quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O Jaborandi

Espinheira Santa

Pilocarpus pinnatifolius, Lamaire cujas folhas encerrar dois alcaloides: a Pilocarpina e a Jaborina, dos quais o primeiro mais importante possui ação extraordinariamente diaforética, não achando rival em qualquer outra planta do velho mundo. Este vegetal é o único, cuja ação sudorífica se manifesta em curto espaço de tempo adquirindo o seu efeito máximo em 10 ou 15 minutos se dá o aparecimento das primeiras gotas de suor, que brota primeiramente ao rosto, ao peito e sucessivamente aos braços, tronco, etc.
Mantendo-se, porém, sempre no mesmo grau de atividade por espaço de meia hora e, sendo a sua ação secundada exuberantemente pelas secreções salivares e brônquicas. Portando-se pois, ao mesmo tempo como um poderoso diaforético  e enérgico sialagogo, não deixando com tudo de tornar-se um forte toxico, em dose elevada, para o qual porém já existe conhecido o seu antídoto no reino vegetal. Como esta planta, inúmeras outras gozam de ação enérgica e rápida, quiçá específica, pois que o nosso Jaborandi legitimo, o é das parotidites epidêmicas, infecções vulgarmente conhecida por “Cachumba”. A nossa afamada e muito conhecida Poaia, Uragoga ipecacunhanha ou Cephaelis ipecacunhanha, Rich cujas raízes encerram 1,45% de Emetina:0,52% de Cephaelina e 0,40% de Psychotrina, alcaloide estes que se acham combinados ao ácido ipecacunhico ao qual se deve sua ação emética (vomitiva), adstringente e anti-desinterico como específico da desistiria amebiana; ação, que aumenta o valor, quando a ipeca se acha “desmetinisada”, ou seja, separadoo ácido ipecacunhico da emetina
Alem destas inúmeras outras plantas poderíamos citar, cujas propriedades já conhecidas, de ação imediata e eficaz, se encontram no domínio da terapêutica oficial, mas , isto compreenderia um volume inteiro de matéria médica.
Outro que podemos citar é o Assacu e o Carpotroche, cuja ação na lepra e nas diversas moléstias de pele, constitui fator primordial no seu tratamento: a Quina cruzeiro Strychmos triplinervia, usada no beri-beri; a Gameleira e o Jaracatiá (Fícus doliaria, Mart) cujo princípio ativo a Dolearina, constitue o específico do amarelão; a Japecanga, a Caroba e a Sicopira.
Das plantas podemos esperar tudo, devido a infinidade e a diversidade de princípios ativos que elas encerram, e , assim como se conhece a ação rápida das quinas peruvianas sobre o hematozoário.
O Maytenus ilicifolia de Mart, planta exclusivamente brasileira, possa conter principio ativo de ação rápida e decisiva sobre diversas manifestações do câncer.

Bibliografia: Almanak Agrícola Brasileiro para 1923 . Dr. Gustavo Peckolt.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Flora Brasileira de Von Martius

Von Martius

O Brasil já estava elevado a Reino Unido quando o príncipe D.João VI encarregou o marques de Marialva, ministro de Portugal e do Brasil em Paris, de contratar em Viena o casamento do príncipe D. Pedro, seu filho, com a arquiduquesa da Áustria, Dona Leopoldina, filha do Imperador Francisco I. Aproveitando esse grande acontecimento, quando o Congresso de Viena se reuniu para fazer o tratado do casamento, Frederico  Imperador teve a feliz ideia de enviar ao Brasil a comissão que teve a felicidade de perpetuar o fato do casamento e de abrir novos horizontes científicos para o país.
Varios foram os sábios encarregados de organizar a expedição, a qual se associaria ao rei da Baviera, Maximiliano José, agregou Martius e Spix.
Carlos Frederico Felippe Von Martius, naturalista e viajante bávaro, nasceu em Erlangen em 17 de abril de 1794. Graduou-se em medicina e na medicina escolheu a botânica para ramo de atividade.
A comissão científica desembarcou no Rio de Janeiro a 14 de julho de 1817, iniciando logo seus estudos. Martius trabalhava à custa do governo bávaro, tendo permanecido entre 1817 e 1820 em explorações botânicas pelo nosso país. Organizou enormes coleções de plantas, e apesar de ter absorvido muito de seu tempo com a botânica, pode estudar etnografia e a língua dos índios, deixando importantes trabalhos a esse respeito.
Voltando para a Europa, em 13 de junho de 1820, levava consigo um herbário que, junto a outro geral que possuía, produziu um conjunto de 60.000 espécies, representadas por 300.000 exemplares fora o das palmeiras, cujos tipos estão hoje no Museu de Munique e as duplicatas no Jardim Botânico de Bruxelas.
Mesmo depois de ter voltado a Europa Marius recebia muitas contribuições que daqui lhe mandavam o que sempre enriquecia seu herbário, de cujo estudo resultaram os seorus Genera species palmarum quas in itinere per Brasilia; Nova genera ET species plantarum: Specimen materiae medicae brasiliensis; Icones plantarum cryptogamicarum per Brasiliam colligit; Herbarium Florae Brasiliensis.
Com o precioso material que possuía concebeu Martius o plano da Flora Brasiliensis,  publicação extraordinária que lhe absorveu o resto da existência, e cujo primeiro fascículo saiu a lume em 1840, ainda em vida do sábio, vindo a obra a ser concluída 66 anos depois de seu início e 38 anos depois de sua morte. Martius ao falecer deixou publicado o fascículo nº46. A obra foi continuada por Eichler;

Bibliografia: Almanaque Agrícola Brasileiro 1921

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Construindo a Flora Fluminense

