Geral para o Reino de Portugal e Domínios, de autoria de Francisco Tavares, professor da Universidade de Coimbra, obra cujos preceitos não era lícito ao profissional se afastar, mesmo quando o próprio autor a reconheceu insuficiente, sendo por isso, o mesmo autor, levado a escrever uma Farmacologia, em 1809.

Para saber mais: http://www.jornalconceitosaude.com.br/a-historia-da-farmacia-a-historia-da-farmacia/


segunda-feira, 1 de maio de 2017

Pequena História da Farmácia Brasileira

Os primeiros povoadores, náufragos, degredados, aventureiros e colonos aqui deixados por martim Afonso, tiveram de valer-se de recursos da natureza para combater as doenças, curar ferimentos e neutralizar picadas de insetos.
Para combater a agressividade do ambiente, e a hostilidade de algumas tribos indígenas os primeiros europeus tiveram de contornar a adversidade com amabilidade, e com isso foram aprendendo com os pajés a preparar os remédios da terra para tratar seus próprios males.
Remédio da “civilização” só apareciam quando expedições portuguesas, francesas ou espanholas apareciam com suas esquadras, onde sempre havia um cirurgião barbeiro ou algum tripulante com uma botica portátil cheia de drogas e medicamentos.

As coisas ficam assim até que a coroa portuguesa resolveu instituir no Brasil o governo geral, e o primeiro a ser nomeado foi Thomé de Souza, que veio para a colônia com uma armada de três naus, duas caravelas e um bergantim, trazendo autoridade, funcionários civis e militares, tropa de linha, diversos oficiais, ao todo aproximadamente mil pessoas que se instalaram na Bahia.
Vieram também nesta armada seis jesuítas, quatro padres e dois irmãos, chefiados por Manuel da Nobrega. O corpo sanitário da grande armada compunha-se de apenas um boticário, Diogo de Castro, com função oficial e com salário. Não havia nesta armada nenhum físico, denominação de médico na época. O físico-mor, só viria a ser instituído no segundo governo de Duarte da Costa.
Dentre os irmãos destinados ao sul do país, estava a criatura humilde e doentia de nome José de Anchieta. Os jesuítas eram mais práticos e previdentes que os donatários e, até do que os próprios governadores-gerais, e trataram logo de instituir enfermarias e boticas em seus colégios, e colocando um irmão para cuidar dos doentes e outro para preparar remédios. Em São Paulo o irmão que preparava os remédios era José de Anchieta, por isso podemos considera-lo o primeiro boticário de Piratininga.
Anchieta relata em suas cartas: “Em nós outros tem médicos, boticários ou enfermeiros...todavia fiz-lhe eu os remédios que pude...”
A princípio os medicamentos vinham do reino já preparados. Mas a pirataria do século XVI e as dificuldades da navegação impediam com frequência a vinda de navios de Portugal, e era preciso reservar grandes provisões como acontecia com São Vicente e São Paulo. Por estas  razões os jesuítas terminaram sendo os primeiros boticários da nova terra, e nos seus colégios as primeiras boticas onde o povo encontrava drogas e medicamentos vindos da metrópole bem como, remédios preparados com plantas medicinais nativas através da terapêutica dos pajés.
Importantes boticas sob a direção dos jesuítas tiveram a Bahia, Olinda, Recife, Maranhão, Rio de Janeiro e São Paulo.
“Por muito tempo, diz o padre Serafim Leite, as farmácias da companhia foram as únicas existentes em algumas cidades. E quando se estabeleceram outras, as dos padres, pela sua notável experiências e longa tradição, mantiveram a primazia. O colégio do Maranhão possuía uma farmácia flutuante, o Botica do Mar, bem provida, que abastecia de medicamentos os lugares da costa, desde o Maranhão até Belém do Pará”.
A botica mais importante dos jesuítas foi a da Bahia, sua importância a tornou um centro distribuidor de medicamentos para as demais boticas dos vários colégios de norte a sul do país. Para isso, e como a Bahia mantivesse maiores contatos com a metrópole, os padres conservavam a botica bem sortida e aparelhada para o preparo de medicamentos, iniciando, inclusive, o aproveitamento das matérias primas indígenas.
Os jesuítas possuíam um receituário particular, onde se encontravam não só as fórmulas dos medicamentos como seus processos de preparação. Havia também método de obtenção de certos produtos químicos, como a pedra infernal (nitrato de prata).
O medicamento extraordinário, no entanto, a penicilina da época, era a Trígara Brasílica, que se manipulava mediante fórmula secreta. Essa trígara, se usava contra a mordedura de cobra, varias doenças febris, e principalmente como contraveneno, tinha grande fama e era considerada tão boa quanto a de Veneza, pois agia pronta e rapidamente com a vantagem de, em sua composição, entrarem várias drogas nacionais de comprovada eficiência.
(Continua...)


