Durante os anos de 1873 e 74 o tom dos relatórios médicos
sobre o acido salicílico foram de entusiasmo, mas depois do tempo da novidade
as coisas começaram a arrefecer. Todos os médicos concordavam num ponto, que o
acido salicílico fazia o doente sentir-se melhor; mas muitos passaram a admitir
que os doentes que se curavam eram os mesmos que sarariam sem remédio nenhum. A
media de mortes em tais e tais doenças permanecia inalterada. As vitimas da
febre tifoide reagiam bravamente sob a ação do acido. Horas depois de ingerida
a droga a febre caia e os doentes reviviam. Mas dias depois morriam. Isto
acontecia com os doentes de tifo, pneumonia entre outras doenças.
Salix alba |
A explicação do curioso fenômeno foi dada por um jovem
medico suíço. Lá em um hospital provinciano, no cantão de Saint Gallen, Carl
Emil Buss, impressionou-se com aquela historia de acido salicílico. Seus
mestres lhe haviam dito que a droga agia como o acido carbólico, matando os
micróbios e, pois, curando os doentes; mas as suas observações pessoais não
mostravam bem isso. Então, o que realmente acontecia?
Buss procurou dar respostas as suas perguntas. Foi ao
arquivo dos seus boletins e começou a consulta-los. Lá estava o caso de Pauline
Strauss – febre tifoide, 14 dias no hospital, acido salicílico dado
diariamente. Duas horas depois de tomado o remédio a temperatura caíra e ela se
sentira aliviada – mas no 15 dia morreu. E lá estava o caso do pequeno
Muehlhausen – pneumonia, febre alta; salicílico três vezes por dia; três quedas
da temperatura e depois morreu. E estava lá o caso de Johann Bischoff,
reumatismo nas juntas; com a dor acompanhada de febre alta. Tomou salicílico. A
temperatura caiu e Bischoff deixou o hospital curado. Mas esse caso não era
importante, porque reumatismo não mata ninguém.
O jovem Dr Buss coçou a cabeça, com os olhos fixos nos
cartões. Aquilo era estranho e talvez não tivesse importância, mas estava lá.
Se uma pessoa com febre toma acido salicílico, cai a febre! Seja lá o que
aconteça, morra ou sare o doente, uma dose de salicílico é sempre seguida de
queda da febre. E se a febre volta, nova dose a faz recuar. No entanto o tal
ácido não era conhecido como febrífugo. O febrífugo por excelência era a
quinina; e depois da quinina, banhos frios e drogas fracas e incertas como o
álcool, a veratria, o acônito, a casca de salgueiro...Eureca!!!! É da casca de
salgueiro que é retirada o acido salicílico. A casca de salgueiro vinha a
séculos sendo usada pelos supersticiosos, remédio de gente ignorante.
Também havia acido salicílico no óleo de pirola
antiquíssimo remédio para febre e reumatismo.
As temperaturas, agora. O que fazia o salicílico nesse
setor? De volta á enfermaria Buss deu exclusivo tento a esse ponto. Não lhe
importava que o doente morresse ou sarasse. O que queria era resposta a essa
pergunta urgente: que faz o acido salicílico com a temperatura?
Depois de analisar diversos caso suas conclusões foram
mandadas a um jornal medico de circulação mundial. “O acido salicílico”,
anunciou Buss, “tem em minhas mãos reduzido a febre em todos os casos...Não
importa a causa da febre”.
Bibliografia:
Mágica em Garrafas, A história dos Grandes Medicamentos – Milton Silverman –
tradução de Monteiro Lobato – Cia Editora Nacional 1943
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