Prancha da Flora Fluminensis

Nas suas excursões científicas, Frei Velloso foi acompanhado por Frei Anastácio de Santa Inez, escrevente das definições herbáceas e por Frei Francisco Solano, o hábil pintor e desenhista das plantas que Velloso descobriu. São dele desenhos que acompanharam a Flora Fluminense e cujos originais ainda hoje se guardam no arquivo do Convento de Santo Antônio.
Esta obra gigante foi terminada por volta de 1790, e dedicada ao seu ilustre patrono, Luiz de Vasconcellos e Souza e Frei Mariano foi uma das pessoas a apresentar a obra na corte de Lisboa onde provocou a admiração de todos os professores de História natural. O título exato da obra, escrita em latim é: Flora Fluminenses Icones fundamentales ad vivum expressos jussu Illustrissimi AC praestantissimi Domini Aloysii Vasconcellos e Souza. Este título é fielmente copiado nos onze volumes de estampa da Flora Fluminense. Mas esta obra, apesar de ser elogiada e citada por todos os sábios, caiu quase completamente no esquecimento de seus contemporâneos, até que foi finalmente encontrada na Biblioteca Pública da corte e desenterrada do pó em 1825 pelo então bibliotecário Fr. Antônio de Arrabia, mais tarde bispo de Anemuria. D. Pedro I, vivamente interessado pelo progresso da ciência, ordenou que se enviassem os respectivos desenhos a Paris, afim de serem ali litografados pelos mais hábeis artistas. Assim é que possuímos hoje esta obra monumental, que se compõe de onze volumes em folhas grandes contendo cerca de 1.700 estampas.
Simultaneamente com a publicação das estampas efetuou-se á ordem do imperador a impressão do texto da Flora Fluminense na Typografia Nacion AL no Rio de Janeiro, debaixo de correção de Frei Antônio de Arrabida e do Dr. João da Silveira Caldeira, então diretor do Museu Nacional infelizmente este trabalho ficou incompleto. O primeiro volume que se principiou a imprimir, mas que não foi acabado tem o seguinte título: Flora Fluminensis, seu descriptionum plantarum efectura Fluminensi. O seguimento desta obra só foi impresso em 1881 no V volume dos arquivos do Museu Nacional pelo esforço de Ladislau Netto, então diretor daquele instituto.
Von Martius  elogiou francamente a obra, que também para o leigo em assuntos científicos é uma leitura bem interessante. Segundo atesta Saldanha da Gama, Velloso criou 66 gêneros e classificou umas 400 espécies de plantas pertencentes à Flora Brasileira, muitas das quais ainda hoje figuram nos registros sistêmicos com o nome que Velloso lhes deu. Assim a obra depois de totalmente impressa ficou com 40 volumes da célebre Flora Fluminensis.

Bibliografia: Alamanaque Agricola Brasileiro – 1927- Frei Thomás Borgmeier, O.F.M.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Frei José Mariano da Conceição Velloso


Entre os naturalistas brasileiros que se empenharam no estudo da nossa flora, o insigne franciscano Frei José Mariano da Conceição Velloso ocupa o lugar de destaque por suas valiosas contribuições a fitologia brasileira.
Foi um sábio de valor que, no silêncio de seu claustro se dedicava ao estudo do mundo orgânico ávido por arrancar á fecunda natureza os segredos que ela oculta dentro das nossas florestas.
Nasceu Velloso Xavier, como se chamava no século frei Mariano, em 1742 na então província de Minas Gerais e foi batizado na freguesia de Santo Antonio da vila de São Jose comarca de Rio das Mortes, bispado de Mariana. Quando começou com seis anos de idade a estudar os rudimentos das primeiras letras, era de ver o afinco com que o jovem José Mariano estreou na carreira literária. Já bem cedo manisfestou uma grande inclinação ao estudo das ciências naturais, e principalmente uma forte predileção pela botânica. Mais do que os clássicos gostava ele dos livros que falavam da natureza, fazendo muitas vezes com seus companheiros excursões botânicas entrando nos bosques a procura de flores, afim de pesquisar-lhes os nomes anotar-lhes a diferença morfológica. Apesar de nunca ter tido mestre, ele conseguiu em pouco aprender as principais plantas no lugar onde nasceu.
Foi em 1760, mais ou menos, que lhe madrugou o sentimento religioso e irresistível atrativo o chamou a vida de padre. Seus pais ficaram felizes em notar-lhe a vocação para a vida sacerdotal, pois naquela época, a maior honra a que podia aspirar qualquer família, era a de contar entre seus membros alguns frades ou padres. Assim, Velloso quando terminou seu curso de latim  abraçou a vida sacerdotal, na época contava com 19 anos de idade, em 11 de abril de 1761, tomando o hábito de São Francisco no Convento de S. Boaventura na vila de Macacú. Um ano mais tarde depositou no altar o voto solene de abandono do mundo social e as ambições humanas.
Veio então cursar as aulas de filosofia no Convento de S. Antônio do Rio de Janeiro. O amor ao estudo crescia com entusiasmo de subir os grãos da hierarquia. Recebeu ordens menores de Frei Antônio do Desterro. Foi eleito pregador na congregação em 28 de julho de 1768. Em 1771 passou do Rio para São Paulo onde foi instituído confessor dos seculares e repetidor de geometria, cargo esse que exerceu até 3 de maio de 1779, época em que foi nomeado lente de retórica do Convento de São Paulo. Foi neste cargo que começou a subir a serra de Paranapiacaba e descer os mais profundos vales em busca de plantas para seu trabalho. Visitou Paraty e as ilhas do Rio Paraíba do Sul. Nesta ocasião foi acometido por uma oftalmia que por oito meses o ameaçou de ficar sem uma das vistas. No entanto, conseguiu reunir suas investigações, num trabalho fitológico de imenso alcance científico que chamou de Flora Fluminese.
Bibliografia: Almanaque Agrícola Brasileiro 1927. Frei Thomaz Borgmeir, O.F.M.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Guaraem é árvore medicinal brasileira.

Árvore de Guaraem

Guaraem é a Pradosia lactescens, Rachl é a casca doce ou ibiraés ou, ainda a Ymyraeem dos selvagens, que foi transformado em Buraem ou Guaraem pelos civilizados. Diz-se que é uma planta muito lactescente, o que não é verdade; de sua entrecasca, quando ferida, exsuda um ligeiro suco glutinoso, levemente lactescente e que se coagula rapidamente mesmo dentro do golpe.
Os seus frutos são muito parecidos com os que vulgarmente se chamam Bacupari miúdo. É uma planta bastante comum dos arredores da Capital Federal, no alto das matas e geralmente numa altitude de 300metros mais ou menos. Encontra-se também nos Estados do Rio de Janeiro, Minas, Espirito Santo e São Paulo.
As árvores de Garaem que tempos encontrado nas nossas florestas são geralmente de 25 metros de altura sobre 25 a 30 centímetros de diâmetro, de ramos tortuosos, de casca de cor ferruginosa, coberta de maculas de um amarelo ocre, deixando desprender pequenas manchas da epiderme, como se dá com o caule a cicatriz em forma de maculas amareladas, que vai depois escurecendo até tomar a cor natural da casca.
Esta casca é lisa e macia e acha-se intimamente ligada à entrecasca, que é dura, de cor branca, levemente arroxeada e de sabor doce, agradável de alcaçuz, e logo depois levemente áspera, quando fresca.
As folhas são opostas, ovais, arredondadas, de 5 a 7cm de comprimento sobre 3cm de largura, com o pecíolo de 132-18cm de diâmetro; são lisas, verde escuras, lustrosas como se fossem envernizadas, variando de dimensões no mesmo ramo, de modo a encontrarem-se muitas vezes folhas de 5 cm comprimento ao lado de outra de 7 cm.
Na terapêutica empregam-se as cascas da árvore, as quais, quando secas, são duras como couro e de cor pardacento escura.
São usads como tônico, anti-disentérico, adstringente, anti-catarral e anti-hemorroidal.
O extrato aquoso dessas cascas é muito conhecido também em formulários estrangeiros com o nome de Monesia, aliás, também dado à casca, e considerado um dos melhores remédios para curar as disenterias e os catarros crônicos, sendo a sua ação pronta e rápida.
É planta oficinal na farmacopeia de alguns países.
Hoje está árvore é uma frutífera de Mata Atlântica raramente encontrada.