domingo, 23 de abril de 2017

A Hanseníase e os benefícios do óleo de caju

Adam e seus colaboradores levaram a efeito o estudo da relação entre a constituição dos ácidos hidnocárpico e chaulmoogrico e sua atuação sobre o Bacillus leprae. Eles verificaram que a modificação no radial cíclico pouco influi e sim o radical alkil de carbono 16 para 18. Atualmente emprega-se, no Brasil, hidnocarpato de etila e chaulmograto de etila, de mistura (etilídios, no nosso conceito), preparando-lhes, em São Paulo, por Helena Possolo; no Rio, por Humberto Cardoso; no Ceará, por Osvaldo Rabelo.

A adição de um halogênio, iodo, poderia aumentar a atividade dos radicais desses referidos ácidos. O exacerbamento, de atividade, nessas condições, deve ser prejudicial aos doentes: bem ponderando, o iodo ligado ao radical do ácido chaulmoogrico entraria, dissimuladamente, no seio da matéria viva do leproso e encontrando-a já combalida por carência de elementos de defesa por causa da nocente ação do possível enzímio secretado pelo Mycobactéria (enzimio de alto poder oxidante), atuaria, é possível, sobre As globias, desagregando-lhes os bactérios; mas esse trabalho de desagregação não teria efeito desejado por isto que a ação oxidante do iodo, fatal, refletiria sobre as substâncias de defesa dos elementos figurados escorchando-os por oxidação a ponto de produzir até a floculação dos heteroproteinas, choques coloidoclásicos e, possivelmente, a morte somática. Por isto, segundo entendemos, devem-se ministrar preparações iodadas, aos leprosos, em dose oligodinâmica e associadas ao insaponificável do óleo de caju. O lipídio portador do iodo, em tais preparações, deve ser formado de esteres dos ácidos oleico e linoleico, respectivamente. Mesmo assim, faz-se necessário o ministrarem-se aos doentes, antes, durante e depois do tratamento, preparações ricas em ácido ascórbico (vitamina C), cloridrato de tiamina (vitamina B), glutatião e extrato hepático.
 O sábio leprólogo brasileiro Dr. Achiles Lisboa, belo talento e cultura das mais sólidas do Brasil contemporâneo, em entrevista concedida ao “Diário do Norte”, maranhão, em linguagem elegante, faz a respeito dos óleos iodados, o seguinte comentário: “Pareceu-nos que nos óleos iodificados estaria o elemento terapêutico, que pudesse levar à intimidade das globias tão poderoso agente medicamentoso.
Era de observação que toda vez que se aplica nos leprosos um produto iodado qualquer, há uma franca lise microbacterial, com visível granulação dos microbacterios, reação febril por um verdadeiro choque colidaclasico, em virtude do derrame na circulação da andotóxina deste agente patogênico, que assim se liberta pela dissolução das globias. A esta reação, sucede um melhoramento das lesões.”
Ao Dr Achiles Lisboa não passou despercebida a influencia do colesterol no sentido de atenuar as intoxicações devidas a introdução dissimulada do iodo no seio da matéria viva por isto que esse esterol ocorre normalmente nas células dos animais e pode, em casos como esses, atenuar a ação oxidante do iodo, fazendo-o transformar-se em substância que sobre serem imprescindíveis ao quimismo dos organismos dos animais superiores são capazes de impedir processo de hemólise, processos de desidratação e floculção.
As observações do Dr Moraes Filho, quando Diretor da Colônia Antonio Justa, Maracanaú, Ceará, confirmaram, em 20 doentes, as propriedades farmacêuticas dos principais componentes do óleo de caju, reveladas, em todos, por “aumento de força, maior disposição para o trabalho, maior resistência ao esforço físico, acentuada e benéfica influencia sobre os olhos; em outros, especialmente, na refazer das unhas, na ação sobre o mal perfurante e sobre a Keratose da pele, a volta da sensibilidade”.


