quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Campo de ação e os limites da Farmacognosia

No Brasil de 1936 os estudos de farmacognosia eram escassos e em geral feitos por farmacognostas, é de toda conveniência que as indicações terapêuticas não sejam omitidas, pois que assim, poderão estes trabalhos despertar o interesse dos médicos para os preciosos recursos terapêuticos encerrados em nossa flora. É bem verdade, que, muitas
Estudo dos vegetais
vezes, essas indicações são por demais empíricas, mas convém lembrar que quase todas as plantas hoje utilizadas, tiveram sua origem na medicina popular, cabendo, pois ao medico a verificação de tais indicações. Assim como ao farmacodinamista, não é possível em toda a sua existência repetir os ensaios feitos pelos demais experimentadores, para se capacitar da veracidade deles e para os reproduzir em seus escritos e o terapeuta de mesma forma se tem de curvar  nas observações de seus antecessores, ampliando-as, é verdade, em alguns setores, assim também não vemos motivos que impeçam ao farmacognosta buscar nas mesmas fontes que a falta de conhecimento especializados contingência do tempo não permitirem se estabelecer. Assim, podemos dizer que o campo de investigação da farmacognosia, não se acha ainda perfeitamente delimitado. Querem uns que ela se ocupe exclusivamente do estudo dos caracteres morfológicos, microscópicos e da composição química das drogas de origem vegetal e animal sem ter em vista a sua aplicação medicinal, visando unicamente a sua identificação e o reconhecimento das impurezas e falsificações. Julgando outros ser fim precípuo dessa disciplina o estudo das drogas medicinais, extendem seu domínio até a farmacodinâmica e a terapêutica.
Os primeiros, considerando a Farmacognosia como um capítulo da Merciologia, como a definiu Martius, (Theodor Wilhelm Christian Martius, professor de farmacognosia na Alemanha, Erlangen),adstringem-se ao conhecimento da droga, em si, justificando até certo ponto a sua maneira de ver pela etimologia grega da palavra, droga, e conhecimento. Este grupo tem a sua frente o vulto respeitável do eminente professor de Berna, e parece no momento atual reunir maior número de adeptos. Os outros que seguem a orientação da escola de Paris têm a chefiá-los o sábio professor Perrot. Não podemos deixar de fazer aqui uma referência especial aos trabalhos do Prof. Wasicky de Viena, e aos do professor Simon de Pacova, que se fitam a esta última escola. Tendo mesmo Waiscky denominado o seu tratado de Farmacognosia. De qualquer forma, insistimos mais uma vez o campo da Farmacognosia é vastíssimo e se acha situado entre o das ciências (físico-naturais) e o da química, são pois, estas ciências, uma fornecendo material de estudo e os seus métodos e s outras os processos analíticos de pesquisa, as suas maiores auxiliares. Além da botânica, da química e da física , a zoologia, a etnologia, a geografia, a história etc. podem ser consideradas como subsidiárias da Farmacognosia e foi mesmo baseado nelas que o Professor Tschrich estabeleceu as suas onze divisões da farmagnosia pura e geral. E na Farmacognosia especial, uma das duas divisões dessa disciplina, que se faz estudo monográfico das drogas, estudo este que segundo ainda aquele professor deve compreender sempre que possível os seguintes dados: Nome vulgar da droga, Sinonimia e etimologia. Classificação sistemática da planta produtora. Descrição da planta produtora. Origem e produção da mesma. Cultura da planta medicinal. Danificadores da cultura. Obtenção da droga. Colheita e tratamento. Mercados. Variedades comerciais. Embalagens. Descrição da droga. Impurezas falsificações e Sucedaneos. Animais danificadores da droga (eventual). Qualidade e avaliação do preço. Histórico. Empregos.


Bibliografia: Costa, Profº Oswaldo A. – Revista da Associação Brasileira de Farmacêuticos. Abril de 1936 – Botanica e Farmacognosia

Nenhum comentário:

Postar um comentário