Bibliografia: Revista da Flora Medicinal  autor Gustavo Peckolt

sábado, 17 de novembro de 2012

As árvores medicinais, Anda Assú e Pao Pereira


Anda Assú
Johannesia princeps, Vellozo

É o que vulgarmente é chamado de Fruto de cotia e que cresce nas matas dos arredores do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas, São Paulo, Pará e Bahia.
Esta árvore é mais comumente encontrada nas proximidades das costas. Não é grande árvore; alcança geralmente 10-15m de altura. Tem a casca lisa, acinzentada ou esverdeada; a entrecasca é branca e contém um suco aquoso ligeiramente lactescente e transparente.
Anda Assú
As folhas são alternadas, com um longo pecíolo e acham-se divididas em 5 folíolos parciais, curtamente peciolados, ovais acuminados , de face superior verde luzidia e de face inferior de um verde mais claro.
A inflorescência acha-se na extremidade dos ramos, em panículas de pequenas flores esbranquiçadaS e levemente aromática.
 O fruto é do tamanho de uma pequena laranja, com o envoltório externo carnoso, rugoso, verde escuro e cheio de depressões, abrindo-se em 3 partes e com o endocarpo lenhoso, encerrado e sementes ovais brancas.
O principal emprego desta planta é feito das sementes ou do óleo gorduroso extraído delas, que é usado em substituição ao óleo de rícino, como purgativo brando e agradável; em doses menores é de maiores vantagens do que aquele.

Pao Pereira. All.
Geissospermum vellozil, Fr All

É uma árvore mais comum e conhecida no Brasil, encontrando-se em todos os herbanários as cascas do Pao pereira, como é ele conhecido pelos selvícolas, palavra de que se derivou a denominação atual e que significa “casca preciosa”.
Nos arredores do Rio de Janeiro, não se encontra mata alguma, no alto da serras, que deixe de possuir o Pao pereira. E também encontrado com abundancia nos estados de Minas, São Paulo, Bahia, Espirito Santo.
O Pao pereira ou Pereiroá, não é uma árvore elegante quando bem desenvolvida, mas quando novo, é de bonito aspecto, ereto, de casca pardacendo amarelada, de superfície farinácea. A entrecasca, amarelo-acre, desfaz-se em largas fibras papiráceas e tem sabor muito amargo, desagradável.
Os ramos acham-se sempre dispostos na parte superior, eretos e destacados, com as folhas alternas, ovais, lanceoladas e destacadas nos ramos, por causa da direção horizontal destes; são essas folhas coloridas de um belo verde-escuro, muito lustrosas, lisas e levemente onduladas.
A inflorescência acha-se em racimos extra-axilares, menores que as folhas e com as flores pequenas, coloridas de pardo.
Os frutos tornam-se notáveis, pela disposição divergente que tomam uns em relação aos outros, em sentido horizontal; quando maduros, são carnosos e da cor amarelo clara.
A entrecasca de Pao pereira é considerada como um dos melhores tônicos e antifebrifugos da flora brasileira.
É empregada para os mesmos fins que as cascas da Quina Peruviana.

Bibliografia: Revista da Flora Medicinal –Gustavo Peckolt

sábado, 10 de novembro de 2012

As principais árvores medicinais do Brasil


Sicopira
Bowdichia virgiloides, H.B.K.

O nome por que é vulgarmente conhecida esta planta Sicopira, é uma corrupção de Sepo-pira, palavra indígena, que significa pro seus elementos (sepo=raiz, pira=peixe), raiz para o peixe.
Cresce esta planta no Estado do Rio de Janeiro, Minas, Espírito Santo, Para, Mato Grosso, Amazonas e Goiás.
É uam árvore de 15-24m de altura, sobre 4 a 5 metros de circunferência, com a madeira de cor parda com pontos esbranquiçados e de peso específico igual a 1,092
Tem os ramos e os folíolos completamente lisos; o fruto é uma pequena vagem, conhecida pelo nome de faveiro e a semente é chamada fava de Sicopira.
Emprega-se na terapêutica a entrecasca da árvore e as cascas das raízes, consideradas como tônico e depurativo enérgico as moléstias da pele, impurezas do sangue, ulceras, reumatismo e sífilis. As sementes curam as dores reumáticas, em cocção em óleo e usadas em amuletos.

Óleo vermelho
Toluifera peruifera
Myrospermum myroxylon, Freire Alemão.

Casca óelo vermelho
O óleo vermelho, também chamado Árvore do bálsamo, é tido por uma das primeiras árvores das nossas florestas, por causa da importância, beleza e aroma de seu cerne, que é vermelho cor de tijolo e resinos
É encontrado nas nossas matas virgens, no alto da serra, ostentando um porte magestoso.
É abundante na Mata Atlântica.
O tronco, que atinge em geral de 20-30 metros de altura, pode alcançar a 6 metros de diâmetro.
A casca, camada tuberosa é grossa, regularmente gretada, de cor pardo-avermelhada, destacando-se com facilidade e deixando a descoberto forma uma casca de superfície granitosa, de cor amarelada ou esverdeada e, abaixo desta, o líber branco fibroso, papiráceo, contendo bastante resina.
Esta entrecasca, epla dissecação, deixa desprender aroma agradável de cumarina, um tanto balsâmico
O cerne é formado por um tecido compacto, de bela cor vermelha-clara e tijolo, de aroma fraco e balsâmico, quando seco. As folhas são compostas, tendo algumas vezes os folíolos alternos. O pecíolo comum é de 10-12 cm de comprimento, com os folíolos ovais-oblongos, agudos e em numero variável para cada folha. Todas as partes da planta são consideradas medicinais, a casca a entrecasca, a madeira e as folhas.
Da árvore obtem-se, por incisões, uma resina seca e um suco, óleo resinoso, chamado balsamo de óleo vermelho, balsamo ou balsamo peruviano.
A resina seca possui propriedades estimulante  anticatarrais e expectorante. O óleo resinoso, além de possuir estas mesmas propriedades, é usado externamente, nas moléstias de pele e nas úlceras crônicas.