Bibliografia: Furtado, Joaquim Juarez; Revista Brasileira de Farmácia – março de 1946. 

domingo, 16 de abril de 2017

Capim Limão é planta que dá o “lemon-grasses”.

No passado ao longo de estradas de ferro e de rodagem de nosso país, o viajante viam, em numerosos trechos, as viçosas touceiras de uma gramínea, ordenadas. Prendendo a terra desenvolvida trama radicular, ela protege o leito da estrada das erosões e desbarrancamentos. Quando se esmagam entre os dedos as suas lâminas, exala um penetrante aroma de limão. Daí o nome popular de “capim limão”, que lhe é dado, ao lado de outros, equivalentes.
Cymbopogon citratus, (D.C.) Stapf
Essa gramínea é, pois, um dos “lemon-grasses” que tão grande aplicação em perfumaria e farmácia têm, em todo o mundo. Entretanto, no Brasil, é rarissimamente para o fim da obtenção da essência e a sua aplicação reduz-se em relação à proteção das estradas, a obtenção de chás caseiros, empregados para tratamento de distúrbios gástricos ou nervosos.
O “capim-limão” é forte, porém, de valioso óleo essencial, de muita procura e relativa escassez no mercado nacional. Toma-se interessante proceder ao estudo sistemático da planta produtora, das condições de sua utilização como matéria prima para a extração de essência dela obtida. Visando sua incorporação ao arsenal fitoterápico, impõe-se também o seu estudo farmacognóstico.
Nomes vulgares; Capim limão, capim cidreira, capim cheiroso, Erva cidreira, Jacapé e jaçapé.
A designação de “jacapé, ou Jaçapé”, nitidamente indígena significa cáa, folha; apé, chato.
O nome botânico é Cymbopogon citratus, (D.C.) Stapf. O habitat é provavelmente a Índia e aclimatou-se nos trópicos de todo o mundo, mas é cultivada em países como Ceilão, Java, Formosa, Birmânia, Filipinas.
No Brasil é muito cultivada para sustentação de barrancos a beira das estradas de ferro e de rodagem.
É planta de grande resistência e versatilidade,
Grande variedade de solos e de climas. Parece claro que os solos úmidos e encharcados, assim como as zonas frias sujeitas a geadas, não lhe são favoráveis. Os terrenos argilosos e silico-argilosos fornecem ótimas condições de desenvolvimento. A plantação se faz, longe da época das chuvas por mudas enraizadas, arrancadas das touceiras. A não ser o aconchego de terra nos primeiros tempos, nenhum cuidado especial é requerido para o seu desenvolvimento. É boa prática a formação de um viveiro, onde as mudas, após atingir nove meses, são transplantadas para o local definitivo. O vegetal permite numerosos cortes por ano.
A principal característica deste vegetal e a alta presença de citral.

Bibliografia: Revista brasileira de Farmácia – Abril de 1945 – C.H. Liberalli, J.H. Helou, Ada A. França.


