sábado, 2 de março de 2013

Casca Preciosa uma árvore do Rio Negro

Canela da Índia

É uma árvore muito alta, que não é rara nas selvas do Rio Negro. Cryotocarpa pretiosa , M, A casca desta árvore é tirada em fragmentos grandes, às vezes de alguns pés. Têm a grossura de algumas linhas, são de textura fortemente fibrosa e bastante frágeis, de cor parda de canela. A epiderme é castanho amarelada, mais ou menos lisa, provida aqui e acolá de verrucosidade pequenas, circulares e pouco saliente, ou dotada de princípios de vegetações de liquens. Seu sabor é singularmente aromático e picante, e parece provir de um óleo essencial, que nela existe em grande quantidade. O efeito medicinal da casca preciosa é comparável principalmente ao do sassafraz; porém é mais irritante re mais ativo. As doçuras, em que é utilizada pelos índios do Amazonas sção: debilidade nervosa oriunda de extravagâncias; edema dos pés em virtude de resfriados; catarros crônicos; hidropisia, gota, sífilis. Para esta última doença costuma corrigir o infuso da salsaparrilha genuína que ai cresce espontaneamente pela adição deste estimulante. Deve ser no principio cauteloso com as doses, pois que uma demasiadamente forte produz cefaleia interessante. Mais pronunciado na parte mediana do craneo, e eleva sobremodo a temperatura. Para doses pequenas tomadas repetidamente, a reação do corpo que se traduz por fraca transpiração e excreção aumentada de urina.
A canela, cultivada aqui e acolá na Bahia, principalmente no distrito de Camamú há cerca de 50 anos, mais por mera curiosidade do que com finalidade comercial, é da qual também aqui apresento uma amostra, coincide em sua textura e sabor muito mais com a Cassia lígnea, do que com a legitima e fina canela do Ceilão. Isso talvez se explique, por ser descascadas de arvores velhas e muito negligenciadas, e sem o cuidado empregado na í ndia Oriental.
Aquelas regiões da Bahia e os arredores do Rio de Janeiro são muito propícias ao crescimento da canela, e se as intenções paternais do governo português, que já nos últimos decênios do século passado aconselhara o plantio da canela, fosse mais bem correspondida, o Brasil futuramente poderia ter importante exportação da mesma. Também no Rio de Janeiro foi a atenção de alguns patriotas voltada para esta importante árvore.
Induziram o Dr. Bernardino Antônio Gomes para a publicação de um trabalho. “Memória sobre a canela no Rio de Janeiro, que foi , em nome do prefeito e no ano de 1798, apresentada ao então príncipe regente, e que contem indicações oportunas sobre o cultivo da canela. No ano de 1809 foram transplantada da Caiena, que os portugueses ocupavam naquele tempo, para o Pará uma quantidade de novos pés de canela, e ainda lá existe pequenas plantações, onde se seguem as regras dos holandeses.

Bibliografia: MARTIUS, Von – Sobre Algumas Drogas Brasileiras – Revista da Flora Medicinal – 1936 – Tradução do farmacêutico Oswaldo Riedel

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