 Bibliografia: Revista da Flora Medicinal.Gustavo Peckolt

domingo, 4 de novembro de 2012

Copaiba


Copaifera Langsdorffil, Desf.
Copaibeira

A Copaiba é a Copaiva dos nossos selvícolas, cujo nome se corrompeu até adquirir aquela forma COPAIBA, dizendo também Copahyba ou Copaibeira vermelha; é encontrada nas serras dos arredores da Capital federal, nos estados do Rio, Minas, São Paulo, Espírito Santo, Pará, Bahia, Ceará, Maranhão, Goiaz, Mato Grosso, etc.
É árvore mais conhecida pelo emprego medicinal, tanto no Brasil como no estrangeiro.
O seu caule alcança geralmente perto de 40 metros de altura sobre 40cm de diâmetro, nas florestas virgens e sempre no alto das montanhas que ela fica.
Na terapêutica emprega-se o suco extraído do caule, óleo resinoso, impropriamente chamado “óleo de copaíba”, como ótimo estimulante, anticatarral e antiblenorrágico.

Gameleira
Urostigma doliarium, Miq

É esta planta a Cupaúba-assú dos nossos índios conhecida também por Figueira branca, Cerejeira E Gameleira de purga.
O nome vulgar vem do enorme tronco desta planta presta-se ao fabrico de gamelas
É encontrada na capital federal e em quase todos os Estados do Brasil.
É uma árvore alta, de galhos bem grossos, sempre mais ou menos tortuosos e cujo caule alcança cerca de 20 ou mais metros de altura, sobre 2 metros de diâmetro; tem a casca grossa, dura, de madeira leve, branca e de tecido frouxo.
As suas folhas são grandes ovais, eliticas, regulando cerca de 15-30cm de largura, com o pecíolo grossos, aveludado e com os pelos de cor ferrugionosa. Tem flores monoicas.
O fruto é do feitio de um figo comum e quase do mesmo tamanho.
Na medicina emprega-se o suco leitoso da árvore, além de ser um magnífico antihelmintico, é considerado como específico da opilação
É também digestivo e purgante, podendo por suas faculdades digestivas, ser colocado ao nível do suco leitoso de mamão, Carica papaya e do jaracatiá,  Jaracatia dodecaphylla

Bibliografia: Revista da Flora Medicinal "As dez genuinamente brasileiras mais úteis a flora medicinal do país. Dr Gustavo Peckolt

sábado, 27 de outubro de 2012

As dez árvores genuinamente brasileiras mais úteis na medicina


O Brasil com o seu enorme e rico território quase totalmente coberto, outrora, por pujante flora, sulcado de grandes rios, possuindo todos os climas a ponto de revitalizar com a Europa em muitos lugares, é na verdade, um dos países mais opulentos nos três reinos da natureza, nada tendo que invejar aos solos europeus, asiático ou africano.
Andira araroba
Tratando-se então do reino vegetal, nenhuma nação o iguala no mundo;sua flora é mais pomposa que se conhece. Há ai plantas medicinais de alto valor terapêutico, algumas sem similares estrangeiras; as melhores madeiras florestais, servindo tanto às construções civis como navais.
Para a arborização de ruas e jardins, para o adorno, a nossa flora ostenta uma confusão de vegetais que extasia os turistas, os que, penetrando as florestas e matas, se deslumbram diante da beleza e do colorido das flores e se embriagam com a suavidade de seus perfumes.
Quanto aos vegetais que servem para a alimentação, sobram-nos plantas genuinamente indígenas sem contar aquelas que se prestam ao simples deleite e que são em grande número, fornecendo frutos saborosissímos a que faltam apenas a adaptação e a cultura.
Entre as nossas plantas úteis à indústria e à medicina, cuja magnífica série vai desde a modesta e rasteira poaia até ao frondoso e gigantesco óelo vermelho, não contamos o grande número de pequenos vegetais que, todavia, não deixam de prestar os maiores serviços à indústria , são ainda de imensa utilidade na medicina, servindo à terapêutica do país e do estrangeiro.
Entre estas destacam-se dez, genuinamente brasileiras, já desde remotas épocas, estudadas e conhecidas por suas propriedades medicinais.
Araroba , Andira araroba, Aguiar
Também chamada de Angelim amoso e Angelim amarelo é encontrada, com certa abundancia, nas matas da Bahia, Sergipe e Espirito Santo.
É arvore de 20-25m de altura sobre 20-30cm de diâmetro, com as folhas alternas e compostas. O pecíolo comum varia de tamanho é de 33 a 44cm de comprimento, com 20-24pares de folíolos alternos, articulados, de 2,1/2 a 4 1/2cm de comprimento sobre 1 a 1 ½ cm de largura no limbo, coloridos de verde claro na face superior e de acinzentado na inferior.to é drupáceo e ovoide
A Araroba ou o pó de Araroba é o melhor medicamento contra as varias afecções da pele.
(segue na próxima semana)

Bibliografia: Revista da Flora Medicinal-Gustavo Peckolt

sábado, 20 de outubro de 2012

Formulário e Guia Médio e Dicionário de Medicina Popular Dr. Chernoviz


Data de maio de 1841 a primeira edição do que viria a ser conhecido como Formulário do Dr Chernoviz. Em dois grossos volumes , vademecum ainda na metade do século XX, uma preciosidade que estava nas mãos principalmente dos brasileiros do interior do Brasil.
Pedro Luiz Napoleão Chernoviz, natural da Polônia, veio cedo para o Brasil e aqui clinicou por 15 anos. Era doutor em medicina e solicitou sua inscrição a 29 de outubro de 1840 da Academia Imperial de Medicina do Rio de Janeiro, fundada cinco anos antes. A memória então apresentada por ele à Academia era redigida em português, como as suas obras posteriormente citadas, versava sobre o uso do nitrato de prata nas moléstias genito-urinárias. Dela deu parecer favorável o Dr. João Mauricio Faivre, um dos fundadores daquela sociedade, e com a aprovação dele foi o Dr. Chernoviz admitido como titular acadêmico em 20 de novembro de 1840. No ano seguinte surgiu o Formulário e no outro o Dicionário de Medicina Popular, ambos desde então em edições  sucessivas, estando suas obras na 19º edição no ano de 1927, muito alterada e em dois volumes, tendo sido adotado entre nós ao lado do Códex Francês, como livro de consulta obrigatória nas farmácias.
 Por sua majestade imperial D. Pedro II foi ele agraciado com os graus de Cavalheiro da \ordem de Cristo e de Oficial da Ordem da Rosa

Bibliografia: Revista Brasileira de Farmácia – Dezembro de 1942 –Dr. Alfredo Nascimento. 