domingo, 9 de abril de 2017

O valor terapêutico do óleo de Sucupira

Sucupira é uma árvore da flora brasileira inscrita na primeira farmacopeia brasileira, cujo nome científico é Bowdichia virgilioides  da família das leguminosas.
Nas Matas do Amazonas ou Mata Atlântica esta leguminosa é abundante.
Pode mudar o porte da planta, suas maior ou menos ramagem porém e sempre o mesmo vegetal.
Folhas de Bowdichia virgilioides
A nossa farmacopeia incluiu a Sucupira em seu texto, descrevendo apenas a casca, como a parte utilizada na medicina, e para as representações farmacêuticas assinala o extrato fluído e a tintura de sucupira, não falando no óleo, nem nos tubérculos, que também possuem propriedades medicinais e curativas em determinadas enfermidades.
Assim, como centenas de milhares de exemplares de nossa flora, Sucupira, não falando no óleo, não tem estudo completo de sua individualidade botânica, há não ser notas esparsas, a descrição da casca que consta na farmacopeia, e ultimamente o professor Antenor Machado escreveu sobre o óleo, porém não nos foi possível obter tal escrito. Os nomes vulgares desta planta são: Sebipira, Sicupua, Sebupira-guassú, Curubaimirim, Sipipira.
Flores de Sucupira
Além do nome científico consignado na farmacopeia, há o atribuído por Martius: Bowdichia major. É um vegetal de porte majestoso de porte avantajado de 8 a 10 metros de altura e há exemplares mais robustos, principalmente no Amazonas, sendo seu diâmetro médio do caule de meio a um metro.
O caule apresenta em sua parte externa a casca, de cor escura parda, rugosa, com aspecto de verrugas de cor de ferrugem, rachas longitudinais profundas e algumas fendas transversais bastante espaçadas. Sabor amargo e adstringente. Esta descrição é da casca do caule. Retirada esta camada aparece à parte lenhosa, de cor diversa, amarelada, resistente tornando-se assim excelente madeira para carpintaria, para fabricação de móveis, esquadrias e portas.
Martius, menciona que assistiu no norte do Brasil um médico baiano empregar as sementes torradas, moídas, fazer depois um infuso, como se prepara o café, que tomamos diariamente, e usar tal bebida no tratamento do linfatismo, falta de energia, um café de sementes torradas e moídas, de Sucupira.
As sementes são empregadas, sob forma de tintura, no tratamento do reumatismo, nas formas articulares agudas ou crônicas e mesmo no denominado gotoso; também as sementes podem ser maceradas em vinho, ou sob forma de infuso. Como gastrointestinais e hepáticas tem encontrado nas sementes de Sucupira um benéfico medicamento de ação já comprovada.
O óleo de Sucupira é extraído das sementes pelo processo de expressão. É um óleo viscosa sendo a percentagem das sementes entre 10 e 14%; quando impuros este óleo é parecido com o de Copaiba.
A essência pode ser retirada destilando o óleo e se obtém um óleo essencial bastante claro, insípido e insolúvel em 10 volumes de álcool a 90º.
O caboclo é quem utiliza o óleo de sucupira no reumatismo, de inflamações e como remédio de feridas infecionadas. É bastante útil em fricções na pele, por não ser tóxico.


Bibliografia: Revista brasileira de Farmácia – Fevereiro 1948 – Professor Heitor Luz

sábado, 1 de abril de 2017

Catuaba um excitante natural

Com o nome vulgar de catuaba ou Catuiba é empregada, para os mesmos fins terapêuticos, no Brasil uma bignoniácea, a Anemopaegma mirandum (Chamisso) de Candolle.

O naturalista alemão Luiz C. A. Chamisso de Boncourt, de origem franceses, educado em Berlim e conhecido por Adalbert von Chamisso, classificou esta planta em 1839 com o nome de Bignonia Miranda. No mesmo gênero foi classificada pelo monge mineiro frei José Mariano da Conceição Velloso, com o nome de Bignonia arvensis, na sua Flora Fluminensis, começada em 1870 e só publicada em 1890, cuja estampa, como a minoria das demais desse obra, dá apenas uma vaga idéia da planta.
Von Martius verificou, entretanto, pertencer a Catuaba ao seu gênero Anemopaegma, onde a classificou com o nome de Anemopaegma essilifolim, Martius.
A Catuaba é um subarbusto ereto, campestre, ou melhor, uma erva perene, de base lenhosa, raramente subvoluvel na parte superior, de rizoma grosso, duro, atingindo até 1,5m de diâmetro, horizontal ou descendente, toruloso e de caule simples, ereto ou ascendente, de base lenhosa, quadrangular ou subcilíndrico, estriadas de 18 a 25 e raramente até 40cm de comprimento e cuja base mede em geral 2 e raramente até 4mm de diâmetro.
A Catuaba é usada como excitante geral, nas moléstias nervosas; é recomendada nas astenias gastrointestinais e circulatórias, na ataxia locomotora, nas nevralgias antigas, no reumatismo crônico, nas paralisias parciais e na desinteira.
Dizem ser um afrodisíaco de uma potencia extraordinária, sem trazer com tudo nenhum prejuízo ao organismo, mesmo após uso prolongado.
Modo de uso:
Internamente: Infuso, 50grs para 1 litro d’água, para tomar uma colher de sobremesa duas a três vezes ao dia.
Extrato fluido, de 1 a 4grs por dia, as refeições. Tintura, de 5 a 20grs diárias. Vinho, 1 cálice em cada refeição.
Externamente – O decocto, 100grs para 1 litro de água, em loções sobre as partes genitais.