domingo, 14 de outubro de 2012

Luiz Aguiar desenvolve a sua água inglesa


Quando Luiz Aguiar voltou para o Rio de Janeiro foi morar na rua General Câmara, nº 120, dedicando-se com todo o ardor aos trabalhos exaustivos de sua profissão com o maior zelo e escrupuloso cuidado de modoa poder cada vez mais firmar o seu crédito, passando mais tarde o seu estabelecimento, já mais desenvolvido, a ocupar o prédio de sua propriedade à rua Conde de Bonfin, nº 147 .
Aí, a insistentes convites de seu colega e amigo o farmacêutico Arulo Barreto, consentiu na organização da “Companhia Química Industrial da Flora Brasileira”, da qual apenas aceitou o cargo de técnico, na executiva de ver desenvolvida a sua indústria conforme lhe asseguraram os seus organizadores e sem fazer questão do “quantum” que lhe seria pago pela cessão que fazia de seu já bem montado estabelecimento industrial, recebeu em pagamento, títulos da referida Companhia, que foi liquidada dando-lhe enorme prejuízo.
Não desanimou, porém, e continuou sempre a trabalhar garantindo o seu nome e os seus produtos, e afinal obrigado a comprar em praça, em virtude da liquidação da Companhia, o que tanto tempo e dinheiro lhe custara e assim encetou de novo o seu tirocínio de lutas. Nesta época orçava por uns cem produtos o acervo da Companhia, em cujo número figuravam muitos da flora nacional e outros de matérias primas exóticas.
Freire de Aguiar combater o charlatanismo da Água Inglesa vendida no Brasil e desenvolveu um produto muito melhor que o importado. Depois de fazer estudos de vários vegetais de nossa flora, conseguiu elaborar uma fórmula honesta e cientificamente perfeita e obteve a aprovação de sua Água Inglesa modificada.
A Inspetoria Geral de Higiene, em 20 de outubro de 1888, expediu circulares aos inspetores de higiene provinciais e aos droguistas, dando conhecimento aos farmacêuticos da Inspetoria, para a devida autorização de comercialização.
Em análises realizadas nos laboratórios oficiais, e pessoalmente conseguiu provar a inocuidade de vários produtos importados do estrangeiro, entre os quais o Elixir Alimentício de Ducro, que não continha nenhuma substância alimentar. Chapoteaut, farmacêutico francês, fabricou um preparado em que devia entrar a peptona: pelo exame a que ele procedeu, na presença de médicos, farmacêuticos e jornalistas provaram que tal medicamento não possuía nem sombra de carne.

Bibliografia: Revista Brasileira de Farmácia – Maio de 1945 – Farmacêutico Brandão Gomes.

domingo, 7 de outubro de 2012

Luiz Felipe Freire de Aguiar: Precursor da Indústria Farmacêutica e Química no Brasil


Luiz Felipe Freire de Aguiar nasceu na cidade do Rio de Janeiro, a 23 de agosto de 1852, sendo filho de Luiz Francisco Freire de Aguiar e Dona Francisca de Paula Fonseca Aguiar.
Estudou e completou o curso preparatório no conhecido Colégio Vitório, estabelecimento de ensino de fama, na época, matriculando-se em 1869 no curso de farmácia para o qual manifestou logo decidida vocação, pretendendo seguir o curso médico desistiu de seu intento, à vista do interesse que lhe despertou a profissão farmacêutica, formando-se em 1871.
Durante o curso de farmácia serviu no Hospital da Marinha como auxiliar de laboratório, passando depois a ocupar o lugar de segundo farmacêutico que deixou em 1874, para estabelecer a sua farmácia no largo de Santa Rita. Associou-se à Farmácia Episcopal, estabelecimento então antiquíssimo onde começou a se esforçar para fazer algo em prol da farmácia brasileira bastante abati. Essa farmácia passou a ser sua em 1877.
Rm 1876 se casa com Dona Rita Lessa Godoi que faleceu em 1918, filha do Desembargador Antônio Thomaz Godoi e Dona Maria Flora Lessa Godoi.
Nutrindo o desejo de se dedicar exclusivamente à manipulação de alguns preparados especiais de sua composição que começaram a gosar de confiança, vendeu a Farmácia Episcopal afim de montar um laboratório para a fabricação de seus próprios produtos e de outros que pudessem ser fabricados no país, dispensando essa série de especialidades importadas do estrangeiro, começando a trabalhar e a combater esses pretendidos específicos importados.
De princípio teve que sustentar um pleito judicial com uma fábrica de produtos medicinais, estrangeira, pelo fato de manipular um produto de fórmula conhecida, e só, sem auxilio, arcou contra poderosas “Sociedade União dos Fabricantes Franceses”, conseguindo triunfar  até a última estância, em grau de revista, trazendo-lhe esse fato muitos dissabores por não querer ceder um só passo de seu direito, tal a convicção que tinha do serviço que prestava a sua classe.

Bibliografia: Revista Brasileira de Farmácia- Maio de 1945-Academia Nacional de Farmácia fala do farmacêutico Brandão Gomes.

domingo, 30 de setembro de 2012

Extrato Fluído no Brasil do sec. XIX


A primeira edição do Codex farmacêutico apareceu em Paris em 1811. Neste livro as regras para se fabrica extrato fluido eram 16.
Em 1815 Teodoro de Saussure, prova que os extratos não assimilavam o oxigênio, sendo assim contradizia as afirmativas de Fourcroy e Vauquelin.
Extrato Fluído
Em vista desta afirmativa, Berzelius propõe mudar o nome de Extrato ou Extrativo Oxidado para Apotema (depósito).
ASociedade de Farmácia, de Paris em 1814, instituiu o prêmio Parmentier para a solução do debatido problema do “extrativo”, e assim disse: “A comissão chama a atenção dos químicos para que façam pesquisas sobre as preparações denominadas Extratos Farmacêuticos e principalmente sobre o princípio imediato dos vegetais denominado “Extrativo”, princípio cuja existência é ainda problemática”.
As questões propostas foram em número de cinco e o concurso ficou sem solução, porque as opiniões de momento eram exatamente partidárias de Fourcoy, Deyeux, Vauquelin, Parmentier, etc.
Em 1818, fez-se a primeira experiência de evaporação por meio do vácuo, com o fito de suprimir a ação do calor no preparo dos extratos.
Isto aconteceu na Alemanha, e quem realizou as experiências foi o professor Janisch, porém o processo foi abandonado em vista de ter chegado a conclusão que este meio era útil para dessecar algumas gramas de extrato e não servia para grandes quantidades.
Em 1819 apareceu na Inglaterra um autor chamado Henry que escreveu uma memória sobre o novo aparelho para evaporar os sucos e outros líquidos por meio de vapor d’água.
Depois veio o aparelho de Peletier, para evaporação por meio do vapor d’ água sobre compressão, e outros vieram depois.
O Brasil desde o período colonial adotava as farmacopeias Lusitanas, e o Codex foi admitido oficialmente em 1822 pelo decreto nº 8387 de 19 de janeiro
Deste mesmo ano. Assim os brasileiros não podiam usar os extratos fluídos Norte Americanos. Só no período republicano foi que se começou a fabrica no Brasil a fórmula americana. O “Chernoviz” o centenário formulário, bastante usado, só trazia uma fórmula do Extrato Fluído de noz de Kola.
Quem primeiro fabricou no Brasil o Extrato Fluído foi o farmacêutico João Luiz Alves, estabelecido no Rio de Janeiro a Rua da Quitanda. Entretanto quem primeiro escreveu uma monografia sobre o assunto foi o farmacêutico Francisco Giffoni com o qual se candidatou a membro titular da Academia Nacional de Medicina, em 25 de maio de 1889. As casas Gifoni, Silva Araújo e Granado tornaram-se depois as grandes indústrias desta fórmula americana.

Bibliografia: Revista Brasileira de Farmácia- Setembro de 1941 –Profº Heitor Luz

domingo, 23 de setembro de 2012

Os extratos Fluidos nos século XVIII


Em 1745 -1749, Quinacy (Pharmacopeia Oficinalis e extemporânea e o Conde de La Gaye ocuparam-se em seus trabalhos dos extratos.
A 1º edição do Codex, não inseria fórmula alguma de extrato, só aparecendo na edição de 1732; também as tinturas não constavam do Codex.
Somente depois de um século foi que o Codex, colocou no seu texto os extratos vinhosos; e um extrato composto denominado extrato panquimagogo.
A edição de 1748 suprimiu o extrato vinhoso, e a de 1758, suprimiu alguns extratos simples; admitindo somente uns 23 e mantendo o extrato panquimagogo, assim denominado porque tinha a virtude de pergar geralmente todos os humores do corpo.
As farmacopeias publicadas pelas diversas faculdades da França como a de Lion (1627), estavam mais adiantadas do que o Codex davam sob o título de “Tintcturis” e “Extractos”, o modo de preparação de diversos extratos.
Baumé, em 1762, cujas obras fizeram época, tratou dos extratos , dividiu os mesmos em : _ Extratos gomosos ou mucilaginosos; extratos gomosos ou resinosos; extratos sabonosos, etc...
Em 1790, Faurcroy definiu os extratos assim: “O extrato dos vegetais, não é como se crê um sabão, um composto de óleo e de potassa, eu descobri propriedades novas. Esta matéria, que se dissolve na água , separa-se pro exposição ao ar, absorvendo oxigênio, se tornando insolúvel.
Tais afirmações provocaram um debate extremamente vivo entre Vauquelin e Fourcroy de uma parte e Deschamp, farmacêutico de Lion de outra parte. A luz começou a se fazer sobre a natureza complexa do extrato.
Fourcroy, entrevê, após numerosos ensaios de laboratório, que o extrato de quina, chamado simples, dá, entretanto, por meio do álcool quente, cinco corpos diferentes.
Vauquelin aborda a questão e publica uma impoetante memória; Sobre o princípio extrativo dos vegetais.
O trabalho de Vauquelin é formidável e esgotou a questão no momento e suas conclusões foram excelentes e bem metodizadas.
Neste momento surgiu no campo de luta Permentier, com suas Considerações gerais sobre os vegetais, apareceu também Deyeux que analisou a seiva dos vegetais e se colocou ao lado de Vanquelin.
Parmentier, no curso desta discussão, pelas experiências feitas descobriu, em conjunto com Deyeux e Vauquelin, o que os vegetais dem seu suco contém: mucilagem, mucilagem ácida, açucarada; açúcar, resina , o extrativo, princípios corantes, um princípio odorante para cada planta, tanino, fécula, amilacea, glúten, enxofre, ácidos vegetais, estabelecendo Parmentier por fim as Regras Gerais para preparação do extrato, no seu Codex farmacêutico para uso dos hospitais.

Bibliografia: Revista Brasileira de Farmácia- setembro de 1941-Profº Heitor Luz

domingo, 16 de setembro de 2012

Os extratos nos séculos XVI e XVII

Extrato de Sucupira

Nicolaus Roéspositus, em 1528, em seu Dispensarium, dá um capítulo especial sobre os sucos dessecados preparados espremendo as plantas, retirando o suco dessecados preparando as plantas, retirando o suco e fazendo evaporar seja ao sol, seja sobre cinzas quentes.
Menciona os extratos de alcaçuz, absinto, centáurea, etc.. No entanto, o nome extrato não existia, e tais produtos erm denominadas sucos dessecados, (de succis siccis). A designação extrato só surgiu mais tarde.
Em 1530 já havia referência a tal nome: extrato, outros, entretanto chamavam extrações e outros ainda tinturas sólidas, e a própria tintura líquida era designada pelo nome de extrações, estabelecendo por esta forma motivo de difícil compreensão. Só em 1561 foi que a distinção se tornou patente. O “Guia do Boticário”  que apareceu no ano de 1561, já fazia referência distintas entre extratos e tinturas terminando assim a confusão.
A Farmcopéia de Valerius Cordus, aparecida em 1561 não falava em extratos, mais tarde o Colégio dos Médicos, de Nuremberg, publicou uma edição oficial na qual figuravam 4 extratos simples e cinco extratos compostos.
Em 1610, Jean de Vale, publicou em Gênova uma tradução de Grande Tesouro ou Dispensário e Artidotário de J.J. Wecher, de Bale, na qual figuravam fórmulas de numerosos extratos, muitos dos quais usados em nossos dias.
Somente em 1624, é que os extratos passaram a ter uma significação bem clara. E assim que Jean Béguin, nos seus Elementos de Química trata desta questão de um modo mais desenvolvido, do que os autores que acabamos de citar. Este autor em seu trabalho de nome “Os Extratos”, assim chamados especificamente são tirados dos animais e dos vegetais, por meio de dissolventes ou mênstruos apropriados, como são: O espírito de vinho, o leite, a genebra, o hidromel vinhoso, a água de maçãs e outros, ou melhor, as águas destiladas.
As partes dos animais escolhidas para fazer os extratos, são: os músculos, o fígado, os rins, os pulmões, os testículos e semelhantes.
Em 1626, na tradução do livro denominado “Obras farmacêuticas” de Jean de Renon, publicado por Luiz Serres (Lyon, 1626, in-folio, páginas 75 e 77), há referência ao preparo dos extratos.
1640-1643, todos os tratados aparecidos nesses anos trazem processos de preparo de extratos.
Em 1649 – em sua “Farmacopéia Médico-Química, impressa em Lyon, a página, 9 Jean Schveder define extrato assim: “O extrato  é a essência de uma substância separada da parte grosseira por meio de um líquido e levado a consistência conveniente.”