Bibliografia:Silva, Rodolfo Albino Dias da  Revista Brasileira de Medicina e Pharmacia, nº 1-2 ano 1927.


segunda-feira, 27 de março de 2017

Os Cangussu preto e branco de Minas Gerais vão da letargia a vigília

O Cangussu preto produz o sono letárgico, já o Cangussu branco anula a ação da outra.
Quando se deseja durma, por dois ou três dias, o chá é Cangussu preto, pra ela acordar é o Cangussu branco.
Estudando o Cangussu preto, reconheci que esta planta é a espécie Buchnera rósea H.B. et K, da família das Scrophularinaceas, espécie bem descrita na Flora Brasileira de Martius. 
Buechnera oficinalis.
As suas folhas são estreitas, pubescentes eretas, com cinco nervuras muito salientes na face inferior do limbo. As flores são róseas; na planta seca, porém, parecem negras, como também são quase negras as outras partes da inflorescência.
Pode crescer até um metro de altura.
O tom negro que tem a inflorescência do Cangussu preto é apresentado por quase todas as espécies do gênero Buchnera. Interessante é que, nos frutos, o cálice já não é preto, e sim esverdeado.
Cangussu branco pertence a família das Amaranthaceas, e não havia sido ainda classificada botanicamente.
O seu estudo mostrou-se dever ser ela colocada no gênero Gomphrena, a que já pertence uma planta medicinal muito conhecida a Gomphera officinalis, chamada Paratudo.
Pelas suas notáveis propriedades, recebeu o nome Gomphrena anti-lethergica.
É como o Cangussu preto, também uma planta dos campos. Pode crescer até dois metros de altura. A sua raiz é tuberosa, dura, lenhosa; as folhas são linearilanceollladas, agudas, pubescentes e a inflorescência em espigas sesseis ou pediceladas, situadas nas axilas de folíolos bracteiformes dos ramos e do caule, na par terminal.
A planta toda é clara, sendo, portanto, bem adequado o nome que lhe deram.
Em ambas as plantas as propriedades são antagônicas, as partes usadas são raízes.
A Buchnera rósea, si bem que descrita botanicamente na Flora Brasiliensis de Martius, não é citada ali nem em outras obras que conheço, como possuidora da propriedade de produzir letargia

Bibliografia: Almanak Agricola Brasileiro – 1923 – Alvaro Silveira.