Bibliografia: Revista Brasileira de Farmácia – setembro de 1941- Farm. Lucio Muniz Barreto. 

domingo, 9 de setembro de 2012

A História do Extrato Fluído na Antiguidade

Extrato Fluído de Nogueira

A preparação dos extratos, vem de uma época muito longíqua, milhares de anos  já se passaram desde quando foi concebida a maneira de reduzir o vegetal a tais condições para o seu emprego, como medicamento.
Petitot, em sua tese sob a denominação “considerações sobre os extratos empregados, em farmácia” sustentada em 1875 perante a escola de Montpellier, na França diz que, quem primeiro deu oas medicamentos esta forma foi Chin-Neng, Imperador da China.
Chin-Neng na história da China foi o segundo dos nove soberanos que precederam ao estabelecimento da dinastia; contemporâneo de Menés, primeiro rei do Egito e morreu 2.600 anos antes de Cristo.
Chin-Neng aplicava-se ao estudo das plantas, e após ter escrito uma história que existe sob o nome de “Hervário de Chin Neng” fez ensaios e análise de composição dos extratos.
Esses extratos eram dados com precaução aos doentes e o Imperador fazia verificar seus efeitos e suas propriedades, e assim lhe foi possível compor uma matéria médica (Carta a C.L. Cadet – Boletim de farmácia, Paris 1813 – tomo 5º página 481)
Devido a ter sido Chin-Neg, o primeiro que fabricou a forma farmacêutica denominada extrato, Petitot, cita este Imperador como o mais antigo de todos os boticários, por ser o primeiro que a história faz menção.
No ano 65 da era cristã apareceu uma obra notável de Medicina e Botânica escrita por Dioscoride, dividida em 5 livros, e que foi durante 15 séculos a matéria médica, dos turcos, dos árabes e de outros povos.
Nesta obra há referências aos extratos, sobressaindo o de cicuta, obtida com o suco da planta e dessecada lentamente.
Dioscoride nasceu em Anagarbe, na Cecília, Itália, nos primeiros anos da era Cristã, foi contemporâneo de Plínio- o naturalista.
É de justiça salientar que os árabes, foram os primeiros farmacologistas que se ocuparam cuidadosamente e com bastante inteligência de preparação dos extratos.
No Tratado dos Simples, Ibri El Berthar, fala dos extratos dos frutos e Abd ex-Rezzaq bo seu Kchef ET Roumouz.
Tratado da matéria árabe fala dos extratos de tâmara e de uvas.

Bibliografia: Revista Brasileira de Farmácia setembro de 1941 – pág 505 e 506 Profº Heitor Luz

sábado, 1 de setembro de 2012

O Extrato Fluido na farmácia e na medicina


Extrato Fluído 

O Extrato Fluido é utilizado na farmácia para obter infusos e decocto, xarope, vinhos, elixires, pomadas, tinturas, para todas as preparações em suma em que tenha de entrar qualquer planta, pois todas podem fornecer o respectivo extrato fluído. 
Na opinião de alguns farmacólogos, o extrato fluido não se prestaria para o preparo de infusos e decocto e ainda menos tinturas.  Com a nossa larga experiência, afirmamos que, partindo de extrato fluído a 100%, convenientemente preparado, essas preparações resultam iguais como se fossem feitas com a própria planta nas melhores condições de conservação.
O extrato fluido representa, quanto à atividade e riqueza de princípio, a própria planta que lhe deu origem. Resultam aquelas preparações diferentes precisamente porque em muitos casos, são empregados extrato fluídos falsificados, ou com a quantidade de planta bastante reduzida.
Para preparação de tinturas, é necessário ter em conta o grau alcoólico que composta a mesma, não dispensando a maceração de 2 a 4 dias para que haja o tempo necessário para redissolver alguns princípios que precipitam pela mudança de veículo.
O alcance prático e econômico que representam os extratos fluídos para a moderna farmácia, que tem neles a sua maior base para todas as suas  variadas preparações.
Não menos importante, são os extratos fluídos para a clínica médica , pois constituem eles a maneira mais racional e cômoda do médico empregar, em seu receituário, as plantas medicinais, porque os princípios úteis destas encontram-se em uma condição ótima para poderem ser associados a todas as formas que habitualmente prescrevem.
Mesmo em natureza, o extrato fluído pode ser utilizado pelo médico clínico, sob a forma de gotas, em pequenas colheres, diluído em um pouco de água simples ou açucarada. Por isso os médicos no emprego direto do extrato fluído, na esperança de que um dia volte a ser o receituário médico individual, o que foi em tempos que não vão muito longe, e que tanto prestígio e importância conferiam ao médico clínico.
É de lastimar que tantas plantas, de ação curativa segura e proclamada por todos que as empregam, não tenham entre os legítimos facultativos a merecida aceitação e delas se utilizem quase que somente os curandeiros e curiosos da medicina. Poucos são os médicos que prescrevem as plantas em su receituário.

Bibliografia: Revista Brasileira de Farmácia – Março de 1942- Profº Virgilio Lucas

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Caracteres Gerais de Identidade dos Extratos Fluidos


Uma das falhas sensíveis da nossa farmacopeia é a deficiência de dados de caracterização da maioria dos extratos fluídos e a omissão completa para um grande número.
No entanto, julgamos da maior importância, a descrição de todos os caracteres que podem apresentar e, de cujo conjunto, se tem certa segurança, reconhecer a sua identidade, isto é, saber de qual planta provém.
Os caracteres gerais de identidade dos extratos fluídos decorrem da composição química da planta ou partes vegetais que lhes deu origem e também da composição do veículo ou menstrúo empregado em seu esgotamento.
Quando se trata de planta de composição química bem conhecida e, encerrando princípios ativos doseáveis, o problema se simplifica sobremaneira, pois basta uma prova de identidade do princípio ativo seguindo do doseamento, devendo se encontrar, nos limites exigidos pela farmacopeia. É o que acontece com os extratos fluídos de plantas alcaloídicas, glucosídicas, cateínicas e outras cujos princípios possam ser doseados. Infelizmente, porém, para a gande maioria das plantas, a questão se complica porque não encerram qualquer princípio que possa dar uma indicação segura da qualidade e da quantidade empregada no preparo do respectivo extrato fluído.
Para esses, a identidade é reconhecida por um conjunto de propriedades físicas e organoléticas que devem corresponder aos de uma amostra padrão obtida nas melhores condições de técnica.
Damos a seguir os vários ensaios a que submetemos os diversos extratos fluídos obtidos no laboratório sob a nossa direção técnica: Físico = Densidade, Resíduos seco a 100º, Doseamento do álcool, Modificação por diluição na água. Organoléticos= Aspecto, cor, odor sabor; Quimicos= Reação de identidade do princípio ativo, Doseamento dos princípios ativos.
A insuficiência de álcool pode dar lugar à fácil alteração da preparação.
Dado que temos verificado ser preciso é o da verificação do resíduo a 100º. Tomamos 5cc. Do extrato fluído rigorosamente medido em pipeta; colocamos em uma capsula de porcelana tarada e deixamos num banho-maria durante três horas.
Findo esse prazo, pomos a capsula num dissecador a ácido sulfúrico durante uma hora e pesamos; a diferença de peso X por 20, nos dá o resíduo por cento.
Para a mesma planta, temos verificado que é bastante aproximado. Por uma série de verificações feitas, sobre o mesmo extrato fluído, sabemos a média das oscilações que comporta.
Essa verificação, ao mesmo tempo em que dá uma indicação, embora indireta, da planta de onde provem o extrato fluído, indica, por outro lado, si foi empregada na quantidade normal.
O doseamento do álcool, às vezes, é interessante, para se ter a certeza de que foi empregado na graduação conveniente, o que já é indicada em parte pela verificação da densidade, como foi dito.