Cumarú ou Fava Tonca é uma das sementes de cheiro do Brasil

Fava Tonka, Camarú, Cumbarú, Cumbary, Fava da Índia, Baru, Cumbari. Família das leguminosas. Nome científico Coumarouna  Odorata, Aubl.
É uma árvore de porte médio nas florestas secundarias, mas que pode ultrapassar os trinta metros na mata virgem. Folhas com 4 a 8 folíolos  os folíolos não tem pontos transparentes. Esta arvore produz a cumarina que é uma substancia, branca, de odor agradável, que se funde a 67º.
Asperula odorífera
É pouco solúvel na água fria, melhor na água quente, e muito solúvel no álcool, e no éter.
Não é só esta planta que contem a cumarina assim encontramos esta substancia na Asperula odorífera, nas flores de Anthoxanthum odoratum, nas folhas de Agraecum gragransMelilotus oficinalis.
Foram os índios Caraíbas, da Guyana, os primeiros a utilizarem esse material quer, como adorno, em colares e pulseiras, quer como fornecedor de perfume ou mesmo como excitante geral. Em alguns lugares o povo se serve da casca ou das sementes para infusões sudorificas. Tem grandes aplicações na indústria dos perfumes.
As sementes de Cumarú têm um aroma delicioso e um tônico muito útil.
Os antigos usavam o chá da semente como calmante diaforético, emenago. Em altas doses pode ser laxante.
A tintura é antiespasmódica e tônica.
O óleo é usado para ulcerações na boca é também um bom tônico para o couro cabeludo. A semente é usada para odorizar ambientes.
Na Europa o odor da cumarina é conhecido como “feno fresco cortado”, que não tem qualquer semelhança entre o odor de feno cortado e o de cumarina.
Efetivamente, a fragrância dos campos suaviza e gratifica os nervos olfativos de todos.
A colheita é feita na selva a partir de fevereiro quando as favas começam a madurar. Os coletores viajam ria Amazona acima em canoas e colhem as favas depois as deixam secar ao sol. Sua fragrância é usada em fumo, sabonetes finos e em varias linhas de cosméticos. 

Bibliografia: Martin Barros - Revista Chácaras e Quintais – março de 1917 – pág 212 e 213.

A batata do Jacutupé é útil como refrigerante

 Pachyrrizus angulatus, A. Rich é planta originaria das índias, perfeitamente adaptada no cultivo brasileiro. Planta conhecida na medicina popular como Jacutupé, tem a sua denominação vulgar do indígena Yuti-Kape, o qual por semelhança de som passou a Jutikupé e finalmente, chegou a Jacutupé, cujo significado é batata da casca fina. Ela tem um feijão trepador, conhecido na Índia, como feijão grande ou Feijão de batata; as suas folhas são angulosas, dificultadas, lisas ou ligeiramente pubescentes na face inferior; as flores são avermelhadas com um tom violáceo; as vagem, regulam de tamanho com as do feijão comum porém, são tanto mais grossas, encerrando 6 a 8 sementes de cor preta violácea.

a batata é usada como diurético associada a limonada


Esta planta trepadora, já era cultivada no Brasil desde os tempos coloniais, principalmente nos estados do sudeste, onde era bastante comum, no tempo da escravidão por servir de alimento aos escravos, a sua raiz tuberosa, do mesmo modo como eram usadas os diferentes caras.
Este útil vegetal pertence a família das leguminosas, cujo gênero encerra somente duas espécies diferentes e uma variedade.
É planta encontrada por toda a América tropical, por causa de sua raiz alimentícia.
A batata do legitimo Jacutupé, além de ser alimentícia, é considerada refrigerante e útil em combater os acessos febris; o seu polvilho é muito usado em limonadas, para combater os catarros da bexiga e também varias doenças das vias urinárias.
O suco da batata de Jacutupé é considerado bom diurético e de bastante proveito no tratamento das nefrites.
O polvilho de Jacutupé é muito usado na medicina popular e alguns médicos julgam excelente contra as diversas afecções da bexiga, principalmente no catarro vesical, ou também contra hemorroidas, na dose de 3 a 4 colheres das de sobremesa por dia, em mistura com água açúcar e limão, uma verdadeira limonada de Jacutupé.
O polvilho deve sua ação diurética a uma resina.


Bibliografia: Peckolt, Gustavo – Revista Chácaras e Quintais, março de 1922.