Bibliografia: Revista Brasileira de Farmácia –março de 1942  pág 197 – 198.

domingo, 19 de agosto de 2012

A História do Extrato Fluido no Brasil

Extrato Fluído

O extrato fluído teve sua origem na América do Norte pela primeira vez na farmacopeia daqueles pais, no ano de 1850, como uma nova forma distinta de extrato, sob a denominação de “fluid extracts”.
Os farmacêuticos norte americanos, verificando os grandes inconvenientes que apresentam os extratos moles e firme, em consequência dos processos de preparação, criaram essa nova forma que incontestavelmente apresenta sobre aqueles, na pratica farmacêutica, grandes vantagens.
Efetivamente, os extratos moles apresentam sérios inconvenientes de ordem técnica e de ordem pratica. Os processos de preparação, exigindo a ação prolongada do calor, resultam produtos alterados na sua composição química pela formação de novos compostos, às vezes inertes, além da modificação em seus caracteres físicos, etc.. Na prática, além da maior dificuldade no seu emprego pelo fto de deverem ser pesados e não medidos como o extrato fluído, os extratos moles são de pronta alteração logo ao primeiro contato com o ar, o que resulta serem frequentemente empregados nos laboratórios farmacêuticos produtos contaminados, ressecados, modificados, portanto, na percentagem de princípios ativos.
O extrato fluido, obtido por uma técnica especial, em que 80% da preparação deixamos de sofrer a ação nociva do calor, devendo assim conter quase integralmente os princípios ativos úteis da planta de onde provém, representando o próprio peso da planta dessecada ao ar, de conservação indefinida, de fácil manejo na prática porque é empregado em volume e não em peso; ainda mais, substituindo a própria planta em todas as suas aplicações, todas essas qualidades conferem, sem dúvida, a essa forma um superioridade incontestável.
Por isso mesmo.é que sua propagação foi rápida em toda a América, principalmente em nosso pais  onde o comodismo e a simplicidade em tudo tem lugar de destaque.
Nao temos elementos comprovantes, mas acreditamos não errar afirmando que no Brasil mais do que em qualquer outro país, o extrato fluído dominou e domina ainda toda a farmacotécnica nacional.
Tudo se prepara com extratos fluídos até, nãoo se surpreendam, hidrolatos já vimos preparar.
Enquanto que em toda América se disseminou e encontrou fácil e inteligente aplicação, no Velho Mundo, foi o extrato fluído recebido com restrição e mesmo hostilidade. Talvez, unicamente pelo fato de ser originário da América e não da Europa, de onde vinham todas as novidades na época.
Bibliografia: Revista Brasileira de Farmácia – Março de 1948 – pág 186

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O Cipó Chumbo segundo Dr. Von Martius 1829

Cipó chumbo

No Brasil se denomina Cipó de Chumbo Cuscuta racemosa Humboldt; umbelata e miniata Martius, porque, mais denso que a água, nella submerge. Não sei até que ponto deve-se-ia considerar o efeito desta planta.m todo o caso é notável que enquanto a Europa abandonou um medicamentoenaltecido até ao século passado por Hippocrates Galeno Aetio pelos árabes e muitos médicos francês, alemães agora o Novo Mundo relembre coisa semelhante. Estes ramos e galhos secos aqui apresentados, de uma Cuscuta não foram determinados à espécie, são inodoros, de sabor semelhante á herva, um pouco mucilaginosos e finalmente amargos epelas propriedades físicas parecem não demonstrar grande efeito.
Contem mucilagem e tanino. Parece que o medicamento poderia ser, especialmente, comparado á Radiz Symphyti officinalis
Ainda mais singular é outra planta, para a qual deveria ser voltada, por alguns momentos , a atenção . È a chamada manacan, geratacaca ou camgamba, e denominada mercúrio vegetal, no Pará.
Piso menciona a mesma com aquelas primeiras designações, e Sprengel consideram em sua excelente xilografia como sendo a Schwenkfeldia cinérea. A Planta, no entanto, pertence a outra ordem às Myoporinas, e foi pela primeira vez cientificamente ilustrada e descrita pelo meu amigo Dr. Pohl.
A planta toda tem um sabor amargo, nauseabundo e picante, e que mais se acentua na raiz, e é um dos mais enérgicos drásticos que o Brasil oferece.
Produz, quando ingerida em doses um tanto elevadas, simultaneamente vômitos, e era usada pelos índios, segundo reza a tradição, como antídoto das mordeduras de ofídios, pois que originaria evacuação criticas e consideráveis, expulsando, assim do corpo o veneno.
No Pará se considera as mesmas como o mais eficaz medicamento contra a lues inventerata, tumores veneros, erupções pertinazes, ostealgias, doença mercurial.
Aplica-se externamente a erva esmagada, a raiz e os ramos novos em compressas quentes e frias. Internamente utiliza-se preferencialmente infuso aquoso frio. Para isto se raspa a raiz limpa, põe-se em água fria que fica durante 24 horas exposta ao ar livre côa-se a todo, e abandona-se o liquido coado novamente por um dia. Durante este tempo precipitam-se fécula de sedimento e outras substâncias, e o liquido decantado é bebido em pequenas doses, duas a três vezes ao dia. Desde que haja impurezas no corpo, o doente, o doente experimentará violenta excitação, particularmente insuportável formigamento sobre a pele. A eliminação acontece pela urina.

Bibliografia: Revista da Flora Medicinal  - pág 490.