domingo, 5 de março de 2017

A Ipeca vive entre o remédio e o veneno

A Ipeca é vomitiva em altas doses; tônica e expectorante em pequenas. É usada com vantagem na disenteria, no garrotilho, coqueluche, bronquite. Já foi recomendada na peritonite pleural. Ingerida em pequenas doses provoca suores.
Cephaelis acumina - Reprodução 
As aplicações locais sobre a pele e sobre as mucosas são irritantes. Sobre a pele a ipeca determina eritemas ou vesículas. A contaminação de se estar numa sala onde há poeira de ipeca provoca lacrimejando, comichões nos olhos, espirros; uma pitada de pó de ipeca jogada nos olhos provoca conjuntivite muito seria, e quando o ar que se respira está muito carregado de pó de ipeca os acessos de asma ou de dispneia aumentam.
Quando a ipeca é absorvida os batimentos cardíacos diminuem e a tensão sanguínea baixa.
Quanto a ação vomitiva da ipeca, querem alguns autores atribuí-la a emetina, sendo no caso um vomitivo periférico, tendo ação irritante sobre o estomago; outros autores baseados em estudos mais recentes contestam a ação vomitiva da emetina atribuem a cephelina que como e emetica é duas vezes mais ativa que  a emetina, no entanto, outros, não pondo em duvida essa ação da cephelina acham que não podemos esquecer a ação que incontestavelmente a emetina possui.
A Ipeca e contra indicado para cardíacos, as pessoas fracas ou deprimidas, bem como as pessoas idosas.
A intoxicação pela ipeca é caracterizada por uma inflamação no estomago e sobretudo do intestino, pela hiperemia ou edema pulmonar, depois uma paralisia progressiva; a hemólise e sobre tudo o colapso cardíaco.
Bibliografia: Cruz, Jayme P. Gomes Ipecacuanha – Revista da Flora Medicinal 1934.



domingo, 26 de fevereiro de 2017

A Ipecacuanha e Poaya são a mesma planta de muitos nomes.

O uso desta planta vem dos índios. Segundo o monge Tristan, quando se trata desta planta a denominada de Pigaya ou Ipecaya, era empregada pelos Incas não só como expectorante mas também como vaso constritor no caso de hemorroida.
Sanit-Hilaire nos informa que somente em 1800, graças ao Dr. Antonio Bernardino Gomes, que levou para a Europa exemplares completos deste vegetal foi possível se fazer sua classificação botânica, apesar de ser explorada comercialmente sem ser conhecida cientificamente.
Foi com os exemplares do Dr. Bernardino Gomes de Brotero que foi  possível descrever a planta nas Actas da Sociedade Linneana de Londres com o nome de Callicocca Ipecacuanha; porem M Richard verificou a prioridade de Cephalis para o gênero a que pertence a Ipecacuanha; porem antes deste já havia o de Tapogomea criado por Aublet, no entanto o gênero criado por Swartz foi o consagrado pelas obras mais importantes.
O nome Ipecacuanha foi introduzido na Europa pelo livro de Marcgraff e Piso, ele é desconhecido em todas as partes do Brasil que percorreu Saint-Hilaire. ”Apenas em Goiás ouvi alguns habitantes do distrito falarem este nome. É com o nome de Poaia que geralmente se conhece a Cephalis ipecacuanha no Brasil”.
Ipecacuanha, ainda que não tenha até este momento uma etimologia exata, vem das palavras indígenas ipe: casca, caa; planta; cua; perfumosa, nha: estriada (casca de planta perfumada e estriada).
Poaya, entretanto, vem de ycipó; liana e ayacá; cesto (liana para fazer cesto), nome dado primeiro a uma espécie trepadora cuja raiz é emética.
Alberto Löfgren diz “o nome de Poaia não deve ser confundido com o de Ipecacuanha, apesar de serem ambos do tupi e erradamente usadas sem distinção. Poaia é uma contração de cepo-ayba (Martius) ou antes, cipó-aiva que quer dizer “raiz contra males”. Ipecacuanha é uma contração de Ipe-coa-goene (Martius) que significa “pequena erva das estradas” ou segundo o Dr Jorge Maia: çapo-kaakuêne que traduz por erva de raiz vomitiva.

Paya, Ipecacuanha anelada, Ipecacuanha preta, Specacuanha, Hypoucanna, Beguquella, Cagosanga, Beloculo, Beculo, Cipó de Cameras, Mina de ouro, Cipó emético, Poaia do mato, Poaya de botica, todas são Cephaelis ipecacuanha.

Bibliografia: Cruz, Jayme P. Gomes Ipecacuanha – Revista da Flora Medicinal 1934.

Para saber mais sobre as Poaias:
http://qnint.sbq.org.br/qni/popup_visualizarMolecula.php?id=ZwU-dxySC7-fUZZ5YhKDqyhVam2tdOzj1t5q5ltViJkaO4qYYr3xYYwiRU06he0HgVRQJDYietsxcTVKWKJhAA==